Paladar

Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Ao ponto

José Orenstein

No Taka Daru, papo, saquê e petiscos

Em novo izakaya de Pinheiros, que serve bons espetinhos, dá para sair satisfeito sem gastar os tubos; problema são as bebidas: os drinques são desleixados

20 abril 2016 | 18:51 por José Orenstein

Se me permite, leitor, breve digressão, tenho a tese não verificada de que, nesses tempos traumáticos, vamos mais ao bar e ao restaurante. Tenho percebido mesas e copos mais cheios. A grana está curta ou, pior, a gente tem medo de que a grana vá ficar cada vez mais curta, mas, ainda assim, vamos ao bar. O que é ótimo. A gente bebe para desopilar – desopilemos, pois!

O takoyaki, tradicional petisco de rua japonês, feito de polvo, é bom abre-alas.

O takoyaki, tradicional petisco de rua japonês, feito de polvo, é bom abre-alas. Foto: Nilton Fukuda|Estadão

Mas, mais do que isso, é na mesa do bar, ou do restaurante, que a gente forma sentido das coisas. Desce um trago, abocanha uma porção de coxinha ou de mortadela e olha na cara do companheiro. E conversa. Avança, regride, pode até discutir à grita, mas digere as coisas – comidas, bebidas, impeachments – junto. Sem a histeria oca das redes sociais virtuais. A mesa do bar é, afinal, nossa melhor rede social.

Agora vamos ao ponto: essa rede social se expande agora em São Paulo, com a abertura do izakaya Taka Daru. A cozinha e o ambiente da nova casa valem a visita (a qualidade do que ali se bebe, porém, nem tanto).

Ficou com água na boca?

Só para lembrar, izakaya é bar japonês, boteco mesmo. Virou moda em São Paulo. Os paulistanos que não são da colônia nos acostumamos, enfim, à ideia de ir num japonês e não comer sushi ou sashimi, mas, sim, pequenos petiscos, lámens, espetinhos, verter saquês e shochus. O Taka Daru é o mais recente de uma nova leva de izakayas para além dos limites da Liberdade.

A cozinha expede boas porções, bons espetinhos e boas massas ensopadas. Alguns de meus companheiros de mesa nas visitas à casa estranharam os tamanhos não tão grandes dos pratos (e, aliás, por que porções com número ímpar de itens se a proposta é compartilhar?). Mas dá para sair satisfeito e feliz do Taka Daru sem gastar os tubos.

Ambiente comdecoração japonesa com ar de praia

Ambiente comdecoração japonesa com ar de praia Foto: Nilton Fukuda|Estadão

São 17 opções de porções; provei ao menos metade delas: nenhuma ruim, algumas ótimas, como os bolinhos de polvo e a berinjela frita. O Taka Daru tem o mérito de não complicar o que não precisa ser complicado e servir uma comida simples e fresca. É o que se nota ao pedir também os lámens, de caldo saboroso e macarrão de qualidade – o hiyashityuka, massa gelada com pepino, ovo, kani, porco fatiado fininho em molho adocicado, vai muito bem neste verão que insiste em não renunciar, sufocando o outono. 

Os espetinhos, feitos na grelha, também são muito bons – e viva o simples: quiabo tostado, crocante; nostálgicos corações de galinha; fígado no ponto; aspargo envolto em bacon (covardia, tudo envolto em bacon tende a dar certo).

O ambiente é esperto: numa rua tranquila do que convencionou-se chamar Baixo Pinheiros, os donos capricharam na decoração com motivos japoneses, estrutura em toras de madeira, barris de saquê (“daru”, em japonês; “taka” é o nome do chef). Embora a casa seja grande, o clima é acolhedor – tem um curioso ar de praia.

O problema são as bebidas. Os drinques são desleixados, nível bar de beira de piscina de clube: mojito com espesso pré-sal (de açúcar) no fundo, negroni parecia campari aguado, até o gim tônica veio desequilibrado. Há uma oferta apenas razoável de saquês e um shochu. E nenhuma cerveja especial. O jeito é pedir a garrafa convencional de 600 ml, que ao menos mata a sede e anima mais fartamente os espíritos da mesa. 

ENCONTRO DE EXPERIENTES

A ideia do Taka Daru, aberto há três semanas, nasceu do encontro de duas figuras experientes na cena gastronômica paulistana. De um lado, Edrey Momo, sócio da Tasca da Esquina; do outro, o chef Takaki Yasumoto, do Yakitori, um já tradicional restaurante de espetinhos japoneses em Moema. 

Da grelha. Os espetinhos são destaque no bar japonês

Da grelha. Os espetinhos são destaque no bar japonês Foto: Nilton Fukuda|Estadão

Estilo de cozinha: japonesa, pratos quentes e simples – não tem sashimi nem sushi.

Bom para: jantar, entre amigos, para compartilhar porções e bebidas. 

Acústica: o ambiente abafa o ruído; é bar, mas não é barulhento. 

Vinho: não tem vinho, mas tem saquê (a oferta poderia ser mais farta). Em dose, de R$ 21 a R$ 36; cinco opções de garrafas japonesas, de R$ 129 a R$ 360. 

Cerveja: triste cenário. Mas, lembre-se, é um restaurante tipo caseiro. Só Original ou Bohemia (R$ 9, 600 ml).

Água e café: água míni a R$ 5,80 – nada de água da casa. Café Delta a R$ 6,40.

Preços: Espetinhos de R$ 4,20 a R$ 10,80; porções de R$ 11,80 a R$ 28,80; noodles de R$ 22,80 a R$ 64,80; sobremesa R$ 15,80.

Vou voltar? Sim. Quando der um bode de ir ao bairro da Liberdade. 

O MELHOR E O PIOR

PROVE

O takoyaki. O petisco de rua japonês, feito de polvo, é bom abre-alas, vem num belo molho doce.

Os espetinhos. De quiabo, aspargo com bacon e fígado. Os melhores, para mim.

O vinagrete de lula. Vem com deliciosos triângulos de oniguiri (espécie de bolinho de arroz japonês) tostados.

EVITE

O tsumire. Shiitake recheado com frango – dispensei o frango moído, comi apenas o fungo.

Os espetinhos. De moela (borracha), cebola (sem graça) e tomate com bacon (não vale R$ 7,80).

SERVIÇO

TAKA DARU

R. Costa Carvalho, 234, Pinheiros

Tel.: 3034-0937

Horário de funcionamento: 12h/15h; 17h30/23h (sex., até 0h; sáb., 12h/0h; dom., 12h/18h)

Valet: R$ 20

Ciclovia na Pedroso de Morais (a 400m)

Não tem bicicletário

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