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Restaurantes e Bares

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Análise: Michelin está melhor, mas ainda injusto

Após três anos com apenas um restaurante entre Rio de Janeiro e São Paulo com duas estrelas, o Guia Michelin 2018 deu o premio a mais duas casas, mas ainda sem nenhuma com a cotação máxima de três estrelas

09 maio 2018 | 18:30 por Patrícia Ferraz

Finalmente o Guia Michelin reconheceu o que o público e os críticos já sabiam: existem mais restaurantes com qualidade para receber duas estrelas entre Rio e São Paulo.

Pela classificação do guia, merecem duas estrelas as casas que oferecem “uma cozinha excelente, que vale o desvio” numa viagem. O Guia Michelin 2018, lançado na segunda-feira, em São Paulo, deu duas estrelas ao paulistano Tuju, de Ivan Ralston, e ao carioca Oro, de Felipe Bronze. Por três anos, apenas o D.O.M., de Alex Atala, manteve esta cotação. Nenhum brasileiro tem a classificação máxima de três estrelas.

Time 2 estrelas. Alex Atala, seu subchef Geovane Carneiro, Felipe Bronze e Ivan Ralston

Time 2 estrelas. Alex Atala, seu subchef Geovane Carneiro, Felipe Bronze e Ivan Ralston Foto: Alex Silva|Estadão

Fica difícil entender qual a diferença entre D.O.M., Tuju e Oro em relação ao paulistano Maní, de Helena Rizzo, e ao carioca Lasai, de Rafa Costa e Silva. Não há motivos para acreditar que esteja na qualidade da cozinha, na criatividade, na apresentação dos pratos e na excelência do serviço. Resta, então, o ambiente, a informalidade. Será? 

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As duas novas entradas – paulistanas – na lista de restaurantes com uma estrela são merecidas, mas faltam casas nessa lista. Tangará e Ryo Gastronomia, comandado por Edson Yamashita, o melhor sushiman em atuação em São Paulo no momento, têm, de fato, “uma cozinha requintada, que vale conhecer”. Mas e o Shinzushi? 

E cadê a estrela do Tordesilhas? Por acaso a casa de Mara Salles, dedicada aos grandes pratos brasileiros, não tem “uma cozinha requintada, que vale conhecer”?

O ótimo Evvai ficou fora da lista. Mas é novo, tem tempo.

E não custa repetir, mais uma vez, a incoerência de manter entre os Bib Gourmand A Casa do Porco, o restaurante onde todo mundo quer ir – paulistanos, brasileiros de outros estados e gringos. Que tipo de inspetor prova um sushi de papada com tucupi, uma pancetta com goiabada ou um virado à paulista servido numa torradinha e enxerga ali apenas “a melhor relação qualidade/preço”, a definição do Guia Michelin para a categoria Bib Gourmand? 

Teria sido simpático avisar sobre o fechamento do Tête-à-Tête. O restaurante fechou para as férias em dezembro de 2017 e não reabriu, porém no Guia Michelin 2018 manteve a estrela e figura na pág. 260 como “restaurante de estilo moderno e sóbrio quase minimalista, que com certeza vai agradar”. O.K, o guia já estava pronto, mas poderiam ter colocado um aviso.

Time 1 estrela. Chefs de casas que têm 1 estrela no guia, como Maní e Esquina Mocotó

Time 1 estrela. Chefs de casas que têm 1 estrela no guia, como Maní e Esquina Mocotó Foto: Alex Silva|Estadão

OS ESTRELADOS E BIB GOURMAND DE 2018

Duas estrelas

São Paulo 

D.O.M. (Alex Atala)

Tuju (Ivan Ralston) 

 

Rio de Janeiro

Oro (Felipe Bronze)

 

Uma estrela 

São Paulo 

Dalva e Dito (Alex Atala e Elton Júnior) 

Esquina Mocotó (Rodrigo Oliveira)

Fasano (Luca Gozzani) 

Huto (Fábio Honda)

Jun Sakamoto (Jun Sakamoto)

Kan Suke (Egashira Keisuke)

Kinoshita (Satoshi Kaneko)

Kosushi (George Koshoji) 

Maní (Helena Rizzo)

Picchi (Pier Paolo Picchi) 

Ryo (Edson Yamashita)

Tangará (Jean-Georges Vongerichten)

Tête à Tête (Gabriel Matteuzzi e Guilherme Vinha) 

Rio de Janeiro 

Lasai (Rafael Costa e Silva)

Mee (Kazuo Harada)

Olympe (Thomas Troisgros)

Bib gourmand (são 25 ao todo, aqui só as novas entradas)

Bio

Fitó

Petí Panamericana

Piccolo

 

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