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O campeão? É do Canadá

Entrevista

07 junho 2012 | 08:00 por oliviafraga

James Coleridge, criador do sorvete vencedor

O elétrico canadense  James Coleridge veio, viu e venceu em Florença com seu gelato de noz-pecã e xarope de bordo

O sorveteiro canadense James Coleridge parecia ter sido ligado numa tomada. Circulava de um lado para outro sem parar na praça Santa Maria Novella, sempre sorridente, agitado, conversador. Fez sucesso disparando frases criativas e divertidas sobre seu trabalho. E não perdeu a chance de brincar com a sorveteira brasileira Márcia Garbin, com quem posou para a foto que ilustra esta página. Tanta empolgação pareceu se justificar ao final do evento, quando seu sorvete de creme de noz-pecã com xarope de bordo (o maple syrup) foi eleito o melhor sabor do Firenze Gelato Festival de 2012 por um júri especializado.

Dono da sorveteria Bella, em Vancouver, Canadá, Coleridge trabalhou no desenvolvimento da receita especial assim que foi convidado para o evento na Itália. Resultado: viajou transportando 75 kg de ingredientes canadenses que usou para fazer seu sorvete em Florença.

Ficou com água na boca?

O esforço valeu a pena. Além de criatividade e competência na arte de fazer sorvete, James Coleridge exibiu elegância ao comentar o resultado do concurso. “Eu ganho um monte de prêmios pelo mundo, mas no fim das contas sou só um cara que faz gelatos e adora o que faz”, disse em entrevista exclusiva ao Paladar.

O que um canadense faz no festival do gelato italiano?

Esta é a terra natal do gelato, do sorvete, não importa o nome que se dê. Os italianos sempre querem algo fresco, novo, então é importante vir aqui para valorizar essa arte. E é muito bom poder representar o Canadá e ver outros estrangeiros mergulhando nisso. O Brasil, por exemplo, deve se orgulhar de ter alguém aqui apresentando um sorvete usando ingredientes com o sabor do seu país, como a Márcia Garbin, que trouxe um chocolate brasileiro e maracujá.

Por que faz questão de viajar para participar deste evento? 

Este é um festival de artesãos, enquanto outros eventos semelhantes no resto do mundo são voltados para a indústria de massa.

Como se inspirou para criar este sorvete com noz-pecã e maple syrup?

Escolhi usar produtos que representam bem o Canadá, meu país de origem. Temos muitas nozes-pecãs e adoramos o xarope de maple, então, decidi juntar os dois produtos num mesmo sabor. Na minha gelateria não costumo repetir muito os sabores. Quando algum sorvete começa a se destacar demais, interrompo a produção e logo invento algo novo.

É exagero chamar o gelato de arte?

Fazer gelato não é simplesmente abrir um pacote pré-pronto e misturar, mas um processo artístico de buscar o equilíbrio entre os sabores e a textura. Temos a custódia de um processo do mundo antigo que se perdeu no mundo industrializado. Mas, é claro, todo mercado tem espaço para artistas e para a indústria de massa, e o mesmo acontece com o mercado dos gelatos e sorvetes.

O que torna seu sorvete especial?

Não uso ingredientes manipulados previamente nem compro nada pronto. Faço tudo partindo do zero, do produto original. Para preparar o creme de nozes que serviu de base para o sorvete campeão, assei as nozes por seis horas.

O que sente quando alguém prova seus sorvetes?

É maravilhoso quando as pessoas chegam felizes em sua gelateria e saem com um sorriso ainda maior no rosto. Não nos interessamos pela vendagem, mas apenas pela felicidade das pessoas. Queremos tocar corações e almas com experiências marcantes para o resto da vida.

(Por Daniel Silveira)

Ficou com água na boca?