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Malásia vence a Copa do Mundo da confeitaria

Japão e Itália completaram o pódio da disputa na França; Brasil ficou em 21º. Pela primeira vez foi exigida a apresentação de uma sobremesa 100% vegana

28 de janeiro de 2019 | 17:36 por Gilberto Amêndola, O Estado de S.Paulo

A equipe da Malásia venceu a Coupe de Monde de la Pâtisserie, competição de confeitaria realizada antes do Bocuse d'Or em Lyon, na França. Foi a primeira vez que um país do Sudeste Asiático chegou ao primeiro lugar. Em segundo ficou o time japonês. Na terceira posição ficou a Itália. O Brasil ficou com a 21ª posição. 

Na edição deste ano o tema foi Natureza, Flora e Fauna. No total, participaram 21 equipes de várias partes do mundo, cada uma delas composta por três candidatos divididos nas categorias açúcar, chocolate e gelo. A novidade foi que uma das sobremesas apresentadas tinha que ser 100% vegana. Além disso, os competidores tiveram que preparar três sobremesas de chocolate; três de frutas congeladas; 15 empratadas e três esculturas, uma de açúcar, uma de chocolate e de gelo. 

Malásia vence a Copa do Mundo da confeitaria. Japão e Itália ficam em segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Malásia vence a Copa do Mundo da confeitaria. Japão e Itália ficam em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Foto: Coupe de Monde de la Pâtisserie

A equipe brasileira foi formada por Letícia Cruz, responsável pelas criações com chocolate; Sonia Takata, pela escultura de açúcar; e Ítalo Máximo, pela escultura de gelo. O presidente do comitê brasileiro e treinador da equipe é o chef pâtissier Rafael Barros, que também esteve no júri. 

O Brasil teve problemas em seu box. O principal deles foi com a motosserra (instrumento usado para esculpir o gelo). Ela quebrou no início da prova e não pode ser substituída. “É um equipamento muito pesado. Para cortar custos, trouxemos apenas um”, disse Barros.

A situação é reflexo do ainda incipiente apoio recebido pelo time brasileiro - que contou com poucos patrocinadores e gastos bancados pelos próprios competidores. Em um desabafo, com os olhos cheios de lágrima, Barros afirmou: “agora, aparece um monte de gente dizendo que quer apoiar. Mas depois nos esquecem. São dois anos de preparação. Dois anos que precisam ser apoiados. Não só quando chegamos em Lyon”. “Vamos começar a trabalhar de novo. Tirei foto de todos os patrocinadores que estão aqui, e tem representação no Brasil. Vou bater na porta de todos eles quando voltar”, disse.

Equipe brasileira. A medalha é de participação, e a classificação será divulgada em um jantar de gala.

Equipe brasileira. A medalha é de participação, e a classificação será divulgada em um jantar de gala. Foto: Gilberto Amêndola/Estadão

Apesar disso, quando a tensão do dia de competição se dissipou, o time brasileiro avaliou a própria participação como positiva. “É uma escola. Só de estar aqui a gente já aprende muito. Certeza que nossa tendência é melhorar”, disse Sonia. “Não dá pra ficar triste. É só olhar para o lado e ver com quem a gente está competindo, em que patamar estamos”, completou.

Após a apresentação das esculturas, por exemplo, o time brasileiro fotografou o trabalho de outros países para poder estudá-los. As receitas dos outros times também estão disponíveis e a ideia de Barros e tentar reproduzi-las. “Faz parte do nosso aprendizado. É treino”, disse. “Mas o importante aqui não é vencer. É valorizar a nossa jornada”, completou.

Esculturas de chocolate e de açúcar da equipe italiana, que ficou em terceiro lugar na Coupe de Monde de la Pâtisserie.

Esculturas de chocolate e de açúcar da equipe italiana, que ficou em terceiro lugar na Coupe de Monde de la Pâtisserie. Foto: Coupe de Monde de la Pâtisserie

A responsável pelo chocolate, a chef Letícia Cruz, viveu intensamente cada segundo de competição. No final do primeiro dia, permitiu-se chorar (depois de mais de 10 horas de trabalho e noites sem dormir ). “Eu me arrepiei só de ouvir o Brasil ser anunciado”, contou. “Passa um filme na nossa cabeça. Eu aprendi muito, profissionalmente e como pessoa”.

Outro motivo para Letícia, a única negra na competição, sentir intensamente a competição foi ver a família em Lyon. Estavam lá pai, mãe, três tias e a avó. Todos saíram de Bangu, no Rio de Janeiro, para assistir a prodígio da família. “Nunca pensei que cruzaria o mundo para ver minha neta competindo. Estou muito orgulhosa”, disse dona Marli, a avó.

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