Paladar

Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Análise: Por que os restaurantes brasileiros caíram no 50 Best América Latina?

Nove casas nacionais estão no ranking 2018. Com exceção d’A Casa do Porco e dos dois novos integrantes, todos perderam posições, mas isso não quer dizer quer a qualidade caiu

31 outubro 2018 | 19:20 por Patrícia Ferraz

Com exceção d’A Casa do Porco e dos dois novos integrantes brasileiros da lista dos 50 melhores da América Latina em 2018 – os cariocas Oro e Oteque –, os demais perderam posições no ranking.

Isso quer dizer que os restaurantes brasileiros pioraram? Não. Isso quer dizer que eles tiveram menos visibilidade e foram menos visitados pelos jurados, que como se sabe são 250 gourmets, experts e jornalistas de toda a América Latina. Cada jurado tem de votar em pelo menos 4 casas fora de seu país, as outras 6 podem ser em casa. E só se pode votar em restaurantes visitados nos últimos 18 meses. Ser menos visitado, portanto, é decisivo.

Campeões. Tradicional foto dos chefs dos melhores do ano. Desta vez, em festa realizada em Bogotá

Campeões. Tradicional foto dos chefs dos melhores do ano. Desta vez, em festa realizada em Bogotá Foto: Maria Vargas

Além de o Brasil ser um país caro para o turismo, faltam iniciativas para divulgar a gastronomia. É o que fazem outros países que têm mais peso no ranking (e, de quebra, estão conseguindo também promover a inclusão social pela gastronomia, gerando empregos, renda, estimulando mercado etc.).

LEIA MAIS:

+ Peruano Maido é eleito, de novo, o melhor restaurante da América Latina

+ Confira a lista completa do 50 Best América Latina de 2018

O Peru, que virou importante destino gastronômico mundial, tem grandes restaurantes, sim, mas investe em turismo especializado, convida jurados e mantém o primeiro lugar desde a estreia do prêmio (Astrid y Gastón, em 2013, Central em 2014, 2015 e 2016, e o Maido, nos últimos dois anos). Todos de Lima.

Só eu visitei o Peru e seus restaurantes três vezes nos últimos anos, sempre a convite da Promperu, o órgão de turismo local. Quase todos os jornalistas especializados já estiveram lá ou receberam convites. E como os restaurantes são bons, são lembrados na hora do voto.

O México, que sediou o evento duas vezes, em 2015 e 2016, tem o maior número de restaurantes no ranking, 13 ao todo, o mais bem posicionado é o Pujol, em terceiro lugar. A Colômbia, sede pela segunda vez, já começa a ver os resultados, tem quatro casas na lista, uma delas, Leo, entre os top 10. 

+ Conheça os restaurantes brasileiros que estão entre os melhores da América Latina em 2018

+ Quanto custa comer nos melhores restaurantes da América Latina de 2018

Os restaurantes brasileiros estão perdendo posição no ranking não por falta de qualidade, talento ou bons produtos. E, sim, por falta de iniciativas. 

Ficou com água na boca?