Paladar

Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Buenos Aires está de volta à cena internacional da coquetelaria: saiba onde beber

Um roteiro com oito bares para conhecer o circuito de drinques clássicos e autorais da capital argentina; tem coquetéis com vermute artesanal e Fernet

23 de janeiro de 2019 | 22:01 por Gilberto Amendola

Você vai ler ‘Buenos Aires’ e assistir uma garrafa de vinho passando pela sua cabeça. Ou ler ‘Buenos Aires’ e, antes do fim deste parágrafo, imaginar um casal dançando tango. Se estiver na hora do almoço, a chance de se conectar com um bife de chorizo é grande; mas se for tempo de sobremesa, aposto uns pesos que o que veio à sua mente foi um alfajor. Isso sem falar daqueles que vão ler ‘Buenos Aires’ e recordar do gol de mão do Maradona; da infalibilidade de Messi; ou de uma partida aguerrida entre Boca Juniors e River Plate. Se for cinéfilo, certeza que a palavra ‘Buenos Aires’ vem escrita na tela de um filme com Ricardo Darín; agora, se a literatura é o que te apetece mais, ‘Buenos Aires’ é a cidade natal de Jorge Luis Borges.

No Doppelganger, uma carta com mais de cem coquetéis

No Doppelganger, uma carta com mais de cem coquetéis Foto: Agustin Nieto|The New York Times

Uma introdução gigante dessas só pra dizer que a capital argentina, rica em referências e clichês turísticos, já pode contar com mais um ‘pilar’ na sua vasta cultura: a coquetelaria.

Entonces, os aficionados em drinques já podem considerar Buenos Aires como opção. Além disso, para nós, brasileiros, a cidade é um destino absurdamente mais em conta do que outras capitais que ostentam bares famosos e relevantes, como Londres e Nova York (quando estive em Buenos Aires, 1 real comprava 9 pesos). 

O mundo também já está se voltando para as barras portenhas. No final do ano passado, por exemplo, o jornal The New York Times publicou uma matéria assinada por Robert Simonson (uma das referências na área) sobre a coquetelaria local.

A história do país com as coqueteleiras vem de longe. Os tragos argentinos viveram uma era de ouro nos anos 1950 – que foi interrompida pelo aumento do consumo de cerveja. Só no final dos anos 1990, um bar chamado Mundo Bizarro trouxe de volta a arte da coquetelaria para as barras. A casa, que já não existe mais, combinava rock-and-roll e um cuidado extremo com a qualidade dos drinques que servia. Mais que uma referência para os consumidores, o Mundo Bizarro virou lugar de formação para bartenders e mixologistas. Muito do que se bebe hoje por lá ainda conserva esse DNA.

Nós visitamos alguns dos principais bares de coquetel de Buenos Aires. A seguir, um pequeno guia para você se aventurar pelas barras portenhas.

Mito Mercato

Não se perca pelo nome. Aqui, a palavra mito não tem conotação política. O lugar funciona como uma salumeria. De ambiente descolado, o bar também é um mercadinho de vinhos, azeites, azeitonas e outras miudezas. Apesar de tudo isso, a estrela da casa são os coquetéis. Os drinques básicos são preparados com cuidado e equilíbrio. Para quem gosta de aperitivos amargos, a bebida que leva o nome da casa é uma boa dica, feita com Campari e vermute tinto. Ou vá de Campari tônica (foto). Soler 6.036, Palermo

 

  Foto: Mito Mercato

 

Los Galgos

Um restaurante/bar frequentado por locais. Lá você não será atendido como um turista, vai ouvir espanhol e ter uma experiência original. Aberto durante todo o dia, serve de café da manhã até opções de PF no almoço – destaque para o filé à milanesa com fritas. Para beber, não deixe de experimentar o vermute (artesanal) com água com gás ou tônica (foto). O negroni também é bastante honesto. De noite, o andar de cima é animado e totalmente dedicado aos coquetéis. Para encontrar argentinos de verdade. Av. Callao 501, Centro

 

  Foto: Los Galgos

 

La Fuerza

O vermute que você bebeu no Los Galgos é produzido pelo La Fuerza. Especializado em vermutes, o bar faz a própria bebida a partir de vinhos da região de Mendoza. Não deixe de experimentar as duas opções desse aperitivo: o branco e o tinto. Eles caem muito bem puros (direto da torneira), com tônica e gelo (foto), ou nos “vermucócteles” (coquetéis à base de vermute). Os vermutes são de altíssima qualidade e só podem ser encontrados ali e em poucos bares da cidade. Av. Dorrego 1.409, Palermo

