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Ao ponto

José Orenstein

A mais nova e já superlotada casa de lámens de São Paulo: JoJo Ramen

A lamenmania se abateu definitivamente sobre a cidade. Na nova casa no Paraíso, a fila é grande, mas come-se muito bem

01 junho 2016 | 19:44 por José Orenstein

“Fala a verdade, você também vai ali comer miojo, né?”, lascou o garçom do boteco na esquina. Era verdade, em parte: não era bem miojo que eu ia comer, mas estava lá esperando uma mesa no vizinho, a mais nova e já superlotada casa de lámens de São Paulo JoJo Ramen. (Parêntese para o boteco: chama-se Açaí Burger, tem uma porção de mandioca frita bem decente e uma seleção de cervejas mais caprichada que a de muito restaurante por aí). Eu tinha chegado pontualmente às 18h30 no JoJo, quando abre o restaurante, pedi mesa para dois e tive que ficar uma hora e meia no Açaí Burger numa quinta-feira. Pois é, a lamenmania se abateu definitivamente sobre São Paulo.

Os caldos da casa são ricos e apurados.

Os caldos da casa são ricos e apurados. Foto: Codoi Meletti|Estadão

Aí a primeira pergunta que você faz é: vale esperar mais de uma hora para comer uma cumbuca de macarrão ensopado no JoJo? Bom, para quem gosta de lámen (e já pega filas no Aska ou Lamen Kazu), sim. Sou do partido que detesta filas de espera em restaurante, o tempo passa em progressão aritmética, a fome e a irritação em progressão geométrica. Mas estava ali a serviço, esperei e fui muito feliz com o que provei no JoJo (já amaciado pelas cervejas do boteco). Além disso, tem alguns truques para hackear a fila: chegar supercedo, antes de a casa abrir, ir no começo da semana e ir sozinho, em dois no máximo, pois aí você tem à disposição vagas no balcão. 

Agora vamos direto ao ponto: come-se muito bem no JoJo. É um cardápio curto e esperto, umas poucas entradas e petiscos, quatro opções de lámen, em versão menor ou mais fornida, e duas de tsukemen, em que o macarrão vem frio, separado do caldo. Ainda tem duas sobremesas, uma do dia, que muda sempre, e o ótimo choux-cream. O JoJo funciona como um lámen-ya, restaurante especializado no prato de massa ensopada e que é muitíssimo comum no Japão, de onde foi o trazido o chef desta nova casa. 

Aos poucos, começamos a ter em São Paulo um amostra da variedade que se encontra por lá: tem lámen-ya mais tradicional, mais inventivo, mais caro, mais barato... O JoJo se encaixa no meio: faz um lámen mais tradicional – e assim atrai numerosa colônia japonesa –, num ambiente mais moderno, clean, e a um preço médio.

A melhor pedida é o lámen de missô, pasta fermentada de soja, que resulta num caldo mais denso e turvo. Ele vem com um macarrão de calibre um pouco mais grosso, o futomen, fios perfeitamente elásticos e firmes. O de shoyu, feito com macarrão mais fino, o hossomen, é também muito bom, o caldo é mais delicado. Peça a versão mais fornida de cada lámen (a versão Ramen JoJo) que vem com duas belas fatias de chashu, barriga e lombo de porco assada – o diferente aqui é o pronunciado toque defumado –, um delicioso ovo marinado e cozido com gema cremosa, três quadrados de alga nori, brotos de bambu cozidos em conserva, mais brotos de feijão e nirá. Os lámens são sempre bem servidos, os caldos são apurados (à base de porco e frango). E ainda tem o ótimo tsukemen – peça a versão sem pimenta. Sluuuurp e oishii. 

Hiroki Shima e Takeshi Koitani vieram do Japão para criar as receitas do JoJo.

Hiroki Shima e Takeshi Koitani vieram do Japão para criar as receitas do JoJo. Foto: Codo Meletti|Estadão

DIRETO DO JAPÃO

O JoJo Ramen trouxe Takeshi Koitani de Tóquio, onde ele é dono das casas de lámen Jiraigen e Saikoro. Ele trabalhou com fornecedores por aqui para obter a massa de textura e sabor adequados e desenvolveu as receitas da casa com seu assistente Hiroki Shima. 

O MELHOR E O PIOR 

Prove

O JoJo misso, lámen com caldo encorpado de soja fermentada, o melhor do cardápio, uma cumbuca de conforto no frio.

O karaague. A porçãozinha de frango frito abre bem a refeição, crocante e carnuda.

O choux-cream. Bombinha de creme não muito doce que amacia a língua ao fim do jantar.

Evite 

Ir com pressa. Espera-se fácil uma hora para sentar e comer, 

O menma, porção de bambu cozido no shoyu. Gostosa, mas pequenina demais, não faz nem cócegas na fome.

O ambiente é clean.

O ambiente é clean. Foto: Codo Meletti|Estadão

Estilo de cozinha: japonesa, com foco nos lámens.

 

Bom para: jantar num dia frio, em poucas pessoas para não enfrentar longa espera. 

 

Acústica: salão está mais para ruidoso, mas combina com clima informal da casa.

 

Vinho: não tem. Mas há duas opções de saquê e uma de shochu (a preços pouco camaradas, de R$ 232 a R$ 280 a garrafa).

 

Cerveja: oferta magrinha, pobre, só long neck e convencional: Heineken e Kirin a R$ 10 e Original a R$ 12.

 

Água e café: garrafa d’ água de 500 ml sai a R$ 4; café Nespresso a R$ 6,50; senti falta do chá quente (garçons dizem que ainda vão servir). Água filtrada da casa cairia bem, né?

 

Preços: petiscos (R$ 4 a R$ 15), pratos (R$ 27 a R$ 37), sobremesas (R$ 12 a R$ 15).

Vou voltar? Vou, sim, apesar da fila desalentadora; bom seria se houvesse duas casas de lámen como essa por bairro. 

SERVIÇO 

JoJo Ramen 

R. Rafael de Barros, 262, Paraíso

Tel.: 3279-5005

Horário de funcionamento: 18h30/22h (fecha dom.)

Não tem serviço de valet

Ciclovia em frente ao restaurante, mas não tem paraciclo

Ficou com água na boca?