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Irã se prepara para exportar mais caviar

Redução das sanções após acordo nuclear reativa a produção de caviar de esturjão, que pode chegar a US$ 3 mil o quilo

02 dezembro 2015 | 16:17 por redacaopaladar

Por Daniel Neman

St. Louis Post

Nas praias do mar Cáspio, um ambicioso projeto toma forma para produzir uma cobiçada iguaria que pode fortalecer a economia no Irã conforme as sanções comerciais contra o país forem reduzidas: o caviar.

Iguaria. O preço estimado do quilo de caviar de esturjão é US$ 3.000. FOTO: Raheb Homavandi/Reuters

Na fazenda Ghareh Boron Caviar, na vila de Goldasht, meio milhão de alevinos de esturjão estão sendo criados, por ano, em tanques abastecidos com água bombeada do mar Cáspio. Cerca de 110 mil deles são de esturjão beluga que produz o mais caro caviar do mundo.

O projeto, que custou US$ 100 milhões, teve início em 2005. O esturjão leva 12 anos para produzir caviar. A fazenda pretende exportar 30 toneladas de caviar curado no sal e 2.000 toneladas de carne de esturjão em três anos, ao preço estimado em US$ 3.000 dólares o quilo de caviar. EUA, Europa e Japão são tradicionalmente os maiores importadores.

Mas este não é o único projeto de produção de caviar. Há muitas outras fazendas que surgiram nos últimos dois anos. Em Goldash, 310 km a norte de Teerã, esturjões de até 2 metros de comprimento nadam em grandes piscinas de concreto cheias de água do mar. Além de exportar o caviar e a carne de esturjão, a ideia é produzir também óleo e cosméticos à base das ovas de esturjão. A pele do peixe rende bom couro e o intestino serve para fazer suturas.

O Irã já foi o maior exportador mundial de caviar – em 2000, vendeu mais de 40 toneladas. As exportações baixaram para uma tonelada em 2014, devido à queda nas populações do peixe somada às sanções econômicas impostas por potências mundiais em resposta ao programa nuclear iraniano.

Excesso de pesca, poluição e destruição de locais de desova contribuíram para o declínio do esturjão selvagem no mar Cáspio, fonte de 90% do caviar do mundo. Um veto global temporário foi imposto em 2001 e os cinco países banhados pelo Cáspio concordaram em estender a proibição de caviar selvagem para recuperar a espécie.

Como parte do acordo nuclear, as sanções ao Irã serão removidas e os EUA vão retomar a compra de produtos como tapetes, pistache e caviar, interrompidas em 2010. Durante a sanção, os EUA importou caviar da Alemanha, Uruguai e Israel, principalmente.

>> Veja a íntegra da edição de 4/12/2015

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