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Restaurantes e Bares

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'Altitude não é a salvação da videira'

Por Isabelle Moreira Lima

02 dezembro 2015 | 16:25 por redacaopaladar

Entrevista – David Smart, especialista em clima da Universidade da Califórnia em Davis

FOTO: Carla Peralva/Estadão

Podemos sentir os efeitos do clima nas garrafas? Se olhar um rótulo específico, ele será diferente do que era há 20 ou 30 anos?

A preferência do consumidor é acompanhada por uma rápida resposta da comunidade vinícola a ela e ambas estão sempre mudando. Há 30 anos em Napa Valley, a maioria dos Cabernet Sauvignon tinham baixos níveis de álcool. Em 1973, um Cabernet de Robert Mondavi tinha 12,5%. Hoje, chega a 15%. As preferências na Europa são por vinhos secos enquanto os americanos preferem os doces. A habilidade de um produtor de alterar suas práticas para chegar à preferência do consumidor é impressionante. Um estudo do pesquisador Michael White no jornal científico PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) diz que períodos de 8 a 14 dias com mais de 38°C arruinariam uma safra. Mas as melhores safras dos anos 1990 tiveram mais de duas semanas de calor temperaturas acima de 38°C.

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Como avalia o atual cenário de mudança de clima?

O clima está mais quente e é uma consequência de atividades humanas. Mas temperatura como índice diz pouco – diz, por exemplo, em que climas não se consegue amadurecer bem as uvas. A questão mais importante são ondas de calor, que reduzem a qualidade da uva.

E plantar em maior altitude?

Muitas empresas já começaram a comprar terras mais altas. Uma vantagem é que elas são mais baratas. Uma desvantagem é que já houve casos em que toda a safra é perdida por conta de granizo. Não é uma alternativa sem riscos.

>> Veja a íntegra da edição de 4/12/2015

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