Paladar

Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Guia Michelin lançará edição Rio & São Paulo em 2015

O Guia Michelin anunciou nesta terça-feira, 27, o lançamento do seu primeiro guia de restaurantes e hotéis da América do Sul, durante coletiva de imprensa na Sala São Paulo, conforme o Paladar antecipou, em março. A publicação de estreia, a ser lançada em março de 2015, contemplará exclusivamente as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro e seguirá o estilo dos novos guias, com fotos dos estabelecimentos e pratos – e avaliação seguindo o célebre sistema de uma a três estrelas.

27 maio 2014 | 16:02 por lucineianunes

FOTO: Reprodução

O Michelin tradicionalmente divide os restaurantes em três categorias: os listados, os BIB gourmands (restaurantes que oferecem boa relação de qualidade e preço) e os estrelados, que são avaliados com uma estrela, duas ou com a cotação máxima de três estrelas (são apenas 111 pelo mundo).

A classificação dos estabelecimentos brasileiros já está sendo feita por inspetores estrangeiros – franceses e espanhóis, pelo que contam os chefs que receberam a visita. Depois de pagar a conta, eles se identificam e deixam cartões de visita.

Ficou com água na boca?

“Neste momento, nossos inspetores estão nas duas cidades, visitando e avaliando hotéis e restaurantes”, afirmou o americano Michael Ellis,  diretor internacional da célebre publicação francesa de gastronomia.

Em jantar para um pequeno grupo de jornalistas na véspera da coletiva, enquanto saboreava um supremo de frango, o diretor-geral do mais célebre guia gastronômico do mundo disse em português (ele viveu no Brasil nos anos 1980 e esteve no País várias vezes) que não vê problema no fato de estrangeiros avaliarem a cozinha brasileira. Mas afirmou que, no futuro, pretende treinar inspetores locais. “São estrangeiros que falam português e conhecem bem o Brasil. Vão aos restaurantes como qualquer cliente, anônimos, e pagam as contas.”

A publicação será bilíngue (português-inglês). “O Brasil tem uma das gastronomias mais dinâmicas atualmente. É multicultural e atrai chefs de outros países atrás de seus ingredientes”, afirmou.

O diretor disse que Rio e São Paulo se tornaram destinos gastronômicos obrigatórios. Porém a prioridade do guia ao Brasil se explica também pela forte presença dos pneus da marca: 70% da operação da empresa na América Latina concentra-se no País.

A avaliação brasileira seguirá os mesmos critérios usados nos outros 23 países onde circula. São cinco, segundo o diretor: qualidade dos produtos; técnicas de preparo; harmonia dos sabores; a personalidade da cozinha; e a regularidade.

Ambiente e serviço não contam atualmente, insistiu Ellis no jantar com jornalistas. O fato é que, se o luxo deixou de ser critério para o Michelin, isso sinaliza uma grande mudança e deve liberar chefs dos custos de cristais e prataria.

Criado em 1900 pelos irmãos fabricantes de pneus, André e Edouard Michelin, para ajudar motoristas a encontrar restaurantes pelas estradas, o guia era inicialmente dado como cortesia. Virou referência e ganhou prestígio no mundo inteiro. Chegou aos Estados Unidos em 2005 e à Ásia em 2007.

Já teve tiragem de 900 mil exemplares na França; hoje, são 200 mil por ano – e 2 milhões de leitores digitais. O diretor não revelou a tiragem do guia brasileiro.

Ficou com água na boca?