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Comida

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Tarde de testes

Fazia umas três semanas que eu desviava o olhar do forno da Cuisinart que estava sobre a mesa da copa. Eu tinha me animado a testá-lo assim que chegou à redação a notícia de que podia ser encontrado em São Paulo. Forno da Cuisinart (Foto: Patrícia Ferraz)

23 junho 2010 | 16:42 por patriciaferraz

Adoro frango assado de tevê de cachorro e sempre quis ter um miniforno giratório em casa ­­– era a chance perfeita de avaliar o produto e fazer um post para o blog do Paladar, afinal imagino que deve ter um monte de gente querendo saber se vale o investimento de quinhentos e noventa e nove reais (o que, pelas minhas contas, daria para comprar uns 20 frangos na brasa no restaurante Senzala, na Praça Panamericana, onde, aliás, o franguinho é bem gostoso).

O forno chegou e eu não conseguia me organizar para testá-lo, precisava ler o manual todo, estudar um pouco o equipamento, temperar o frango, enfim, os dias foram passando. Sentia um misto de culpa por ainda não ter colocado o forninho para funcionar e alívio por não tê-lo comprado, imaginando que o destino dele teria sido a mesma prateleira em que descansam, quase intocados, minha sorveteira, a máquina manual de fazer macarrão, o sifão que comprei no El Bulli e mais algum outro equipamento que eu não podia viver sem até adquirir e agora nem me lembro de sua existência.

Finalmente resolvi tirar uma tarde para fazer testes na cozinha – isso é trabalho, no meu caso, o que é um privilégio, eu sei. Resolvi assar dois galetos, um no forno convencional, o outro na rotisseria giratória. Sem grandes métodos e nenhuma pretensão técnica, a idéia era simplesmente cozinhar e comparar sabor e textura, tempo de forno, praticidade e trabalho de limpeza.

Comprei dois galetos. Limpei e temperei (fiz um tempero bem simples, no processador, misturando alho, cebola, salsinha, sal e um pouco de margarina becel). Deixei os galetos marinando, juntos, por duas horas.

Tempero simples: salsinha, alho, cebola, sal e manteiga (Foto: Patrícia Ferraz)

Tempero simples: salsinha, alho, cebola, sal e manteiga (Foto: Patrícia Ferraz)

Enquanto os franguinhos pegavam tempero fiz uns espetinhos de peito de frango e uns de batatinhas no forninho giratório. Achei a receita quando lia o manual de instruções do aparelho e parecia boa e simples: foi só cortar cubinhos de frango e deixar marinando em 1 copo de iogurte natural, duas colheres de sopa de curry, um vidrinho de leite de coco e um pouco de sal.

Depois de meia hora, montei os espetinhos e, armei o suporte do forno (bem simples, as instruções têm o desenho), regulei a temperatura e o timer conforme o manual (450 F por 22 minutos). Quando os cinco bips avisaram que estava pronto, abri a portinha sem luvas nem pano (o puxador não esquenta, primeiro ponto a favor), mas o galeto estava branco, sem graça. Marquei mais 10 minutos e foi perfeito: ficou coradinho, úmido e muito gostoso. Vou repetir essa receita com uns acompanhamentos indianos.

Espetinhos de frango marinado com curry, iogurte e leite de coco (Foto: Patrícia Ferraz)

Espetinhos de batata e de frango marinado com curry, iogurte e leite de coco (Foto: Patrícia Ferraz)

As batatinhas não deram certo, eu deveria ter colocado azeite ou manteiga, ficaram ressecadas. Mas deu para salvá-las em alguns minutos de forno convencional, numa assadeira com um fio de azeite, alecrim e sal grosso.

Comecei a assar os dois galetos na mesma hora. Espetei uns palitos para segurar asas e coxas do primeiro, coloquei numa assadeira antiaderente, cobri com papel alumínio e assei em forno médio, preaquecido.

O outro precisou ser amarrado, conforme o manual de instruções. E foi ao forno espetado num pedestal (o manual chama de torre). Forno a 450ºC, sem preaquecimento, por 25 minutos, seguindo as instruções. Foi pouco. Estava cru, ainda soltando água e branquela. A tabela do manual estava errada.

Marquei mais 15 minutos e foi a conta perfeita: 40 minutos ao todo, o galeto ficou corado, apetitoso e o perfume do assado se espalhou pela casa. Era um autêntico frango de tevê de cachorro.

Galeto pronto, depois de 40 minutos (Foto: Patrícia Ferraz)

Galeto pronto, depois de 40 minutos (Foto: Patrícia Ferraz)

Fui checar o do forno comum. Estava no ponto para tirar o alumínio e corar. Levou mais 15 minutos para ganhar cor e completar o cozimento.

Galeto no forno, depois de 40 minutos (Foto: Patrícia Ferraz)

Galeto no forno, depois de 40 minutos (Foto: Patrícia Ferraz)

Minha conclusão foi a seguinte: aparência, sabor, umidade e textura ficaram semelhantes. (Os dois muito bons, modéstia a parte). O convencional estava um pouco mais gorduroso, no giratório o galeto fica pendurado e a gordura vai escorrendo durante o processo, porém a carne não perde a umidade.

O fato é que gostei bastante da rotisseria, dá menos trabalho, não requer preaquecimento, assadeira, papel alumínio, desliga automaticamente no tempo programado e assa o frango em menos tempo. A limpeza é muito mais fácil que a da assadeira comum. Acho que preferia não ter testado….

Bom, na mesma tarde aproveitei para comparar formas de empadinha de silicone e alumínio.  O resultado foi igual, mas a de silicone tem três vantagens, não queima a mão do cozinheiro na hora de tirar as empadinhas da forma, e é mais fácil de limpar e ocupa menos espaço na gaveta.  E se quiser a receita das empadinhas, é bem fácil: é só cobrir as forminhas com a massa podre (300g de farinha de trigo, 150g de manteiga, um pouco de sal, 2 gemas, 60g de margarina), colocar o recheio ( 250 g de queijo fresco amassado com garfo, 2 ovos, 1 colher de sopa de manteiga derretida, 1 pitada de sal e 1 copo de leite, mexer bem) e levar ao forno convencional preaquecido, em temperatura média por 20 minutos.

Empadinha de queijo, 20 minutos de forno comum (Foto: Patrícia Ferraz)

Empadinha de queijo, 20 minutos de forno comum (Foto: Patrícia Ferraz)

Me lembrei também de provar um vinagre da marca americana O Olive Oil. É feito com Cabernet Sauvingon, no Napa, e envelhecido em barril de carvalho.

Vinagre de Cabernet Sauvignon (Foto: Patrícia Ferraz)

Vinagre de Cabernet Sauvignon (Foto: Patrícia Ferraz)

Foi uma boa surpresa. Aroma delicado, muito mais próximo ao do vinho que os vinagres comuns, com um tom vermelho profundo, e também um pouco mais encorpado. Mas o melhor é o sabor, rico, aromático, com acidez delicada.

Ainda tenho de testar dois chocolates em pó. Mas esses vão ficar para o fim de semana. E neste friozinho, não vai ser nenhum sacrifício ficar testando diferentes proporções do chocolate quente.

Ficou com água na boca?