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Restaurantes e Bares

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Ao ponto

José Orenstein

A longa espera no Samosa & Company vale a pena

Na filial do restaurante indiano no Jardim Paulista vá com amigos para experimentar um pouco de tudo

09 março 2016 | 21:02 por José Orenstein

Era minha primeira visita ao novo Samosa & Company, filial do restaurante indiano da Vila Mariana. Já sentado, o garçom deu o aviso: “Vocês vão ter que esperar. A casa está muito cheia”. Passaram-se vários minutos até ele trazer os cardápios e muitos outros para que tirasse o pedido. Era tanta a zoeira que reverberava nas paredes multicoloridas do salão que ninguém se ouvia direito. Se anunciava um daqueles jantares desastrosos, com erros em cascata, demora, pedidos trocados, a fome alimentando o estresse. Não creio em bruxas, mas avistei Shiva, deus da destruição, rondando nossa mesa. Fizemos os pedidos. Tudo veio certo – e muito saboroso. Acho que Vishnu, deus da conservação, segurou as pontas.

Na filial da Vila Mariana, ambiente colorido

Na filial da Vila Mariana, ambiente colorido Foto: Tiago Queiroz|Estadão

Mais duas visitas ao Samosa confirmaram a primeira impressão: comida muito boa, autêntica, mas serviço atrapalhado, incompatível com o tamanho do restaurante e do cardápio. Assim, fica a dica: tome suas pastilhas de paciência antes de sair de casa. Ali, o negócio tende a dar certo, porque o que sai da cozinha vale a pena.

O cardápio é bem extenso. A melhor forma de explorá-lo é ir com mais gente, pedir um monte de coisa e compartilhar. Para começar, as samosas são incontornáveis. Os minipastéis que dão nome à casa são descritos como “best in São Paulo” o que não posso endossar, mas são muito bons, com massa sequinha e mais grossa – o de cabrito, novidade da filial, me pareceu o melhor, ótimo com o molho de pimenta da casa. Ainda de entrada, curiosos bolinhos de batata levam “toque de gastronomia molecular” – uma esfera de membrana fina com iogurte líquido dentro –, para serem comidos numa bocada, com chutney de tâmaras.

Ficou com água na boca?

Vá de cozido como o roghan josh, de cabrito; no salão multicolorido, reina o barulho e o serviço lento

Vá de cozido como o roghan josh, de cabrito; no salão multicolorido, reina o barulho e o serviço lento Foto: Tiago Queiroz|Estadão

Seguem-se dezenas de pratos principais divididos em vegetarianos, frango, cabrito, peixes. A maioria são variações de cozidos, que vêm em panelinhas, com molhos bem condimentados, cheios de especiarias, ricos no nariz e na boca. O nível de picância é indicado numa gradação de um a três foguinhos, todos suportáveis. Os clássicos chicken masala e o roghan josh (de cabrito) são boas pedidas e exigem acompanhamentos: peça os excelentes pães achatados assados na casa e arroz com cominho e ghee. Há ainda uma seção de pratos feito no tandoor, forno típico indiano, de onde saem bons nacos de frango no espeto.

Por fim, as sobremesas ali são praticamente intragáveis. Só consegui comer o gajar halwa, bolinho de cenoura ralada e amêndoas. Tudo com muito leite, tudo bem doce. 

Para acompanhar os pratos vale experimentar os pães achatados assados na casa

Para acompanhar os pratos vale experimentar os pães achatados assados na casa Foto: Tiago Queiroz|Estadão

Sob o comando de indianos

O Samosa & Company abriu no começo do ano passado sua primeira filial, nos Jardins. O restaurante é do casal oriundo 

de Mumbai, na Índia, Deepali Bavaskar, a chef, e seu marido, Veejay. A casa original é de 2012 e funciona ainda na Vila Mariana.

O MELHOR E O PIOR

 

PROVE

Os pães. Excelentes, feitos na casa. O básico naan, de farinha de trigo e iogurte, chega quente e elástico. Viciante. 

O roghan josh. Cozido de cabrito de origem persa, servido em molho espesso e saboroso.

Allo tikke. Ótima criação molecular: bolinhos de batatas com tâmaras e uma esfera de iogurte.

EVITE

O jaleb & rabdi. Fritura murcha, parecia velha, servida com calda rala de leite ultradoce. 

Ras malai. Bolinhos insossos e mergulhados no mesmo leite dulcíssimo da outra sobreme

Para pedir de entrada, bolinhos de batata, com esferas de iogurte e chutney de tâmaras, para comer numa bocada só.

Para pedir de entrada, bolinhos de batata, com esferas de iogurte e chutney de tâmaras, para comer numa bocada só. Foto: Tiago Queiroz|Estadão

Estilo de cozinha: indiana tradicional, de várias regiões – e com alguns pratos contemporâneos.  

 

Bom para: um jantar entre amigos, de preferência numa mesa grande, para dividir e trocar pratos.  

 

Acústica: péssima. O salão é extremamente barulhento quando cheio, não há isolamento algum, fica difícil conversar à mesa.  

 

Vinho: o cardápio descreve apenas “Pinot Noir seco”, a R$ 148. No mais, consultar o garçom – foi o que fiz, e só havia essa opção. Taxa de rolha: R$ 25.  

 

Cerveja: só long neck, só convencional – Bud, Stella e Bohemia, a R$ 9. Caberiam cervejas diferentes na carta, para tomar com os pratos condimentados.  

 

Água e café: garrafita de plástico de 300 ml a R$ 4,50; Nespresso a R$ 4.

 

Preços: entradas de R$ 15 a R$ 40; pratos de R$ 28 a R$ 59; sobremesas (R$ 10 a R$ 18).  

 

Vou voltar? Vou, sim. Tem muita coisa do cardápio que ainda quero provar.

 

SERVIÇO

Al. Jaú, 1639, Jd. Paulista

Telefone: 3063-2902

Horário de funcioamento: 12h/15h; 19h/23h (fecha seg.).

Não tem bicicletário.

Ciclovia da Paulista a duas quadras.

Não tem serviço de valet.

Ficou com água na boca?