Paladar

Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Aska para um

Foram necessárias muitas idas ao Aska para descobrir como chegar e sentar, assim, instantaneamente, sem ter de pôr o nome na lista e esperar por 30, 40, até 50 minutos na fila. Hoje consegui chegar cedo, pouco depois das sete da noite, com a ilusão de que, com a cidade mais vazia, não pegaria fila. Quando passei pela porta, de carro, quase desisti de parar. Pensei em continuar pela Galvão Bueno, pegar o caminho de casa e me contentar com a comida que havia sobrado do almoço. Mas achei que um lámen bem quentinho alegraria bem mais o meu espírito.

09 julho 2010 | 20:40 por janainafidalgo

Para chegar à porta e colocar meu nome na lista de espera atravessei vários grupos que esperavam a vez do lado de fora. E eram muitas pessoas, umas 30, por baixo. “Nome?”. Respondi. “Quantas pessoas?” Estou sozinha. “Ah, pode sentar”. Eu quase não acreditei: Como?. “Pode sentar aqui”, o homem da fila respondeu, apontando o banquinho na ponta do balcão. Acho que quem estava ali dentro esperando também não acreditou. E os mais famintos de certo pensaram em dispensar suas companhias para encerrar aquela espera sem fim e ter seu lugarzinho…

Fiquei lembrando da primeira que fui ao Aska, anos atrás, quando raramente um “brasileiro” entrava no restaurante. Havia brasileiros, é claro, mas todos descendentes de japonês. Os poucos não-orientais que apareceriam geralmente estavam acompanhados por descendentes. Logo na porta, o tal homem da fila nos bombardeou com uma série de advertências. “Vocês sabem que aqui só tem lámen?”. E nós: Sim, viemos para comer lámen. “Não aceitamos cartão nem cheque”. Tudo bem, nós temos dinheiro. “Vocês estão em dois. Vão ter de sentar no balcão”. Ótimo, nós adoramos balcão. Só então fomos aprovados para colocar nosso nome na fila e esperar sei lá que infinidade de minutos.

Quando finalmente nossos banquinhos foram liberados, sentamos e nos trouxeram o cardápio. Ao vermos a capa, mais uma porção de advertências. De recomendações para não ocupar o lugar se ainda estivesse esperando alguém e, a mais espantosa, um pedido para que você, assim que terminar de comer, desocupe o lugar. Para nós, tudo aquilo foi curioso e divertido. Sei que tem gente que se incomoda, acha descortês. Eu acho sincero e entendo. E pelo jeito a maioria não se incomoda, porque não houve sequer um dia que eu tenha ido lá e achado o restaurante vazio, com lugar para escolher.

Ficou com água na boca?