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O Noma e o Dogma 95

 

02 setembro 2011 | 16:56 por patriciaferraz

Por André Graciotti

Os Escandinavos parecem ter tradição em manifestos vanguardistas. Se a nova culinária busca a volta dos alimentos “reais” e frescos, livres da manipulação artificial, no cinema, os cineastas dinamarqueses Lars Von Trier e Thomas Vinterberg também criaram, em 1995, um movimento com princípios rígidos que visavam recuperar o cinema “puro, transgressor, realista e sem maquiagem”, chamado ‘Dogma 95’. E também como os conterrâneos da gastronomia, o documento continha 10 fundamentos que estipulava, dentre outras regras, que o filme deveria ser realizado com câmera na mão, em locações externas e recursos artificiais de cenografia ou efeitos especiais eram estritamente proibidos.

Diferentemente de outros movimentos cinematográficos de viés não-comercial, como a Nouvelle Vague francesa dos anos 60, o ‘Dogma 95’ aclamava o cinema coletivo, rejeitando qualquer senso de autoria de seus realizadores.

“Festa de Família” e “Os Idiotas” foram as mais emblemáticas obras surgidas a partir do manifesto que, como esperado, gerou polêmica e controvérsia ao mesmo tempo em que inspirou gerações futuras de cineastas.

Ficou com água na boca?

Porém, considerando os filmes mais recentes do próprio Von Trier, em que há uso de música, efeitos especiais e ele já é reconhecido como um ‘autor’, é inevitável que o cinema, assim como qualquer bom cardápio, dificilmente consegue ficar muito tempo sem se deixar seduzir por novos ingredientes.

Ficou com água na boca?