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Volta ao mundo em 52 empregos

Por Rafael Tonon

08 janeiro 2014 | 20:00 por redacaopaladar

Quando completou 26 anos, há um mês, o inglês Alex Nazaruk tinha motivos quase cabalísticos para comemorar a data: estava no 26º emprego e na 26ª semana de sua viagem gastronômica pelo mundo. Havia chegado exatamente no meio do caminho: tem mais seis meses pela frente – ou 26 semanas. Alex saiu de Londres em junho com a decisão de rodar o mundo por um ano, aprendendo os mais diferentes ofícios em gastronomia.

Sua meta era completar as 52 semanas em 52 empregos diferentes nos 5 continentes. Largou um emprego decente (“desses convencionais, 9 por 5”) e a namorada com quem morava na Inglaterra para ir cortar agave no interior do México e apanhar café em uma fazenda no interior de São Paulo, entre outras aventuras, que ele narra no site www.foodishboy.com.

Alex Nazaruk, viajante-estagiário e foodish boy. FOTOS: Divulgação

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No Brasil. Alex passou pela cozinha do Epice e pela fazenda de café Daterra, em Minas

O Paladar começou o contato com Alex quando ele ainda estava no Brasil. Depois, ele respondeu e-mails a partir da Argentina. Falamos com ele novamente quando já estava na Austrália. “Desculpe, mas quando não estou trabalhando, estou escrevendo ou programando as próximas viagens. A logística é uma loucura.” Confira a entrevista com o Foodish Boy, que garante que o esforço, as malas e os empregos pelos quais passou até agora valeram a pena.

No fundo, eu sempre tive o desejo de fazer uma viagem assim. A maior parte da minha infância foi em volta da mesa ouvindo as histórias dos meus pais, que passaram 10 anos viajando pelo exterior. Meu pai, um dançarino cossaco ucraniano, contava coisas hilárias, enquanto minha mãe tinha uma visão mais romântica do mundo. Sempre fui apaixonado por gastronomia e decidi que minha viagem teria a ver com isso. Mas não queria ser um turista que apenas come em restaurantes. Queria viver a cultura e achei que a melhor maneira de ter isso seria através de empregos em diferentes áreas da gastronomia. Eu só não poderia me imaginar em um projeto tão ambicioso.

De tudo. De carregar barris de cerveja a montar pratos milimétricos são parte da jornada

Como você escolheu os locais a visitar?

Londres, assim como São Paulo, é uma cidade extremamente vibrante e diversificada. Lá, eu tive o prazer de me deparar com muitas culturas diferentes, com suas alimentações e estilos de vida. Mas por ser tão urbana, me deu vontade de fugir da cidade e experimentar essa culinária mundial em nível local. Dei preferência ao interior, mas também não podia fugir de cenas gastronômicas tão importantes, como a paulistana. Queria ter experiências diversas nos cinco continentes. E acho que até agora tenho conseguido.

As pessoas que conheci ao longo do caminho têm me ajudado e inspirado o progresso da minha viagem, me dando dicas e indicando novos empregos. Por exemplo, o Virgilio Martinez (chef do restaurante Central, em Lima, no Peru) me contou sobre o trabalho que o Alberto Landgraf estava fazendo em São Paulo e, em particular, sobre a sua defesa de ingredientes. Depois de trocarmos alguns e-mails, ele gentilmente concordou em me ter na sua cozinha por uma semana. Também passei uma semana em Minas Gerais, na fazenda cafeicultora Daterra. Foi uma experiência muito gratificante, aprendi muito sobre as pessoas que trabalham duro em Minas e seu papel nos melhores cafés brasileiros. Eu realmente não estaria nessa posição sem a enorme quantidade de ajuda que venho recebendo até agora.

Prova de fogo. “Trabalho delicado para um chef nervoso”, disse sobre a experiência na Islândia

O que você já aprendeu sobre gastronomia com essa experiência?

Antes dessa viagem, meu único conhecimento de gastronomia era de cozinhar para a família e os amigos. E, no entanto, sem qualquer experiência anterior, eu já fiz minha própria cerveja, preparei um menu degustação de nove cursos na Islândia e me juntei a um culto religioso em Los Angeles que serve comida vegana orgânica. Também destilei tequila e cozinhei a bordo do trem da Orient Express rumo a Machu Picchu. Fui agricultor, cervejeiro, açougueiro e padeiro. Isso sem contar o que aprendi com os lugares visitados, as pessoas e as histórias compartilhadas, que não dá para medir.

Quais serão os próximos destinos?

Depois da passagem pela América do Sul e desses dias na Oceania (Alex estava em Auckland no fechamento dessa edição), eu sigo para a Ásia. Vou experimentar de tudo, desde vários tipos de caça no Japão rural até como fazer chá na China. Vou visitar pequenas cidades do interior e outras maiores, como Bangcoc, na Tailândia. Ainda devo participar de um jantar para 60 mil pessoas em um templo Sikh em Nova Deli, na Índia, em março, e depois parto para outros países: Turquia, Itália, França e Dinamarca. Quando voltar, te escrevo e fazemos outra entrevista, para eu contar sobre a outra metade da viagem.

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 9/1/2014

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