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O homem que globalizou o pão cotidiano

Global. A próxima parada de Alain Coumont é o Rio, no fim do ano que vem. FOTO: Divulgação

12 dezembro 2012 | 22:15 por joseorenstein

Em 26 de outubro de 1990, Alain Coumont vendeu seu primeiro pain au levain, na Bélgica. Formado cozinheiro e com passagens por restaurantes estrelados em Paris, achava que não tinha pão bom no seu país, e resolveu fazer ele mesmo. Criou a Le Pain Quotidien, que, 20 anos depois, expandiu-se feito fermento natural no calor: com centenas de lojas, está em 19 países, como Catar, Índia, Japão e Brasil – onde se instalou no começo do ano, em São Paulo. São quatro filiais já, com projeto de mais duas. Mas o pão é todo feito na loja da Vila Madalena. Alain estava lá na terça, vistoriando a produção. Está insatisfeito com a qualidade da farinha brasileira – que julga muito grossa. Diz que a farinha ideal é feita em moinho de pedra e deve ser moída mais de uma vez, até ficar bem fina. O trigo usado no País vem, em geral, da Argentina, mas as melhores variedades ficam por lá. Alain diz que o pão da Le Pain Quotidien de Buenos Aires é melhor que o de São Paulo. “Além da farinha, o segredo é o tempo. Não se pode acelerar o processo de fabricação do pão”, diz.

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O belga soube aproveitar a consolidação do Mercado Comum Europeu, nos anos 1990, para expandir sua rede no continente e, depois, no mundo. Até então, o preço do pão era controlado na Europa. Com a livre flutuação, criou-se uma divisão no mercado: de um lado, pães muito baratos vendidos em grandes mercados; de outro, pães especiais. “O pão virou um produto cultural. Quase um luxo”, diz.

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