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José Orenstein

Malba Cocina y Bar: déjà vu no Campo Belo

Restaurante argentino faz referência ao museu latino-americano de Buenos Aires no nome; no cardápio, as influências vêm do La Frontera, em Higienópolis

18 maio 2016 | 18:31 por José Orenstein

Vou chegando ao Campo Belo e passo por ruas quase que só residenciais – casinhas simpáticas, uns prédios novos estilo grecopaulistano. Viro então na Rua Gabriele D’Annunzio (poeta fin de siècle e herói de guerra italiano, diz-me aqui o manual de história) e descubro um simpático pequeno polo gastronômico. Um punhado de bares, cafés e restaurantes se aglomera por ali – tem italiano, japonês, árabe, hamburgueria – e, agora, o mais novo deles, o Malba Cocina y Bar.

A morcilla - tradicional embutido argentino - servida sobre mandioca chamuscada é um acerto do Malba

A morcilla - tradicional embutido argentino - servida sobre mandioca chamuscada é um acerto do Malba Foto: Alex Silva|Estadão

O Malba é um restaurante argentino; o nome é referência ao museu latino-americano de Buenos Aires. A fachada com porta de madeira é simpática e convidativa. Entro. O salão grande e fundo de piso frio é menos aconchegante do que prometia de fora, mas a brigada atenta e sorridente trata de dar boa acolhida. As mesas próximas à janela, na entrada, permitem ver a rua como nas casas bonaerenses, são boa escolha.

Chega o cardápio, corro os olhos, empanada, carnes, massas, dulce de leche – bate um déjà vu. Já vi aquilo e não foi em Buenos Aires. Foi mesmo em São Paulo, no La Frontera: lá como cá, a morcilla vem sobre mandioca chamuscada na grelha, o pupunha é grelhado servido em barca, a lula é baby e à provençal, tem crostoni, milanesa de res, tagliatelle com lula, polvo e tomate, tagliatelle com linguiça e tomate, paleta de cordeiro braseada, sobremesa de manga com gengibre, iogurte e limão siciliano. Logo descubro que o dono, Alejandro Fazzi, trabalhou por cinco anos no restaurante de Ana Massochi em Higienópolis; trouxe de lá influências e ideias.

A comparação fica então inevitável – e o Malba ainda tem que afinar os preparos. As massas passam um pouco do ponto de cozimento, ou, como no caso do ravióli de nata, afundam no molho de tomate. A linguiça parrillera tem textura homogênea, podia ser mais suculenta; o bife à milanesa é finíssimo, cinza, pequeno, triste – a graça vem do croque, porque empanado em farinha panko. Se no La Frontera, pão caseiro, manteiga e pasta de berinjela, assim como a água, são cortesia da casa, no Malba, o mesmíssimo couvert sai por R$ 10, a água, em garrafa, por R$ 5. 

No ambiente de tom porteño, as mesas próximas à janela permitem ver a rua como nas casas bonaerenses

No ambiente de tom porteño, as mesas próximas à janela permitem ver a rua como nas casas bonaerenses Foto: Alex Silva|Estadão

Dá para comer bem, no entanto, na casa do Campo Belo: as lulas são gostosas, a morcilla é excelente, e as carnes recebem o justo calor das brasas na grelha a carvão que fica na cozinha. As carnes (da Swift Black, linha de topo da JBS que vai dominando o mercado), são benfeitas: tem chorizo, asado de tira, vacio, ojo de bife. Os pontos são respeitados, o que não é pouco nesta cidade que gosta de crestar bifes. E há panquecas dulcíssimas para fechar a refeição à portenha, com um expresso bem tirado. O Malba serve bem ao bairro, completa o cardápio da rua com boas carnes. Mas não cruzaria a cidade para ir lá. 

CONTEXTO

O Malba abriu mês passado numa parte cada vez mais gastronômica do Campo Belo. Tem como sócios o portenho Alejandro Fazzi (ex-La Frontera) e o casal Alberto Neute e Monica Häfeli, que é também sócia do Florina, tradicional restaurante suíço do bairro.

O MELHOR E O PIOR

PROVE

O vacio, nossa fraldinha, feito na grelha. Os diferentes cortes de carne são bem tratados aqui.

A morcilla. Molhada e cremosa por dentro como deve ser; saborosa, nada enjoativa.

A panqueca, tanto a de maçã como a de doce de leite: adoçam bem e te levam por umas garfadas a Buenos Aires. 

EVITE

O almendrado. Falta cremosidade ao sorvete desta sobremesa e crocância às nozes.

A salada de grão de bico. Os grãos vem cozidos além do que deviam (mas a coalhada é boa).

O vacio feito na grelha é uma boa opção

O vacio feito na grelha é uma boa opção Foto: Alex Silva|Estadão

Estilo de cozinha: argentina, com boa oferta de carnes.

Bom para: almoço ou jantar carnívoro, despretensioso e tranquilo, em casal ou mesa grande. 

Acústica: a casa cuida do ruído, botou espuma embaixo das mesas – o barulho é controlado.

Vinho: carta ampla, organizada por preço, o que sempre é bom – rótulos vão de R$ 69 a R$ 277, com ênfase nos argentinos. Podia ter mais opções de taça (só uma, a R$ 18). Taxa de rolha: R$ 50. 

Cerveja: carta preguiçosa, só Stella e Heineken long neck (R$ 7,90) e Norteña ou Quilmes (R$ 24,80).

Água e café: água 300ml no vidro a R$ 5; nada de água cortesia da casa... Café Lavazza bem tirado, R$ 4,80.

Preços: petiscos e entradas de R$ 7,50 a R$ 39; pratos de R$ 40 a R$ 72; sobremesas de R$ 9 a R$ 24.

Vou voltar? Quando estiver ali pela região do aeroporto. 

SERVIÇO

MALBA COCINA Y BAR

R. Gabriele D’Annunzio, 1.319, Campo Belo

Tel.: 5041-9511.

Horário de funcionamneto: 18h/0h (6ª, 12h/15h30 e 18h/0h; sáb., 12h/0h; dom., 12h/17h; fecha 2ª).

Valet: R$ 18.

Não tem ciclovia por perto.

Não tem bicicletário.

Ficou com água na boca?