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Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Entre expectativas e imprevisibilidades

Por Maeli Prado

26 abril 2013 | 21:07 por redacaopaladar

Especial para o Estado

Um dos principais cotados para ganhar o equivalente ao Oscar dos restaurantes na próxima segunda-feira, 29, na capital britânica, o chef Alex Atala preferiu manter o pé no chão ao comentar, na noite desta sexta, a possibilidade de o seu D.O.M. ganhar um inédito primeiro lugar para brasileiros no World’s 50 Best Restaurants. “Não dá para saber o que vai acontecer”, disse ao Estado em Londres.

Atualmente, o restaurante paulistano ocupa um nada desprezível quarto lugar na lista. Questionado pelo Paladar sobre o clima de “já ganhou” em torno da chance de liderar o ranking em 2013, Atala lembrou que o prêmio da revista inglesa é conhecido pelos resultados imprevisíveis. “Por isso mesmo, acho que há um grande risco de muita gente ficar desapontada”, ponderou, logo após uma concorrida master class para mais de 100 pessoas em que preparou tapioca e coco no evento culinário The Lab, na capital inglesa. Ele admitiu, por outro lado, estar empolgado com a possibilidade. “Claro que ficaria muito feliz. Mas só esperando para saber”.

A “academia” do prêmio é formada por mais de 900 especialistas que respondem à seguinte pergunta: Qual o melhor restaurante onde você comeu nos últimos 18 meses? Os resultados serão apresentados na próxima segunda, dia 29, em Londres. O dinamarquês Noma, do chef René Redzepi, está no topo do ranking há três anos.

Atala, em retrato feito para o ‘Wall Street Journal’. FOTO: Reprodução

Durante a aula, Atala cozinhou dois pratos para os participantes que pagaram 70 libras (cerca de R$ 210) para participar do evento. O primeiro deles tem como base a chamada “maçã de coco”, uma massa compacta que preenche o coco quando ele cai de maduro e, depois, brota no chão. Esse “preenchimento” do coco tem sabor de maçã e pode ser comido in natura. O segundo prato foi feito com tapioca e ostra.

Sabores do Brasil. Pouco antes da master class, durante uma entrevista a Joe Warwick, crítico culinário da The London Magazine e um dos fundadores do World’s 50 Best Restaurants, Atala disse que tem consciência que atualmente é “prisioneiro do Brasil”. “Hoje sou um prisioneiro do meu País, mas isso é ótimo porque eu posso promover o Brasil. Nunca farei comida francesa tão bem quanto um chef francês”, comentou. “A Amazônia é todo um novo mundo em termos de sabores. Até as bananas da Amazônia tem um sabor diferente”.

Perguntado por um dos participantes sobre se em algum ponto de sua carreira terá de “ir além dos sabores tipicamente brasileiros˜, o chef reforçou que o Brasil é enorme, com diversas regiões com sabores diferentes entre si. Em outras palavras, não é “apenas” um País, mas diversas regiões com culinárias distintas. “Um dos únicos ingredientes que é comum a todo o Brasil é a mandioca”, lembrou.

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