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Na França, uma máquina de vender bife, carpaccio e confit

Paris ganha sua primeira máquina de venda automática de carnes e derivados

22 março 2016 | 16:47 por Samuel Petrequin

Associated Press

De Paris

Com suas adoradas baguetes à venda 24 horas por dia, nada mais razoável do que os parisienses poderem, agora, comprar presunto de Bayonne e patê basco, que vão tão bem com pão, diretamente da primeira máquina de venda de carne e derivados da capital francesa. 

 

  Foto: Christophe Ena|AP

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Numa cidade cheia de charmosos pequenos estabelecimentos nos quais longos almoços fazem parte da art de vivre dos franceses, a fulgurante máquina vermelha, instalada na agitada Rue de Charonne, na parte leste de Paris, parece meio fora do ambiente. 

A área tem pelo menos duas dúzias de açougues, ou seja, não falta carne. Mas isso não impediu os donos de um dos estabelecimentos, Florence e Michel Pouzol, do L’ami Txulette, de investir € 40 mil (US$ 45 mil) em seu projeto: vender carne, embalada a vácuo, numa máquina refrigerada. 

“A ideia é servir à clientela de L’ami Txulette também aos sábados e domingos e depois do horário comercial”, explicou Florence Pouzol.

L’ami Txulette é especializado em produtos do País Basco. Em sua máquina, que aceita dinheiro vivo ou cartão, os clientes também têm uma ampla escolha de tradicionais delicatessen, como confit de pato e carpaccio. Também há bifes de contrafilé, a € 34 o quilo. Na média, os produtos saem € 0,20 mais caros do que os vendidos no balcão. 

A maioria das lojas fecha aos domingos na França, mas os Pouzols acreditam que o país esteja mudando, bem como os hábitos de sua clientela. “Nossos fregueses são jovens. Vão a bares e restaurantes aqui no bulevar e nos dizem que à noite compraram isso e aquilo e foi muito útil”, diz Florence. “Há ainda os que trabalham nesses estabelecimentos e os que saem do trabalho às 2 da manhã. Eles gostam de comprar umas costeletas ou um contrafilé a caminho de casa.”

Mas nem todos os residentes, principalmente os mais velhos, parecem dispostos a trocar seus açougues favoritos pela “carne de máquina”. “Gosto de ir pessoalmente ao açougue agora que estou aposentada”, diz Lydie Aparacio. “Não uso a máquina: tenho tempo de sobra.”

 

  Foto: Christophe Ena|AP

Enquanto as máquinas de vender pão são sucesso no país há cinco anos, as de venda de carne ainda estão em período experimental. A primeira do tipo foi instalada três anos atrás por um açougueiro num bar da cidadezinha de Garat, oeste francês. Garat não tinha açougue. 

Na cidade medieval turística de Mennetou-sur-Cher, Pascal Bidron pôs uma máquina para vender andouillette, uma linguiça feita com intestino de porco, famosa na cidade. A máquina é usada quando a loja de Bidron está fechada. “Tenho clientes que vêm de longe” diz Bidron. “Recentemente, tive de ficar fora duas semanas e a máquina vendeu 250 embalagens de andouillette.”

/ Tradução de Roberto Muniz

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