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Restaurantes e Bares

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Bares e restaurantes que fecharam as portas por conta da pandemia

Importantes estabelecimentos da cidade não conseguiram segurar as contas e anunciaram o fim das atividades

14 de julho de 2020 | 17:44 por Danielle Nagase e Renata Mesquita, O Estado de S.Paulo

A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus acertou em cheio o setor de bares e restaurantes. Mesmo com a retomada das atividades na última semana, muitos estabelecimentos não reabriram as portas - alguns por cautela, para sentir como serão as semanas pós-retomada econômica, outros por não terem conseguido manter o negócio vivo depois de mais de 100 dias de portas fechadas na quarentena.

Fachada do La Frontera. O restaurante de Ana Maria Massochi foi dos primeiros a fechar as portas

Fachada do La Frontera. O restaurante de Ana Maria Massochi foi dos primeiros a fechar as portas Foto: Márcio Fernandes/Estadão

Segundo levantamento informal realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), cerca de 50 mil estabelecimentos declararam falência no estado de São Paulo durante a pandemia - 12 mil, aproximadamente, só na capital paulista. “É um milagre esse número não ser ainda maior”, pondera Percival Maricato, presidente da associação em São Paulo. A crise, segundo ele, é agravada pela dificuldade de acesso às linhas de crédito lançadas para acudir o setor durante a pandemia (apenas 11,9% dos estabelecimentos conseguiram efetuar empréstimos).        

Um dos primeiros a anunciar o encerramento das atividades foi o La Frontera, em meados de março, logo no início da quarentena. Impossibilitada de operar o salão e, portanto, sem faturar, a argentina Ana Maria Massochi optou por fechar o restaurante caçula (com 14 anos) e concentrar esforços no primogênito Martín Fierro (de 1980), que até o momento segue apenas com o delivery.

“Nós também estamos loucos para ver as bandejas circulando pelo salão, mas entendemos que o momento é de austeridade. Mesmo com toda a dificuldade de pagar as contas de uma operação somente com o delivery, seguiremos de portas fechadas por mais alguns dias. Entendemos que segurar só mais um pouquinho é um gesto de amor”, diz um post publicado na conta do restaurante no Instagram (@restmartinfierro). 

O suflê de queijo gruyère do Marcel era patrimônio gastronômico da cidade 

O suflê de queijo gruyère do Marcel era patrimônio gastronômico da cidade  Foto: Gabriela Biló/Estadão

Prestes a completar 65 anos de operação, o francês Marcel, sob a batuta do chef Raphael Despirite, divulgou, na semana passada, um comunicado anunciando o fechamento da casa por tempo indeterminado. “Fomos pegos de surpresa [...] pelo fechamento repentino e duradouro, o que tornou a operação do restaurante inviável no formato ao qual nos dedicamos nas últimas décadas. É como muito pesar que comunicamos essa decisão, mas temos esperança de voltar no futuro, em um novo formato, em um novo local.”    

Outra importante perda para a cidade, também anunciada na semana passada, foi a do Clandestino, da chef Bel Coelho. O restaurante, que ocupava uma casa no Beco do Batman desde 2014, funcionava de forma diferente do convencional. Abria as portas duas semanas por mês, com menus-degustação que mudavam a cada estação. 

Por meio de um post na sua conta no Instagram (@belcoelho), Bel afirmou que não foi possível segurar as pontas com uma receita de apenas 15% da média anterior à pandemia. Na mesma publicação, a chef adianta que tem planos de retomar o projeto em novo endereço. Por hora, ela continua fazendo delivery de pratos que variam a cada semana - muitos, inclusive, já fizeram parte dos jantares do Clandestino. 

O Pettirosso Ristorante (antigo Osteria del Pettirosso), comandado pelo chef italiano Marco Renzetti e sua esposa, a brasileira Erika Andrade também se foi viu forçado a fechar as portas, deixando a cidade órfã de um importante representante da cozinha romana. A marca de delivery do chef, que estreou no final de junho, o Petti per Te, continua no aplicativo iFood. No canal é possível pedir pratos tradicionais do Pettirosso, assim como massas frescas, molhos e pães.

Os mais de 100 dias parados também levaram o Albertina a anunciar o seu fechamento na sua conta do Instagram a na última quinta-feira (9). No relato, o chef Bruno Alves aponta a falta de ajuda do governo como um dos fatores para a decisão, assim como a inviabilidade de um retorno, com capacidade reduzida, num salão pequeno. 

No universo dos bares, a história se repete. O Cateto, bar especializado em cervejas, queijos e embutidos artesanais, até chegou a tentar a atuar no delivery, expedindo seus drinques e chopes, mas a ação não foi suficiente. No final de maio, os sócios anunciaram o fim das operações da casa.

Tábua artesanal do extinto Cateto 

Tábua artesanal do extinto Cateto  Foto: Fernando Sciarra/Estadão

A curadoria dos pequenos produtores, porém, permanece no site catetocrafters.com.br, onde é possível se inscrever no clube de assinaturas para receber mensalmente uma cesta composta de queijos, meles, charcutaria, conservas, cafés, compotas e doces, vinhos, cervejas e cachaças. O Mandíbula, no centro, engrossa a lista de perdas etílicas na cidade. 

Sem volta 

O encerramento das atividades do Octávio Café, um dos precursores em café especial na cidade, também mobilizou as redes na última semana. A sede da cafeteria inaugurada em 2007, na Faria Lima, cujo imóvel que lembra um grão de café, encerrou as atividades. Além dela, o grupo também encerrou as atividades no Shopping Cidade Jardim (a loja do Shopping Eldorado fechou em dezembro do ano passado). Continuam abertas, agora, apenas duas unidades, ambas no Aeroporto de Viracopos, em Campinas. Os produtos da marca (grãos moídos e cápsulas) ainda são encontrados em supermercados, restaurantes e e-commerce. 

A lista é longa e ainda inclui restaurantes tradicionais da cidade, como Pasv, que atendia desde 1970 na Av. São João, e o Itamarati, no largo São Francisco, que fica ao lado da Faculdade de Direito da USP - e era tradicional ponto de encontro de juízes, promotores, advogados e estudantes. Ao ter de fechar as portas na quarentena, os proprietários tentaram negociar o aluguel mensal de R$ 20 mil com a Santa Casa de Misericórdia, dona do imóvel, mas, sem acordo, decidiram encerrar atividades.

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