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Restaurantes e Bares

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El Celler de Can Roca é o melhor do mundo no 50 Best 2015

O Celler de Can Roca foi eleito o melhor restaurante do mundo pelo ranking 50Best, desbancando o Noma, que caiu para terceiro lugar. O restaurante dos irmãos Roca, em Girona, na Espanha, volta à posição que ocupou em 2013 – em 2014, perdeu o posto para o restaurante de René Redzepi – no ranking organizado pelo revista britânica Restaurant, que elege os melhores restaurantes do mundo e foi divulgado nesta segunda-feira, 1º. Veja como foi a cerimônia.

01 junho 2015 | 17:40 por redacaopaladar

Os dois representantes brasileiros na lista caíram: o D.O.M., de Alex Atala, foi da sétima para a nona posição. E o Maní, de Helena Rizzo e Daniel Redondo, caiu da 36ª para a 41ª posição. O Central, em Lima, dos chefs Virgílio Martinez e Pia León, ficou em quarto lugar e foi o mais bem posicionado na América Latina – não por acaso, é o melhor do ranking 50 Best América Latina. No ano passado, ele estava na 15ª posição. Confira as demais premiações especiais abaixo.

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Joan, Josep e Jordi Roca recebem o prêmio na cerimônia em Londres. FOTO: AFP

Os melhores restaurantes do mundo

1º. EL CELLER DE CAN ROCA

Comandado pelos irmãos Josep, Jordi e Joan, é considerado um dos restaurantes mais modernos do mundo, sem descuidar do sabor das refeições. Joan é o primogênito e o homem por trás dos pratos, Josep cuida do salão e dos vinhos, Jordi é o gênio das sobremesas. O restaurante é o encontro harmonioso das habilidades de cada um.

Desde o ano passado, os irmãos Roca excursionam com o El Celler de Can Roca pelo mundo. Numa versão itinerante e pop-up do restaurante. Passaram dois meses viajando com toda a equipe por Denver e Houston, nos Estados Unidos, Cidade do México, Bogotá e Lima e anunciaram que, em 2015, farão uma nova cruzada, desta vez passando pela Turquia, Buenos Aires e Santiago.

Cravado numa propriedade da família, tem uma arquitetura que impressiona e onde tudo parece cenograficamente estudado. A carta de vinhos tem três volumes e só não assusta por conta da naturalidade dos sommeliers em tratar uma das melhores adegas do mundo sem afetação. O serviço é preciso.

Na cozinha, se mantém entre as tradições catalãs e a vanguarda do El Bulli. A construção de sabor se faz a partir do ingrediente de qualidade, sazonal e regional. Um desses clássicos modernos que a Restaurant gosta de premiar.

 

2 º. OSTERIA FRANCESCANA

Revolucionar a cozinha da nonna é um dos trabalhos de Massimo Bottura. O chef da Osteria Francescana, em Módena, se inspira nas receitas mais tradicionais italianas para criar releituras modernas, de estrutura inesperada. Ele prioriza os sabores da região da Emilia-Romagna e os preparos lentos, mas sempre com a intenção de surpreender quem come.

Massimo Bottura. FOTO: Divulgação

A salumeria local aparece no cardápio ao lado de terrines e risotos. A apresentação costuma ser divertida e contar uma história, como na entrada “An eel swimming up the Po River”. Essa enguia, de acordo com a história contada por Bottura, viaja contra a corrente do rio Pó, passando por cidades italianas e colhendo ingredientes como polenta do Vêneto e maçãs da Lombardia. A sobremesa “Oops! I dropped the lemon tart” é apresentada como se a torta tivesse caído no prato, trincado a cerâmica e espalhado recheio por todos os lados.

Oops! I dropped the lemon tart. FOTO: Estadão

Nem todos levaram na esportiva as brincadeiras de Bottura. Logo após a inauguração da Osteria, em 1995, poucos habitantes de Módena iam ao restaurante. Bottura afirma em seu episódio na série Chef’s Table que mexer com a comida da nonna foi um movimento muito arriscado. O restaurante só conseguiu se recuperar quando um crítico gastronômico o descobriu por acaso.

Em 2009, a Osteria Francescana entrou no 13º lugar do 50 Best. A escalada foi rápida: no ano seguinte, foi para a sexta posição. Desde 2011, sempre esteve entre os 5 melhores do mundo no ranking. Também nesta época, recebeu a terceira estrela no Guia Michelin. Este ano, subiu uma posição e ficou com a segunda colocação.

