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Você topa parar ou comer menos atum?

E se freássemos o consumo de atum por alguns anos, uns cinco pelo menos? A julgar pela onipresença do peixe nos restaurantes japoneses do Brasil e do mundo todo, a proposta não encontra respaldo entre consumidores. Mas é o que sugere um estudo publicado recentemente no PLoS Biology, para que, no futuro, ainda se possa continuar a comer atum.

04 abril 2014 | 19:09 por joseorenstein

Sashimi do cobiçado bluefin, no Kinoshita. FOTO: Felipe Rau/Estadão

A ideia dos autores é proibir completamente a pesca, de qualquer espécie, em águas internacionais. Uma matéria na NPR chama a atenção para o assunto do consumo sustentável do pescado (que o Paladar tem abordado este ano em algumas reportagens, como esta e esta ) . As águas internacionais são aquelas que não tem um dono: vão além das 200 milhas náuticas que caracterizam as Zonas Econômicas Exclusivas (ZEE) dos países.

Peixes fortes como o atum e o agulhão (marlim) cruzam oceanos atrás de comida, circulando por essas águas. E ávidos barcos pesqueiros do Japão e da Espanha seguem seu rastro, para fornecer sua rubra e saborosa carne a chefs exigentes. Às vezes, eles vêm até o Brasil atrás do valioso peixe. Só que essa caçada está ameaçando acabar com os estoques de peixe, antes que eles sejam capazes de se reproduzir.

A ideia dos pesquisadores Crow White e Christopher Costello de fechar completamente as águas internacionais à pesca faria com que, entre 5 e 10 anos, os estoques de atum e agulhão fossem reequilibrados – e então pudessem voltar a ser alvo da pesca, já num cenário sustentável.

Ficou com água na boca?

É uma proposta radical – e de difícil execução. Ela pressupõe que, enquanto a pesca fosse proibida em águas internacionais, ela seria liberada no resto do oceano, próximo às costas de terra. Caberia então aos países um controle das espécies em sua ZEE. É fato que um acordo supranacional sobre as “águas de ninguém” é mais difícil de ser implementado do que regras de pesca dentro de países. Mas o problema é que nem todas as nações têm um programa de manejo muito bom – a começar pelo Brasil, onde, mal e mal, protege-se a lagosta e a sardinha.

Mas, se pelo argumento do direito das próximas gerações a ter acesso ao atum – fonte de alimento para milhões e, gastronomicamente falando, uma delícia – o banimento da pesca em águas internacionais pode não convencer a muitos, o argumento econômico fisga o problema de forma mais direta. É que a pesca em águas internacionais revela-se um mau negócio – pelo menos é o que diz a consultoria McKinsey, em estudo recente.

E você? Toparia comer menos atum e, possivelmente, pagar mais caro quando o fizesse?

Ficou com água na boca?