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Minicozinha, grandes receitas

Rachel Khoo lança o livro 'A Pequena Cozinha em Paris'

02 julho 2014 | 21:36 por Patrícia Ferraz

Quando abri o livro A Pequena Cozinha em Paris, na semana passada, tive vontade de correr para o fogão. Estava curiosa para constatar, na prática, a proporção exata entre o marketing de uma ideia genial e a qualidade da comida preparada pela inglesa bonitinha, formada em relações públicas, que se mudou para Paris cinco anos atrás, aprendeu a cozinhar e teve a grande sacada de mostrar que é possível fazer verdadeiros banquetes num espaço minúsculo.

A cozinha de Rachel Khoo tem 21 m², um miniforno e um fogão de duas bocas, além da geladeira. Virou cenário dos programas que ela apresenta na tevê – Pequena Cozinha em Paris, pela GNT, e Rachel Khoo’s Notebook, na BBC. E serve de laboratório para as receitas que ela publica em sua coluna no London Evening Standard. Foi ali mesmo que a moça começou a pôr em prática pães e doces que aprendia no curso da Le Cordon Bleu. Mais tarde, na mesma cozinha repetia as delícias que fazia no salão de chá da Le Cocotte, livraria especializada em gastronomia com uma loja de utensílios, onde conseguiu emprego.

Rachel Khoo se mudou de Londres para Paris para estudar na Le Cordon Bleu. Ficou famosa fazendo alta gastronomia numa microcozinha. FOTOS: Reprodução

O curso e o trabalho serviram de estímulo para a criação de pratos e adaptações, que ela convidava os amigos para provar. Almoços e jantares foram ficando mais consistentes, cada vez melhores, e Rachel foi parar na tevê fazendo clássicos franceses ou receitas próprias.

Numa cozinha não muito maior que a de Rachel Khoo, testei, no fim de semana, três receitas do livro – foi difícil escolher, várias me tentaram. Mas optei pelas que combinavam melhor com o clima de domingo.

E assim, o almoço começou com galettes de batata com pera e queijo roquefort (veja a receita). Esse foi, aliás, o prato que deu menos certo. A receita precisa de ajustes: não manda pôr sal, mas precisa, pois o queijo roquefort não dá conta de salgar todo o conjunto. Também faltou indicar que é necessário untar o papel-manteiga – parte das minhas galettes se perderam, grudadas no papel. Mas, com as devidas correções, vale provar. Se bem que ainda quero fazer mais uma vez, tenho a impressão que seria melhor cozinhar um pouco as batatas antes de levar ao forno, em vez de assar direto, como manda a receita. Vou testar.

O sabayon aux saint-jacques, vieiras grelhadas servidas com zabaione salgado de vinho branco, estava irretocável. É um jeito surpreendente de servir vieiras. Acompanhado com salada de minirrúcula, o prato vira, fácil, uma refeição completa.

Campeã. Salada de lentilhas du puy, queijo e beterraba

Mas o melhor dos três foi a salada de lentilhas du puy com beterraba, queijo de cabra cremoso e vinagrete de dill – ops, confesso que no caso do vinagrete nem tentei a proporção sugerida no livro (partes iguais e óleo de girassol e de vinagre de vinho branco). Fui direto na proporção clássica que é de 3 partes de azeite (e não óleo de girassol) para uma de vinagre. A salada ficou divina.

Apesar dos retoques necessários em algumas receitas, adorei o livro. Tem ideias criativas, receitas com frescor, pratos despretensiosos para o dia a dia. E, além deles, tem alguns clássicos. No final, um capítulo chamado Fundamentos traz as bases da cozinha francesa, da beurre noisette (aquela manteiga tostada até ficar cor de avelã, que dá um sabor incrível) ao crème pâtissière para a confeitaria. Ainda quero provar vários pratos. Talvez comece hoje mesmo pelo crème brûlée de cebola (se valer a pena, vira Prato do Dia).

A Pequena Cozinha em Paris

Autor: Rachel Khoo

Editora: Intrínseca (288 págs.)

Preço: R$ 59,90

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 3/7/2014

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