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Japonês radicado em Milão, Yoji Tokuyoshi vem ao Rio para jantar especial no Oteque

Restaurante comandado por Alberto Landgraf, o Oteque, no bairro carioca de Botafogo, completa um ano com jantar especial a quatro mãos

13 de março de 2019 | 19:42 por Patrícia Ferraz, O Estado de S.Paulo

Convidado bom é aquele que vai à festa e ainda ajuda a preparar a comida – e quando a figura em questão é um dos chefs mais impressionantes da gastronomia atual, o sucesso do evento está garantido. O chef japonês Yoji Tokuyoshi está chegando ao Brasil para cozinhar a quatro mãos com Alberto Landgraf em comemoração ao primeiro aniversário do restaurante Oteque, no Rio de Janeiro. Eles farão juntos dois jantares. Na segunda-feira (18), só para convidados. Na terça-feira (19), para o público – o menu fechado com oito pratos custa R$ 750 por pessoa.

Yoji Tokuyoshi. Um japonês italiano

Yoji Tokuyoshi. Um japonês italiano Foto: Marco Varoli

Tokuyoshi foi por nove anos o sous-chef de Massimo Bottura, na Osteria Francescana, em Modena, de onde saiu para abrir um restaurante com seu nome em Milão, em 2015. Em apenas dez meses conquistou uma estrela Michelin e desde então acumula prêmios.

A cozinha de Tokuyoshi não tem igual: é cozinha italiana “contaminada” pela japonesa, como ele diz. Nada a ver com fusion, que mistura sabores de diferentes países. 

O que ele faz é comida italiana – nas receitas, nos produtos e nos sabores. Mas de um jeito japonês – na estética, no gestual de preparação (atrás do balcão) e no serviço.

Quem acompanha o trabalho do japonês jovem, sério e concentrado atrás do balcão custa a acreditar quando ele guarda a faca e a pinça, tira o avental, e se transforma num autêntico italiano, gesticulando com as mãos, conversando animado na calçada e até fazendo piadas.

Esse estilo único de Tokuyoshi, que nasceu e cresceu no Japão, mas virou cozinheiro de fato na Itália, deu origem a pratos notáveis, em sabor e visual, que chegam acompanhados de potinhos com caldo fumegante de sabores variados – um convite a prestar atenção na comida, com calma.

Arte no prato. Inspirado na tecnica gyotaku, peixe é parte para olhar, parte para comer

Arte no prato. Inspirado na tecnica gyotaku, peixe é parte para olhar, parte para comer Foto: Marco Varoli

Seu prato icônico se inspira numa tradição japonesa ancestral de pintar alimentos, chamada gyotaku (foto). A brincadeira é a seguinte: a louça branca tem o desenho de uma cabeça de peixe e o chef desenha o corpo do peixe com tinta de lula e preenche com um peixe fresco preparado com delicadeza e coberto com tinta de lula – a gente vai comendo e quando termina sobra só a cabeça do peixe (deu tão certo que ele já repetiu a ideia com o desenho de um touro, pretexto para servir rabada e língua em molho escuro e complexo). Quem for ao jantar no Oteque vai poder provar o prato-peixe-obra de arte.

Outro clássico que ele vai fazer é o tagliolini com zabaione de ouriço. O menu terá ainda uma de suas invenções mais recentes, pizza-delivery, com a casca crocante feita de massa de arroz e uma versão particular de cheesecake. 

O jantar da festa também inclui quatro pratos do dono da casa, Alberto Landgraf: peixe frito com tomate fermentado; ostra, pele de porco, caldo de suã; barriga de porco, brioche, maçã verde e vinagrete de cogumelo.

Pena que o convidado não vai se encarregar do couvert, seu clássico pane, alici, burro é espetacular: um bao, macio e delicadíssimo, que chega quentinho ao balcão, recheado com anchova fresca, burro nociola e brotos de folhas.

É um dos pontos altos do jantar no pequeno restaurante milanês que tem as paredes pintadas de verde esmeralda e um balcão que ocupa toda a extensão da casa, atrás do qual os cozinheiros preparam os pratos que podem ser pedidos à la carte ou em menu-degustação (€ 140).

SERVIÇO

OTEQUE

R. Conde de Irajá, 581, Botafogo, Rio de Janeiro 

Tel.: (21) 3846-5758.

O menu-degustação especial será servido apenas no jantar de 3ª (19) e com reservas, a R$ 750 por pessoa, com harmonização.

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