Paladar

Comida

Comida

Tem amargo doce, sinistro, até alegre

Por Neide Rigo

19 julho 2012 | 07:00 por heloisalupinacci

Não é porque a pessoa gosta de Novalgina que engole qualquer amargo. Afinal amargo de “abacate cozido” é algo que nem o mais amargófilo quer na boca.

LEIA MAIS

É de amargar

De doce já basta a vida

Não existe coquetel sem bitter

Amargo demais? Não para essas valentes

Provar bitters usados em drinques foi uma novidade para mim, acostumada a amargos mastigáveis e, embora a experiência não tivesse o rigor de uma degustação metódica, com parâmetros controlados para a comparação, tive a oportunidade de descobrir num só momento que o amargo pode ser doce, suave, perfumado, travante, alegre, sinistro, com retrogosto na língua, na garganta, no corpo todo. E que a combinação de ervas e especiarias que temos à disposição podem compor blends equilibrados e com personalidades diferentes para serem usados em vários tipos de drinques, como fez o barman Marcelo Vasconcellos do Tutto Italiano.

Descobri também que bitters industriais podem ter detestável gosto artificial de Cebion e que a velha Angostura continua em ótima forma. Além de tudo isso, gostei muito de aprender com a sommelière Gabriela Monteleone (D.O.M.), que tem um repertório de amargos na ponta da língua.

Agora, uma coisa que me impressionou também foi descobrir que, nesse mundo das bebidas, a que estou pouco acostumada, também tem gente que enfia as próprias mãos entre grades para surrupiar plantinhas de interesse na sua prática, como fez o Marcelo dois meses atrás ao colher flores de sabugueiro no jardim de um prédio. E diz que as bancas de ervateiros de Pinheiros são o seu grande laboratório de pesquisas. Taí, gostei.

Ficou com água na boca?