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Mazel Tov– Axé! Cozinha baiana encontra a judaica em novo livro

'Beabá da Bessarábia à Bahia – Histórias e Receitas' é livro de culinária que tem como linha condutora memórias afetivas e pratos que unem dois mundos

20 de setembro de 2019 | 06:05 por Renata Mesquita, O Estado de S.Paulo

Mazel Tov – Axé! O casamento de saudações tradicionais de culturas tão diferentes conduz a leitura de Beabá da Bessarábia à Bahia – Histórias e Receitas (Editora Corrupio) de Sulamita Tabacof.

É um livro de culinária, repleto de receitas, mas seu fio condutor são as histórias e lembranças afetivas da autora, hoje com 89 anos. Sulamita é neta de imigrantes judaicos que aportaram da Bahia vindos da Bessarábia – atual Moldávia, uma pequena região entre Rússia e Romênia, localizada às margens do Mar Negro.

Nesta sua primeira obra – que inicialmente seria apenas um caderno de receitas que ela daria às filhas e netas – Sulamita apresenta as distintas culturas e religiões, suas mesclas, e como elas se encontram à mesa, por meio de receitas. 

Capa livro Beabá da Bessarábia à Bahia 

Capa livro Beabá da Bessarábia à Bahia  Foto: Reprodução

Professora de história na capital baiana, teve Caetano Veloso como aluno, e é ele que assina a contracapa. Já a apresentação foi feita por Paloma Jorge Amado, que descreve o livro como o “uma grande viagem através dos tempos, de mundos tão diversos, de religiões e seus sincretismos e mestiçagens”. 

É um livro com muitas histórias (da família da autora principalmente) combinadas a contextos religiosos, mas é um livro acima de tudo de receitas. E talvez um dos poucos em que você vai encontrar caruru e vatapá lado à lado com gefilte fish, o bolinho de peixe tradicional nas festas judaicas. Em alguns casos há a mistura das duas culturas.

Vale ressaltar que é um livro de receitas de dona de casa, algumas sem muita precisão de quantidades de ingredientes, mas com explicações suficientes para um final feliz. Muitas contam com adaptações, sugeridas por Dona Ida, mãe de Sulamita. É o caso do gefilte, que na Bessarábia era feito com carpa, aqui era feito com tainha por D. Ida, mas Sulamita sugere a pescada ou o linguado. Tem ainda efó, bolo de castanha-do-pará, vareniques e chalá. 

Para o lançamento, no próximo sábado (21), Sulamita estará na Biblioteca Mário de Andrade (R. da Consolação, 94, República), às 16h, acompanhada de Marisa Orth e Natália Barros para leitura de textos. 

Beabá da Bessarábia à Bahia - Histórias e Receitas

Autor: Sulamita Tabacof 

Editora: Corrupio (129 páginas, R$ 80) 

 

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