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Vazamento de óleo no Nordeste: veja quais peixes e frutos do mar consumir e quais evitar

Confira a lista de pescados a venda na Ceagesp provenientes das áreas afetadas pelo vazamento de óleo e os livres de eventual contaminação

30 de outubro de 2019 | 20:35 por Patrícia Ferraz, O Estado de S.Paulo

A proibição da pesca de camarão e lagosta, determinada nesta terça-feira (29) pelo governo, – por causa do vazamento de óleo no litoral – disparou um alarme entre os paulistanos, que passaram a se preocupar com o risco do consumo de peixes e frutos do mar provenientes do Norte e Nordeste do País. Mesmo com o recuo do Ministério da Agricultura e a liberação da pesca apenas um dia depois, a inquietação se manteve. 

União proíbe pesca de camarão e lagosta no litoral

União proíbe pesca de camarão e lagosta no litoral Foto: Gabriela Biló/Estadão

Foram quase dois meses entre os primeiros sinais de vazamento e a proibição de terça, o que pode significar que tenha havido contaminação daquilo que foi pescado nesse período. Esses peixes não estão necessariamente ainda nos pontos de consumo, o processo leva tempo – os barcos capturam, congelam e continuam pescando, por longos períodos, o que faz com que os peixes demorem de dois a três meses para chegar ao mercado. Uma boa maneira de ter segurança na compra, no caso de peixes congelados, é conferir a data da pesca, se for anterior ao início de setembro, há pouco risco, porque foi antes do vazamento. 

Ainda assim, a chance de problema é maior nos restaurantes e mercados do Norte e Nordeste, que consomem peixes localmente. Em São Paulo, a grande maioria dos pescados vêm do Sul e Sudeste do País, principalmente de Santa Catarina, onde está o maior porto pesqueiro nacional, o de Itajaí, e boa parte vem também de Rio Grande do Sul, além de outras espécies virem do Litoral de São Paulo, do Rio e do Espírito Santo.

Alguns restaurantes paulistanos especializados em peixes que adotam a filosofia de consumo local tem o risco reduzido: compram direto de um pequeno distribuidor, como Cauê Tessuto e Amaral Iguarias, que se abastecem em locais distantes da área atingida. 

É o caso do Baru Marisqueria, de Dagoberto Torres. “Pra cima, o peixe mais distante vem de Cabo Frio, o resto vem do Sul”, diz o chef. O restaurante Amadeus tem cultivo próprio de ostras, mariscos e vieiras em Florianópolis e compra peixes de produtores artesanais de áreas próximas. No movimentadíssimo Badauê, camarão, lula e polvo vem de Santa Catarina, porém a pescada branca é proveniente de Belém. 

Fora de risco. Maioria dos pescados de SP vêm do Sul e Sudeste do País, como as sardinhas

Fora de risco. Maioria dos pescados de SP vêm do Sul e Sudeste do País, como as sardinhas Foto: Gabriela Biló/Estadão

Outra referência em peixes e frutos do mar na cidade, o restaurante Rufino’s recebe todos os pescados, inclusive camarão e lagosta, do Sul e Sudeste, e em alguns casos, são importados, como robalo e atum. 

O mesmo vale para o salmão do Hi Pokee, casa especializada nos bowls havaianos, importado do Chile. Já no caso do atum houve certa preocupação, já que parte do atum encontrado na cidade vem do Rio Grande do Norte. Para ter certeza da qualidade do atum, os donos do lugar cobraram posição do fornecedor que confirmou, por carta, que todo o atum que distribuem é pescado em águas internacionais e conforme rastreamento das embarcações, ao norte da região em que a Marinha indicou a região do aparecimento do óleo. 

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O sushiman Jun Sakamoto diz que não tem motivos para preocupação pois os peixes que ele usa vêm do sul do País e até Cabo Frio. “Não uso peixes do Nordeste nos meus restaurantes, uso só do Rio de Janeiro para baixo, principalmente do litoral paulista”, diz o sushiman. “Tenho que trabalhar com peixe muito fresco. Se não tiver frescor ele “metaliza”, fica aquele gosto de metal, que os clientes acham ruim. Se eu pegar meu peixe no Nordeste ele terá esse gosto, por que ele não vem tão fresco.” E finaliza: “Eu vou ficar preocupado se as manchas de óleo chegarem no Rio de Janeiro, mas acho difícil”.

Embora a Ceagesp, segunda maior feira atacadista de pescados da América Latina, tenha informado não ter dados disponíveis sobre a procedência dos peixes comercializados ali, ou de eventuais riscos de contaminação, as informações estão no site do entreposto. A seguir, confira a procedência dos peixes e frutos do mar mais populares nos restaurantes e peixarias de São Paulo. 

Quais peixes e frutos do mar consumir e quais evitar

Evite

Camarão e lagosta: Foram proibidos e, depois, liberados. Melhor evitar. Há chance de camarões serem de cativeiro e, nesse caso, estarem livres de contaminação. Mas se não tiver garantia da procedência, não vale correr o risco.

Atum: É problema. Apesar de 40% do atum consumido no Brasil ser proveniente de Santa Catarina, ele é um peixe importante no Pátio de Pescado da Ceagesp - e o atum vendido ali vem basicamente do Nordeste. De acordo com dados do site, 40% do atum vem do Rio Grande do Norte e 20% do Ceará. Na dúvida...

Robalo: Maranhão e outros estados do Norte e Nordeste

Pescada amarela: Rio Grande do Norte

Fora da área de contaminação

Anchova e agulhão: Santa Catarina

Badejo: Espírito Santo

Bonito, cação, cavala, cherne, corvina, garoupa: Santa Catarina

Carapau: Santa Catarina e parte de Angra dos Reis

Linguado: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Santos

Lula: Rio de Janeiro

Ostra: Santa Catarina e Cananéia

Polvo: Sul e Sudeste

Sardinha: Sudeste

Vôngole (ou berbigão): Santa Catarina

Salmão: Não tem problema. Ou melhor, não tem este problema de contaminação por óleo (tem vários outros, decorrentes da criação em cativeiro, como piolhos, tratamento com antibiótico e alimentação por ração, mas esse é outro assunto). O salmão vem do Chile, então está livre no óleo.

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