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Restaurantes e Bares

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Ao ponto

José Orenstein

Fratelli, na ZN, é inspirado em casa de NY, pena que a comida não é a mesma

Ambiente e cardápio do novo restaurante da Zona Norte são parecidos demais com o Serafina de Nova York, mas a comida escorrega

28 setembro 2016 | 19:14 por José Orenstein

Subindo a serra há um novo restaurante: o Fratelli. Fica na zona norte, entre Água Fria e Tucuruvi, e esse é o primeiro ponto positivo da casa, que dá uma opção gastronômica para uma área mal servida. 

O segundo trunfo do Fratelli deriva do primeiro: é um restaurante com uma proposta bem definida, servir comida italiana num ambiente agradável. É comum em estabelecimentos menores e vizinhos ter aquele tipo de cardápio vale-tudo, churrascaria com pizzaria – o que diminui as chances de acerto. Não é o caso do Fratelli, que se concentra nas massas e pizzas.

Entrada. Bom crostini de burrata com presunto

Entrada. Bom crostini de burrata com presunto Foto: Felipe Rau|Estadão

O que nos traz ao terceiro aspecto feliz do restaurante, desdobramento do fato de ter uma proposta clara: é muito bem instalado. O salão é amplo e ao mesmo tempo caloroso. Colorido e discreto. Aprazível, enfim. De fora a fora, um painel de vidro estruturado por caixilhos metálicos vermelhos dá vista para a cozinha. É divertido ver o vaivém dos cozinheiros, com o benefício de que não se ouve nem se sente o cheiro das frituras e afins. É o palco perfeito para um cara que vi adentrar o restaurante numa das visitas: uma mistura de Al Pacino e Robert De Niro, terno cinza bem cortado, sapatos de bico, cara lavada e cabelos cinzas batidos, penteados, olhos espremidos e um broche vermelho na lapela. Ele sentou sozinho e pediu um negroni, suspeitei que era contratado para dar o ar que a casa gostaria de ter.

O problema é que o Fratelli não impressiona quando o assunto é o que oferece para comer. Uma breve exposição de motivos: primeiro, é evidente a inspiração muito, muito forte no modelo do restaurante Serafina. Do logo em letra de mão corrida azul sobre fundo amarelo ao cardápio, às vezes igual ipsis literis, passando pela arquitetura, o Fratelli é parecido demais com a casa nascida em Nova York e com franquias em São Paulo. E lá, como aqui, importa mais o clima que a comida.

Carbonara é bem servido, respeita o ponto da massa, mas leva creme de leite

Carbonara é bem servido, respeita o ponto da massa, mas leva creme de leite Foto: Felipe Rau|Estadão

Depois, falta apuro no preparo de clássicos: o carbonara é bem servido, respeita o ponto da massa, mas leva creme de leite; ao tiramisù falta sabor de café e delicadeza na montagem. O serviço patina. A brigada de salão é numerosa, mas desarrumada: vi três gerentes num papo animado enquanto minha pizza esfriava na janelinha da cozinha. Quando, depois de alguns acenos suplicantes, ela enfim chegou, não vinha com aquela cobertura metálica para mantê-la morna. No segundo pedaço, estava já fria. À massa fina faltava elasticidade, e o molho de tomate era tão ralo que mal se notava. Restou observar Al Pacino, terminar o vinho de bom preço e curtir o salão.

CONTEXTO

O Fratelli abriu há poucos meses no Tucuruvi. O negócio é uma empreitada de cinco amigos e 

tem entre os sócios o chef Ricardo Di Camargo. Ele assina o cardápio italiano – bem semelhante ao do Serafina, restaurante do qual ele também foi sócio. 

Confortável. O salão é o ponto alto da nova casa.

Confortável. O salão é o ponto alto da nova casa. Foto: Felipe Rau|Estadão

O MELHOR E O PIOR

PROVE

A bruschetta ai pomodori. 

O simples salva; pão decente, quente, com tomate em cubinhos, azeite de oliva e basta.

O gnocchi di mamma. De novo, o simples: a massa tem boa textura, macia, e vem com um gostoso molho de tomates e tomatinhos. 

EVITE

O gnocchi di andrea. Os sabores deste prato, que leva mandioquinha, brie e camarão, não combinam; é doce e pesado.

A pizza caprese. A mussarela de búfala parece uma borracha da Faber Castell (na textura, tamanho e gosto), a pasta de azeitona é sal puro. 

O tiramisù. Tem doce comedido, o que é bom, mas falta sabor de café; chega à mesa suando a tigela de tão gelado 

Tiramissù. Comedido no doce, mas falta café.

Tiramissù. Comedido no doce, mas falta café. Foto: Felipe Rau|Estadão

Estilo de cozinha: italiano, com sotaque internacional, massas e pizzas.

Bom para: um almoço ou jantar mais longo, no fim de semana em família. 

Acústica: está longe de ser um salão silencioso, mas dá para conversar sem gritar. 

Vinho: a carta é um dos atrativos da casa. Isso porque há uma loja da importadora Grand Cru dentro do restaurante e, assim, compra-se vinho pelo preço da prateleira, começando em R$ 66.

Cerveja: a oferta bem razoável inclui Stella e Heineken (R$ 9), tem Cerpa, Norteña, Leffe, Xingu, Baden Baden, Patagonia e Eisenbahn (além de chope). 

Água e café: Água em garrafinha de 300 ml (R$ 5). Que boa ideia seria copiar também do Serafina americano o hábito de servir grátis a água filtrada da casa, tap water! Café expresso é da Illy, correto e custa R$ 5.

Preços: entradas (R$ 9 a R$ 47), pratos principais (R$ 39 a R$ 65), pizzas (R$ 52 a R$ 69), sobremesas (R$ 16,50 a R$ 26).

Vou voltar? Não vale a viagem para quem está longe; mas, para o bairro, pode ser uma boa ideia.

SERVIÇO

FRATELLI

Avenida Nova Cantareira, 3.381, Tucuruvi

Tel.: 3090-9944.

Horário de funcionamento: 12h/23h30 (fecha seg.).

Serviço de valet gratuito na porta.

Não tem paraciclo nem ciclovia próxima ao restaurante.

 

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