Paladar

Comida

Comida

Os maus (porém bons) bocados do chef Anthony Bourdain

Novo lançamento do escritor relata viagens e muitas refeições esquisitas

14 fevereiro 2008 | 03:20 por Pedro Henrique França

O franco-nova-iorquino Anthony Bourdain vem causando controvérsia desde 2001, quando lançou Cozinha Confidencial e mostrou bastidores não muito agradavéis de restaurantes famosos; compilou artigos (Em Busca do Prato Perfeito); escreveu romance (Bobby Gold, Leão-de-Chácara); e revelou receitas do Les Halles, onde trabalhou em Nova York.

Agora, com o humor e ironia que o consagraram, o chef-escritor traz em Maus Bocados (Companhia das Letras, 360 pág., R$ 49,00) um diário de viagem onde descreve as peripécias de um cozinheiro curioso que viaja pelo mundo descobrindo pratos - do mais simples ao exótico.

"O livro foi uma forma de mostrar coisas que não consegui levar ao meu programa de tevê porque ele era muito curto", diz ele em entrevista exclusiva ao Paladar. Em Maus Bocados, Bourdain fala da primeira visita ao Brasil, passando por São Paulo, Rio e Salvador. Achou São Paulo "feia como o inferno". Mas ameniza: "Fiz aí grandes amigos e fui muito bem recebido." Fanático por comida japonesa, "leve e barata", Bourdain não aprovou a culinária da Liberdade: "Achei muito pesada." Diz ter adorado a feijoada da Cláudia, uma mulher da Vila Madalena que faz o prato sob encomenda, e o sanduíche de mortadela do Mercadão. "É simples, mas é saborosíssimo'", elogia.

O chef simpatizou bastante com o restaurante Sorriso da Dadá, em Salvador. E não só pelos temperos baianos - "onipresentes e inebriantes" -, mas também pela alegria do povo. "Gostei do ambiente, da cozinheira, da bebida, da música... Não sei se foi a comida que mais gostei, mas foi o restaurante em que me senti mais bem acolhido." O humor sarcástico, de Maus Bocados, é explicado pelo autor: "Todo chef tem que ser descontraído, senão acaba ficando louco com tanta pressão." É essa mesma pressão, diz ele, que justifica o Sistema D, algo como o "jeitinho brasileiro", que leva alguns chefs a espremer a carne que ainda não está no ponto para sair o sangue e assar mais rapidamente. "É ruim, mas eu compreendo, por já ter trabalhado em grandes restaurantes e ver a pressão a que são submetidos." 

Ficou com água na boca?

Atualmente, Bourdain está numa fase "light". Recém-casado, está fazendo tudo que gosta: "Comendo, viajando, me divertindo e aproveitando o casamento." Adianta que seu novo livro será um romance policial: "Já comecei a escrever." E livros de receitas? "Não sei se pretendo escrever mais livros de receitas." E avisa: "Quero voltar ao Brasil o mais depressa possível." Por hora, a opção é viajar pelo mundo com Bourdain em Maus Bocados, que chega às livrarias dia 26.

Ficou com água na boca?