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Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Botequim, sim. Chope aguado e ralo, não

Daniel Telles Marques

29 julho 2015 | 19:08 por redacaopaladar

O Bracarense, o Jobi e o Bar Luiz continuam lindos, mas o Rio não se conforma mais com uma torneira de chope claro.

Berço de cervejarias criativas – como 2Cabeças, 3Cariocas e Three Monkeys (por que a mania com números?) – e palco da edição brasileira do festival canadense Mondial de la Bière, o Rio não tinha como ficar de fora da multiplicação de bares com oferta variada de cerveja feita em pequena escala. Novos endereços, mas também alguns bem tradicionais, abraçam rótulos inventivos e levam cerveja boa aos copos cariocas.

ADEGA PÉROLA

FOTOS: Fábio Motta/Estadão

Não precisa fazer como Noel Rosa e pedir pressa ao garçom: além de eles serem ágeis, praticamente todo o cardápio está a olhos vistos – no balcão com conservas, mariscos do dia, embutido, além de petiscos (ao todo há 100 petiscos para pronta entrega) e nas prateleiras de bebidas, entre elas, 40 rótulos de cervejas. Fundado em 1957 por portugueses da Ilha da Madeira, o botequim é uma instituição carioca, com receitas secretas e registradas na Justiça. Cole no balcão, escolha os petiscos pela cara e não deixe de pedir a lagosta cozida, uma das melhores do Rio.

ACONCHEGO CARIOCA

O mais famoso dos botequins cervejeiros do Rio de Janeiro. Pelas mãos de Kátia Barbosa, nasceram clássicos como o bolinho de feijoada e por sua influência, o jilozinho do Claude, criado por Claude Troisgros para o Aconchego. A carta de cervejas é assinada por Edu Passarelli e nela estão rótulos clássicos importados e garimpagens nacionais. Tem só um chope, Therezópolis Gold, bem fresco (pela proximidade com a fábrica e pela rotatividade da casa).

TEMPERO DA PRAÇA

Orbita na fama do Aconchego Carioca, que está a poucos metros de lá, e parte da clientela que o frequenta está apenas de passagem para beber enquanto espera ser avisado que chegou a vez de sentar no boteco estrela da rua. Uma injustiça. Com o dinheiro que um bebe no Aconchego, dois bebem e comem no bar comandado por Dida e Matheus, proprietários da casa. Há sempre mais de dez rótulos predominantemente nacionais disponíveis nas geladeiras e o cardápio repete em parte – e às vezes, com mais competência – os pratos criados por Kátia Barbosa para o Aconchego, como no caso do bolinho de feijoada, maior, mais crocante e mais recheado que sua inspiração. Se tiver a sorte de sentar próximo a uma das geladeiras, pegue você mesmo a cerveja e aumente ainda mais o clima de botequim, onde o cliente é de casa.

BREWTECO

A cara não nega: o Brewteco é boteco do chão (bicolor) ao teto (garrafas empilhadas até ele). Um dos poucos endereços do Leblon com cervejas artesanais, já abre com clientes na porta e não demora a ter gente na calçada. Além de duas torneiras de chope, oferece também 35 rótulos (às vezes mais) de cervejas – com opções fluminenses como a 3Cariocas, Hija del Punta, Trópica e Jeffrey – e cervejas industriais também. Entre as poucas opções de petiscos, há um bom bolinho de bacalhau e pasteis de queijo com cebola e napolitano. Há algumas semanas, o bar passou a servir ostras que desembarcam semanalmente de Santa Catarina e que parecem nascidas para a Witbier da Jeffrey, feita com casca de limão siciliano. No almoço, tem PFs com pratos típicos da cozinha de bar: feijoada, dobradinha, rabada, entre outros clássicos nacionais e nos dias de jogos de futebol carioca, costuma abrigar pacificamente torcedores de times rivais, que se espremem para ver os jogos na televisão pregada em uma das paredes do minúsculo salão.

COLARINHO

Não é que de lá vá sair uma canção tão clássica quanto Garota de Ipanema. Afinal, é em Botafogo e daquelas calçadas não se avista a praia. Mas o Colarinho é desses bares para se sentar ao fim do dia e ver a vida passar. Tem quase cem rótulos de cervejas nacionais e importadas, além de nove torneiras de chopes com criações predominantemente nacionais, um deles da casa – um pilsen básico, melhor que os industriais, mas pouco memorável. No final da tarde, o bar fica pequeno para o movimento e as mesas começam a ser espalhadas pela calçada até estarem lotadas à noite. Os bolinhos de mandioquinha (lá é batata-baroa!) com gorgonzola e brócolis com bacalhau são criações da casa e versáteis para boa parte da carta.

BOTTO BAR

Leonardo Botto é um dos pioneiros da cerveja artesanal brasileira. Foi a partir das suas aulas, que muitos cervejeiros artesanais aprenderam ou aperfeiçaram os modos de fazer cerveja, por isso, o Botto Bar é uma espécie de Meca cervejeira pela qual quem quer se arriscar nas brassagens terá que passar. Com 20 torneiras de chopes, tem sempre as criações mais arrojadas de Botto (que ele fez para o bar ou que cedeu para alguma outra cervejaria), importadas consagradas e outros rótulos nacionais. A comida não é o forte da casa. O melhor das panelas é a experiência de Botto em cozinhar maltes e lúpulo para fazer as cervejas que saem das torneiras do bar.

Onde. R. Barão de Iguatemi, 205, Praça da Bandeira, (21) 3496-7407

BOTECO DOC

FOTO: Wilton Jota/Estadão

É uma versão um pouco mais enfeitada de um botequim carioca – e funciona bem. Tem duas unidades, uma em Laranjeiras e outra em Ipanema. Apesar do chef Gabriel de Carvalho insistir nos hambúrgueres, é nos clássicos de boteco que ele se sai melhor. Os pasteis de carne e queijo são a melhor expressão da cozinha de birita e o filé com ragu é aquele tipo de prato para curar a ressaca da noite anterior. Tem 20 opções de cervejas, entre elas a Hija del Punta, uma lager refrescante feita por cariocas e com clima do Rio.

Onde. R. das Laranjeiras, 486 – Laranjeiras, (21) 3486-2550

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 30/7/2015

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