 

  Foto: La Fuerza

 

The Harrison Speakeasy (Nicky Sushi)

O The Harrison fica escondido dentro de um restaurante japonês, o Nicky Sushi. Para acessar o bar você precisa ter jantado lá ou conhecer o amigo do amigo do bartender que vai colocá-lo para dentro. Se for cliente habitual, também não terá dificuldades para entrar. O Speakeasy fica nos fundos, atrás de uma adega. Antes de passar pela porta secreta, uma hostess vai contar um pouco da história da Lei Seca e, consequentemente, da existência de bares escondidos. Eles vão seguir você de perto para garantir que não tire fotos – mas não irão reclamar se você discretamente fotografar o seu próprio drinque com o celular. Uma sugestão? Peça o Public Enemy, com gim, vermute branco e tintura de lavanda. O drinque vem acompanhado de uma garrafinha de água com gás, caso você prefira transformá-lo em um spritz. Malabia 1.764, Palermo

 

  Foto: The Harrison Speakeasy

Florería Atlantíco

O melhor bar sul-americano, segundo o The World’s 50 Best Bars ( 14º na lista mundial), a Florería Atlántico é o epicentro da coquetelaria de Buenos Aires. Qualquer roteiro etílico precisa levá-lo em consideração. Localizado embaixo de uma floricultura, ele leva o conceito “marítimo” a sério. O espaço reproduz um convés de navio e abriga o balcão que é considerado o maior do mundo, com 18 metros de comprimento.

A dica óbvia é: fique no balcão. O serviço é muito melhor do que nas mesas. A carta criada por Tato Giovannoni faz referências aos países responsáveis por parte dos imigrantes que chegaram à Argentina. Os coquetéis são divididos entre Itália, Espanha, França, Inglaterra e Polônia. Existe também um espaço para gim tônicas, negronis e coquetéis criollos (com influência andina, africana e espanhola). 

O drinque que você não pode sair sem experimentar é o Balestrini (foto), uma versão de negroni com gim (Príncipe de Los Apóstoles, produzido pela própria Florería), Campari, amaro Averna, eucaliptos, pinhões e água de mar. Sim, água de mar. Ele custa 253 pesos (R$ 27). Entre os preferidos também está o polonês Nalewka, com uma vodca polonesa de centeio, a Zubrówka, hidromel e ervas maceradas. 

Arroyo 872, Recoleta

 

  Foto: Florería Atlántico

 

Doppelganger Bar

Um cardápio com mais de cem coquetéis. Nem tente. Não vai dar para explorar tudo. O excesso de opções deixa qualquer um tonto. Então, aposte nos clássicos. Por lá, você vai encontrar bons manhattans, martinis ou gibsons (foto). Os barmen são atenciosos e vão gostar de contar a história de cada drinque. O ambiente é intimista – sem Wi-Fi ou cerveja. Ah, os drinques são baratos e saem aproximadamente pela metade do preço da Florería e do Presidente Bar. Av. Juan de Garay, 500, San Telmo

 

  Foto: Agustin Nieto|The New York Times

 

La Ferneteria

Argentino ama Fernet com Coca-Cola. Sério. Por aqui, a mistura com refrigerante não é comum. Mas não é de se estranhar que na terra do tango, as pessoas gostem de sabor mais amargos. No fim da tarde, o La Ferneteria oferece cinco opções de Fernet. Prefira as artesanais e escolha o acompanhamento – que pode ser tônica, Coca-Cola, suco de laranja e outros. O lugar também tem drinques mais elaborados, como o Fernet Spirits (foto), que leva Cynar, Martini Rosso, Fernet e espuma de cerveja. Serrano 1.349, Palermo

 

  Foto: La Ferneteria

 

Presidente Bar

Está a dez minutos de caminhada do Florería. Você pode visitar os dois no mesmo dia – mas não recomendo. O bar também entrou na lista do The World’s Best Bars (em 53º). O balcão não é tão grande quanto o do vizinho, mas também é o melhor lugar para se estar. O ambiente é elegante e, o mais importante, bebe-se bem. Tente o Cacao Sazerac (com uísque, absinto, bitter e chocolate), que troca o rye uísque pelo uísque escocês, ou o Cynar Julep (foto). Os preços são parecidos com os da Florería. Av. Pres. Manuel Quintana, 188, Recoleta

 

  Foto: Agustin Nieto|The New York Times

Ficou com água na boca?