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Queijo canastra leva medalha de prata em campeonato mundial

Por Daniel Telles Marques

10 junho 2015 | 21:34 por redacaopaladar

“É como se o Juventus da Mooca fosse para Paris e batesse o Paris Saint Germain”, empolga-se Guilherme Ferreira, primeiro brasileiro a conseguir uma medalha no Mondial du Fromage de Tours, na França, um dos principais concursos de queijos do mundo.

Guilherme tem 28 anos e produz queijos há quatro. Seu canastra levou a medalha de prata, na segunda-feira, na categoria massa prensada não cozida de leite cru de vaca. “O terroir da Canastra é sensacional: o solo tem muitos minerais e a água é pura”, diz, tentando encontrar os motivos que o fizeram entrar para o rol de grandes produtores mundiais.

FOTO: Guilherme Ferreira/Acervo Pessoal

Parte da façanha é creditada à jornalista brasileira, especializada em queijos, Débora de Carvalho Pereira. Foi ela quem insistiu para que um produtor mineiro com viagem marcada para a França, onde faria um curso de afinação de queijos, levasse os queijos na mala. Foram oito queijos nacionais escolhidos a dedo, entre eles, o queijo produzido por Guilherme. “Essa não é uma categoria fácil, porque tem todos os tommes (de Savoie), saint nectaire, manchego, raclette. É uma categoria bem geral”, explicou a jornalista.

No concurso, os queijos são organizados em pratos e são identificados apenas por um número. Não se informa a origem do produto.

Depois de divulgado o resultado, a jornalista brasileira conservou com alguns jurados e ouviu de uma belga uma explicação para a boa colocação do queijo brasileiro: era bem diferente de tudo que ela já provou. “Tem um gosto de terra, um cheiro especial, uma textura firme e macia ao mesmo tempo” disse-lhe a belga.

Um jurado acostumado aos queijos europeus tende a achara os brasileiros picantes e ardidos. Para alguns isso é defeito, para outros, qualidade. Fato é que os franceses não gostam de queijo de leite de vaca alimentada com silagem porque o leite absorve o gosto fermentado do silo. O de Guilherme foi fabricado no verão, quando há pasto abundante. “Acho que isso foi essencial para a vitória”, analisou a jornalista.

FOTO: Débora de Carvalho Pereira/SertãoBras

Veterinário de formação, Capim, como Guilherme é conhecido pelos amigos, foi desacreditado pelos vizinhos quando investiu na reforma do curral e na construção da queijaria. “Esse menino vai quebrar o pai”, ouvia dos vizinhos.

Coincidentemente, a medalha veio na mesma semana em que o produtor conseguiu o selo do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura. Com ele, Capim poderá mostrar em todo Brasil porque seu queijo é o segundo melhor do mundo.

O queijo produzido por Guilherme Ferreira pode ser comprado na Mercearia Mestre Queijeiro (R. Simão Álvares, 112 – Pinheiros, 2369-1087), A Queijaria (R. Aspicuelta, 35 – Vila Madalena, 3812-6449), Galeria do Queijo Cateto Artesanal (Rua Fernando Falcão 810, Mooca, 2367-7521). Para comprar direto com o produtor, escreva para sac@capimcanastra.com.br

* Atualizado às 21h24 de 11/6

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 11/6/2015

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