Paladar

Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Ao ponto

José Orenstein

De boa comida, Firin Salonu ainda precisa melhorar o serviço

Casa dos mesmos donos do Kebab Salonu, com foco na culinária turca, Firin chama a atenção por receitas como as pides, espécie de esfirra comprida

27 julho 2016 | 20:56 por José Orenstein

Ao ponto: o novo Firin Salonu merece a visita, pela muito boa comida, pela proposta bem concatenada. Em tempos turbulentos nas terras de Recep Erdogan, é salutar lembrar da Turquia pela sua gastronomia. Mas é preciso saber da ineficiência do serviço do restaurante, que credito ao pouco tempo de abertura da casa, um mês. 

Enquanto os garçons, esforçados, tentavam sem sucesso informar sobre o cardápio do novo Firin Salonu, ou quando voltavam gagos para certificar o nome das coisas pedidas, eu pensava em futebol (paixão nossa e, mais ainda, turca). Porque serviço desinformado é que nem atacante pereba. 

O treinador arma o time com clarividência, a jogada vai sendo construída com cuidado e precisão desde a defesa. Que beleza ver a aplicação técnico-tática evoluir em campo. Mas aí a bola rola para o matador, que acaba mesmo matando o lance: fica afoito na cara do gol, se perde, erra. No campo como no restaurante, o time tem que jogar junto. Ainda assim, o Firin Salonu se sai bem.

Pide, essa espécie de esfirra compridona, com bordas tostadas

Pide, essa espécie de esfirra compridona, com bordas tostadas Foto: Marcio Fernandes|Estadão

O restaurante é um triângulo, delimitado por uma esquina bem angulada da Capote Valente com a movimentada Heitor Penteado (onde funcionou o bravo Rancho da Empada). É envidraçado para a rua, de onde se vê uma bandeira da Turquia pendurada na fachada. O Firin Salonu, irmão mais novo do Kebab Salonu, ostenta com orgulho essa identidade turca.

Em São Paulo, estamos mais acostumados com a cozinha árabe e armênia, que no fim são mesmo bem similares à turca, pois ali no Oriente Médio, Norte da África, ao redor do Mediterrâneo, um influenciou o outro – e boa porção daquele canto do mundo ficou por séculos sob domínio otomano. 

Mas há especificidades turcas, que são o carro-chefe do Firin Salonu: as pides, uma espécie de pizza delgada, ou esfirrona, com as pontas em formato de ogiva. Elas têm uns dois palmos de comprimento, por menos de um de largura. As bordas da massa com sedutoras manchas queimadas de forno são dobradas e, finas, carregam recheios variados. A mais vistosa é a que leva espinafre, ovo caipira com gema mole, cebola e queijo de cabra desmanchado. Equilibra muito bem a umidade do que vai dentro com a crocância da massa que envelopa. São seis opções de pide – a de cordeiro batido na ponta da faca é muito boa também; a de cogumelos, muçarela, alho e tahine lembra mais uma pizza e é acertada, os ingredientes são frescos, bem porcionados. 

O tepsi kebab, com carne moída, tipo kafta, assada com tomate

O tepsi kebab, com carne moída, tipo kafta, assada com tomate Foto: Marcio Fernandes|Estadão

As entradas valem muito a pena. O kafta é redondo, achatado, saboroso; a couve-flor é bem tratada, assim como são bem-feitas a pasta de berinjela assada e a coalhada com chá preto. Em regra, a comida é bem temperada, com especiarias que evocam o Oriente Médio. 

Do forno, que dá nome (Firin) e alma à casa, saem algumas ótimas sobremesas, como o pudim de tahine e o folheado de castanhas. O iogurte cremoso com mel, castanhas e maçã seca é também boa pedida, mais refrescante, para encerrar a refeição. E ainda tem gostosos chá e café turcos. 

No almoço, a casa perde charme, o cardápio reduz-se a um executivo, a R$ 25,90: escolhe-se uma carne (pode ser kafta com tomate ou frango berinjela) e dois acompanhamentos de uma vitrine repleta de quentinhas com as porções. É bom negócio para quem está na região.

Os preços são justos. O ambiente tem grandes mesas comunitárias, não exatamente confortáveis, mas que ornam com o clima da casa, com boa iluminação à noite – lustre turco e lampadinhas redondas –, boa trilha musical. Pena mesmo é o serviço. O Firin Salonu tem tudo para embalar. Falta treinar melhor seus atacantes. 

A casa fica na barulhenta e movimentada esquina da Heitor Penteado com a Capote Valente

A casa fica na barulhenta e movimentada esquina da Heitor Penteado com a Capote Valente Foto: Marcio Fernandes|Estadão

CONTEXTO

O Firin Salonu é dos mesmos donos do Kebab Salonu (que teve sua primeira encarnação na Rua Augusta e hoje funciona num anódino agrupamento de comércios na mesma Heitor Penteado da nova casa). Os sócios são Fred Caffarena e Rodrigo Libbos. Nos dois endereços serve-se comida turca – não confundir com árabe. A diferença é que, no novo Firin Salonu, um pouco mais espaçoso, as preparações giram em torno do forno (firin, em turco).

O MELHOR E O PIOR

PROVE

O tepsi kebab. É uma entrada: carne bovina moída, tipo kafta, alta e úmida, assada com tomate.

O karnabahar kizartmasi. Longo nome para uma ótima entrada: couve-flor crocante com molho de tahine e laranja sanguínea (de polpa vermelha). 

A firina tahin helvasi. Delicioso pudim de tahine, vem quente num pote de barro, com toque de tangerina. 

EVITE

Ir com pressa. O serviço ainda é bem atrapalhado, o que pode atravancar o ritmo das refeições. 

Ir num clima de jantar íntimo, já que as mesas são divididas com mais gente. 

Pudim quente de tahine, uma surpresa do cardápio

Pudim quente de tahine, uma surpresa do cardápio Foto: Marcio Fernandes|Estadão

Estilo de cozinha: turco, com entradinhas típicas, os mezzes, e pides, espécie de pizza.  

Bom para: jantar informal, entre amigos, em mesas comunitárias, com pratos para dividir. 

Acústica: tem o zunzunzum constante da Heitor Penteado, que é encoberto pela boa trilha sonora; ruído se dissipa no pé direito alto. 

Vinho: a carta é curta e baratex – tem um branco, um espumante, cinco tintos, de vinícolas não muito famosas, tudo entre R$ 49 e R$ 62. Taxa de rolha: R$ 15.

Cerveja: além da convencional Stella Artois a R$ 9, é boa a oferta de especiais brasileiras. Tem Schornstein, Invicta, Tupiniquim e Júpiter, de vários estilos, que vão de R$ 14 a R$ 23. 

Água e café: água filtrada da casa não há, infelizmente. Segue o movimento pela popularização do cortês gesto. Tem um bom café (R$ 5), não coado, com borra, e chá turco (R$ 6). 

Preços: entradas (R$ 14 a R$ 25), principais (R$ 26 a R$ 35), sobremesas (R$ 16 a R$ 18); menu-executivo, R$ 25,90. 

Vou voltar? sim, vou. 

SERVIÇO

Firin Salonu

R. Heitor Penteado, 147, Sumarezinho

Tel.: 3803-8692

Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/23h (sáb. e dom., apenas 19h/23h; fecha seg.)

Estacionamento grátis

Não tem valet

Não tem paraciclo

 

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