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MAD e Yale criam instituto para 'informar e inspirar chefs'

Projeto entende que chefs têm função social que vão além das paredes da cozinha

13 outubro 2015 | 17:05 por Luiza Pollo Mazurek

Especial para o Estado

Um dos melhores restaurantes do mundo se uniu a uma das melhores universidades do mundo. O MAD, criado pelo dinamarquês René Redzepi, chef do premiado Noma, e a Universidade de Yale anunciaram a criação do MAD Institute, que pretende ser um “instituto de liderança para chefs”.

O objetivo é levantar discussões que vão além das paredes da cozinha e preparar chefs para desempenhar papeis na sociedade que podem, inclusive, ajudar na solução de problemas globais. “A parceria com a Yale é uma oportunidade de colocar em prática o potencial que acreditamos que os chefs têm de influenciar como comemos hoje e no futuro”, disse Redzepi ao Yale News.

 René Redzepi. FOTO: Yuya Shino/Reuters

O programa piloto começa em 2016 e deve reunir de seis a oito chefs e líderes da gastronomia. Ao longo de uma semana, eles vão testar e moldar o currículo, que deve incluir palestras, workshops, seminários de discussão e visitas a fazendas, cozinhas e locais de inovação. Alunos (entre 15 e 18) só começarão a ser aceitos em 2017, quando o programa deve ser estendido para duas semanas. Os participantes serão escolhidos a cada dois anos por um processo seletivo ainda não detalhado.

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“O projeto educacional que estamos criando vai refletir as realidades de nossa profissão e do nosso mundo, que estão mudando, oferecendo novas ideias sobre como superar os obstáculos, assim como formas de aproveitar o potencial (dessas mudanças)”, completa o chef. O instituto terá sede na universidade, em New Haven, Connecticut, nos Estados Unidos.

Yale. FOTO: Christopher Capozziello/The New York Times

Para isso, o instituto deve expor os participantes a situações, experiências, ideias e princípios que podem ser usados para pensar crítica e criativamente sobre assuntos relacionados à alimentação. Segundo o reitor da universidade, “os participantes sairão do programa com ampla compreensão dos desafios socioeconômicos, ambientais e relacionados à saúde que se apresentam aos sistemas alimentares do mundo, e vão ser inspirados a fazer mudanças duradouras”.

A universidade já tem tradição em estudos alimentares com o Yale Sustainable Food Program, por exemplo, que foi criado em 2011 e fomenta estudos sobre alimentação, saúde e meio-ambiente.

René Redzepi recepciona os participantes da última edição do MAD Food Camp. FOTO: Patricia Ferraz/Estadão

O MAD. Em inglês ‘louco’, em dinamarquês ‘comida’, MAD é uma organização sem fins lucrativos fundada em 2011 por René Redzepi que tem por objetivo expandir o conhecimento sobre a comida e desafiar os chefs a pensarem sobre seu papel – que vai além de cozinhar. Uma de suas principais ações é o MAD Food Camp, evento que já teve quatro edições (a quinta está planejada para o ano que vem).

FOTO: Divulgação

Fila de novidades. A notícia da parceria com Yale vem na esteira de outros importantes anúncios feitos pelo chef nos últimos dois meses, um sobre sua cozinha, outro sobre seu vivaz empreendedorismo na área da edução: o fechamento do Noma e o lançamento do VILD MAD.

O Noma – considerado o terceiro melhor restaurante do mundo no ranking 50 Best 2015 – vai fechar no fim do ano e reabrir em 2017 com uma nova proposta. Durante o intervalo, Redzepi pretende inaugurar uma fazenda urbana.

O VILD MAD, ou “comida selvagem”, é um grande projeto educacional focado em alimentos nativos da região da Dinamarca. Dividido em três frentes, ele será gratuito para o público. A primeira frente é um programa para escolas infantis que ensinará crianças sobre os alimentos de sua terra. A segunda, cursos sobre os ingredientes selvagens da região, voltados para quem quiser conhecer melhor o meio-ambiente e aprender a cozinhar produtos de acordo com a estação. A terceira, uma plataforma digital que servirá como banco de dados de ingredientes silvestres, além de conter informações sobre segurança alimentar, sustentabilidade, dicas de cozinha e um mapa da incidência de plantas selvagens comestíveis. A ideia é que tudo seja lançado em meados de 2017.

/ colaborou Carla Peralva

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