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Queijo de 3.200 anos é encontrado em tumba egípcia

Um dos mais antigos exemplares já descobertos, queijo teria tido consistência semelhante à de um chèvre, mas com sabor bem mais ácido

27 agosto 2018 | 16:29 por Niraj Chokshi

The New York Times 

Anos atrás, ao remover a areia de um antigo túmulo egípcio, arqueólogos encontram alguns potes quebrados. Em um deles havia uma misteriosa substância branca que intrigou a equipe. Um estudo recente publicado no jornal Química Analítica esclarece o mistério: a substância branca é um pedaço de queijo feito aproximadamente há 3.200 anos – um dos mais antigos exemplares sólidos já descobertos.

"Pelo método de conservação e pela posição da descoberta no túmulo já se suspeitava que se tratasse de comida– e os  primeiros testes logo confirmaram que era queijo", disse Enrico Greco, pesquisador da Universidade de Pequim, responsável pelas análises.  

A tumba em questão é a de Ptahmes, funcionário egípcio de alto escalão do século 13 a.C., prefeito da antiga cidade de Mênfis. O sítio arqueológico onde ela se localiza foi descoberto em 1885, mas desapareceu, sepultado pela areia, até ser redescoberto em 2010. 

'Massa solidificada esbranquiçada' foi encontrada dentro de um jarro em uma tumba egípcia dos séculos 12 e 13 a.C. Cientistas descobriram que era queijo.

'Massa solidificada esbranquiçada' foi encontrada dentro de um jarro em uma tumba egípcia dos séculos 12 e 13 a.C. Cientistas descobriram que era queijo. Foto: Universidade da Catânia e Universidade do Cairo

Queijos faziam parte do "bufê" enterrado com egípcios ricos. O queijo de Pthames provavelmente tinha consistência semelhante à do chèvre (queijo de cabra francês), "mas com uma pegada bem mais ácida", segundo Paul Kindstedt, da Universidade de Vermont, químico e especialista em história do queijo. 

Embora a amostra analisada por Greco e colegas seja muito antiga, já foram econtrados vestígios de queijo e iogurte (é difícil diferenciar os dois quando se fala em milhares de anos) ainda mais antigos, alguns remontando a 7 mil anos antes de Cristo, conta Kindstedt. Outra pesquisa também revelou os restos de um queijo de 5 mil anos de idade (datava de 3.200 a.C.), que "não apresentava cheiro, apenas gosto de poeira", como dizia o artigo. 

No queijo estudado por Greco foi empregada a mais avançada técnica de análise de proteína existente. Greco e colegas encontraram centenas de peptídeos, ou cadeias de aminoácidos. A maioria deles vinha de saliva e pele humanos, mas nove provinham de leite de vaca ou ovelha

Fica aqui um aviso para quem um dia pensar em experimentar queijos feitos 3 mil anos antes de Cristo: nas análises foram também encontradas evidências de uma bactéria que causa brucelose, doença infecciosa cujos sintomas são febre, dor de cabeça e dores musculares. 

/ TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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