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Um trem puxado a Gastromotiva

Gastronomia como mecanismo de inclusão social (Foto: Gisele Sanfelice)

05 julho 2012 | 07:52 por lucineianunes

A vista impressiona até quem passa sempre por ali. Em meio às ladeiras e curvas do Morumbi, um vale de bloquinhos cor de argila. É Paraisópolis, a segunda maior favela paulistana, onde vivem mais de 100 mil pessoas, em cerca de 22 mil casas.

No escadão da Av. Giovanni Gronchi, um grupo de 20 brasileiros e estrangeiros, liderados pelo chef David Hertz, inicia a visita à comunidade, bem na hora do almoço de domingo. As ruas estão cheias de gente, os bares e restaurantes em seu dia de maior movimento. A proposta da visita é encontrar alunos e ex-alunos da Gastromotiva, projeto fundado por Hertz há seis anos, e com eles entender como a gastronomia também pode ser um instrumento de inclusão social.

A descida é lenta. Há muita informação para absorver (e fotografar). O grupo ouve a história de Ana Laura, de 34 anos, que veio da Bahia há oito e começou ali a fazer doces e bolos para festas. Seu negócio é um dos apoiados pela incubadora da Gastromotiva, que promove cursos, facilita o acesso a crédito e apoia pequenas empresas, em favelas e bairros pobres da cidade.

Entre um clique e outro, os visitantes chegam à casa do jovem Renzo que, aos 20 anos, ajuda a mãe viúva a tocar um buffet de festas. Em setembro, ele se juntará aos quase 200 jovens de famílias que ganham até três salários mínimos formados por Hertz.

A visita passa pela unidade do Bom Prato, projeto do governo do Estado que serve refeições subsidiadas, e segue para a casa do projeto Gosto de Saber, em que mulheres da comunidade fazem pães e geleias para vender. Ali, o grupo aprende a preparar pães de liquidificador e uma caponata de banana (que inclui as cascas e até o coração da bananeira). Segue então para a sede do Instituto Prof, que atende crianças e adolescentes, onde os alunos de Hertz prepararam um almoço, embalado por inspiradoras histórias de superação – e brindes com espumante nacional.

Paraisópolis – Av. Giovanni Gronchi, altura do nº 3.300, Morumbi

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