Bottura tem 52 anos e a Osteria é seu segundo restaurante. Antes, teve um restaurante chamado Trattoria del Campazzo, também em Módena. O chef já lançou quatro livros: Aceto Balsamico, Parmigiano Reggiano, PRO – Attraverso tradizione e innovazione e Never Trust a Skinny Italian Chef. Por enquanto, nenhum tem versão em português.

3º. NOMA 

O restaurante do dinamarquês René Redzepi já foi eleito quatro vezes o melhor do mundo. Este ano, voltou a perder o posto para o catalão El Celler de Can Roca (como em 2013) e ficou com a terceira posição. Sua cozinha é marcada pelo uso de ingredientes encontrados no entorno do restaurante.

Lagostim. Servir crustáceos vivos é tradição no Noma. No menu atual, quem se mexe depois da mordida é o lagostim, servido sem casca e temperado com molho delicado. É incrível, mas dá aflição. FOTO: Patrícia Ferraz/Estadão

O menu-degustação ­– com 20 serviços – é uma magnífica sucessão de sabores, cores, texturas sustentado por um verdadeiro manifesto da gastronomia local, com boa parte dos produtos garimpados por foragers, os catadores-coletores. Tudo o que chega à mesa foi produzido ou colhido por ali, ou bem pertinho.

Este ano, o Noma passou uma temporada em Tóquio. O menu, cheio de ingredientes locais, mostrou que o chef e sua equipe não se intimidam diante de uma comida tão diferente da escandinava.

Sobe, desce e volta

Dan Barber, o celebrado chef norte-americano, entrou na lista com o Blue Hill at Stone Barley, na 49ª posição. O também norte-americano Thomas Keller perdeu posições. Foi da 30ª para a 40ª posição com o Per Se e caiu seis posições com o The French Laundry, que ficou em 50º. O Alinea, de Grant Achatz, em Chicago, caiu 15 posições, indo para 26ª.

Quanto aos franceses, o recém-reaberto Alain Ducasse au Plaza Athénée, em Paris, voltou para a lista — o chef não foi à festa. O Atelier St-Germain de Joël Robuchon saiu da lista – estava em 31º no ano passado e, este ano, ficou em 63º. O L’Arpège, de Alain Passard, ficou em 12º, sugindo 13 posições.

O Asador Etxebarri, em San Sebastián, do chef Victor Arguinzoniz, foi o que mais subiu posições: foi do 34º lugar para o 13º. O restaurante que estreou na melhor posição foi o White Rabbit, em Moscou, na Russia, comandado chef Vladimir Mukhin.

Categorias especiais

Além da lista que ordena os 50 melhores restaurantes do mundo, o prêmio também elege melhores em categorias especiais.

O Sepia, em Sydney, na Austrália, foi eleito o mais promissor dos restaurantes este ano. Ele está no 84º lugar da lista e recebeu o prêmio “One to Watch” (restaurante para se ficar de olho).

O prêmio de melhor Pâtissier foi para Albert Adrià, que comanda a cozinha de sobremesas do Tickets, em Barcelona, e que durante anos trabalhou ao lado do irmão Ferran no El Bulli. A categoria estreou o ano passado, quando premiou Jordi Roca, do El Celler de Can Roca. É a segunda edição do prêmio, segunda vitória de um catalão.

A escolha dos chefs, prêmio que vai para um cozinheiro eleito pelos outros cozinheiros, foi Daniel Humm, do Eleven Madson Park, em Nova York, que ficou com a quinta posição.

O prêmio de restaurante sustentável ficou para o Relae, em Copenhague, 45º do ranking.

Daniel Boulud ganha prêmio pelo conjunto de sua obra. FOTO: Divulgação

A Restaurant já havia anunciado outros prêmios especiais, além da lista das posições 51 a 100. Em 22 de abril, a francesa Hélène Darroze recebeu o prêmio de melhor chef mulher do mundo. Ela comanda um restaurante homônimo em Paris e o Hélène Darroze at the Connaught em Londres. Em 2014, a vencedora foi a brasileira Helena Rizzo, do Maní.

Outro chef que também já foi premiado foi Daniel Boulud, homenageado pelo conjunto de sua obra em 12 de maio. Seu restaurante, porém, caiu 40 posições, de 40º, o Daniel para a 80º.

A próxima cerimônia de 50 Best agora é a que apresenta a lista dos melhores da América Latina. A festa será em setembr, na Cidade do México. O ranking dos 50 melhores do mundo de 2016 será apresentado em Nova York.

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