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Rio reúne pesos-pesados da gastronomia

Os dois chefs franceses mais brasileiros que o país já teve – Claude Troisgros e Laurent Suaudeau – ciceroneiam, até o dia 16, a feira de negócios Sirha Rio, que acolhe a etapa nacional do concurso Bocuse D’Or, um dos mais importantes da gastronomia atual.

14 outubro 2015 | 16:52 por Ana Paula Boni

A competição, criada em 1987 por Paul Bocuse e considerada a Copa do Mundo da gastronomia, é realizada a cada dois anos, na França. Em 2017, reunirá candidatos de 21 países, sendo três da América Latina. O escolhido amanhã no Rio representará o Brasil na etapa seletiva latina, no México, em fevereiro de 2016. São oito competidores, eleitos às cegas a partir de receitas.

Franceses. Laurent Suaudeau, Emmanuel Bassoleil e Claude Troisgros, em foto para o livro Vive la Cuisine. FOTO: Cristiano Lopes/Divulgação

“O Bocuse D’Or é só para profissional tarimbado. O objetivo é a pessoa representar o país lá fora”, diz Laurent, presidente do Bocuse D’Or Brasil desde que o país entrou na competição, em 1989. Àquela época, havia quase dez anos que o chef já morava aqui, após ter sido enviado da França pelo próprio Bocuse, aos 23 anos, para trabalhar num restaurante do Rio. A cada dois anos, lá está ele em Lyon ao lado do mestre para apresentar o competidor brasileiro.

É Bocuse, aliás, seu exemplo sobre o espírito de coletividade que deveria prevalecer na profissão. “Trabalhei nove anos para o senhor Paul Bocuse e sei que ele representava o métier. O Bocuse D’Or é mais que um concurso, tem a intenção de congregar os profissionais.”

A melhor colocação do Brasil na competição foi em 1997, quando o piauiense Naim dos Santos (ex-discípulo de Laurent) ficou em 10º lugar. Dois anos depois, Fred Frank, de São Paulo, ficou em 12º. Neste ano, Frank é jurado da etapa nacional ao lado de Roberta Sudbrack e Emmanuel Bassoleil. O júri é presidido por Alex Atala e o presidente de honra é Jêrome Bocuse, filho de Paul Bocuse. Quem vencer amanhã, leva R$ 10 mil no bolso e vai ser treinado por Laurent em sua escola em São Paulo. Em 2017, o campeão mundial leva 25 mil euros.

A vantagem de o Sirha entrar para o calendário nacional, diz Laurent, é a possibilidade de mais investimento na área. “As empresas brasileiras preferem colocar milhões numa propaganda de bife a colocar dinheiro na formação dos jovens.”

O chef aproveitou o evento para lançar ontem, ao lado de Claude e Bassoleil, o livro Vive la Cuisine (Boccato Books, 144 págs., R$ 119,90), que mistura biografia, fotos de acervo pessoal e receitas dos três. O lançamento em São Paulo será dia 27, às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

>> Veja a íntegra da edição de 15/10/2015

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