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O embutido como estratégia de sobrevivência

Embutidos degustados na palestra (Foto: JB Neto/AE)

30 julho 2011 | 17:22 por janainafidalgo

Por Fabiana Guedes

“Não saia de casa sem um bom pernil.” O conselho, que hoje soa inusitado, era repetido como um mantra aos conquistadores do Império Romano. A cautela fazia sentido: como aceitar alimentos da população de um território recém-tomado? Foi com essa reflexão que o publicitário, sommelier e pesquisador Breno Raigorodsky abriu sua palestra sobre embutidos e explicou as origens de seu consumo.

Num clima de resgate histórico, Breno, que é autor do livro Embutidos – Da Sobrevivencia à Gastronomia, falou sobre receitas como uma barriga de leitão recheada com carne batida e cérebro de boi e contou curiosidades envolvendo o produto. “O embutido parte da ideia de prever o que você vai consumir amanhã”, explicou.

Mas o bate-papo não se ateve apenas ao passado. De estratégia de sobrevivência, a técnica evoluiu para um ritual culinário artesal e chegou à industrialização – fato condenável para alguns puristas. Para o palestrante, no entanto, é um erro demonizar a produção industrial. “No caso dos embutidos, ela foi a responsável pela volta do consumo de produtos que, sem isso, seriam esquecidos”, defendeu.

Depois de conversas e reflexões, o público se deliciou com linguiça calabresa com alho, salame salamanca e fuet. Breno encerrou sua palestra com uma frase do rei babilônico Nabucodonosor: “Se a sobrevivência foi a mãe do embutido, o prazer foi seu pai”.

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