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Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Novo ranking dos melhores restaurantes da America Latina reverte tendências

O peruano Central é o campeão de 2021, brasileiro D.O.M. ficou com 3ª colocação; lista deste ano é uma média dos votos dos últimos oito anos de prêmio, antigos campeões voltam ao topo. Confira lista completa

22 de novembro de 2021 | 22:07 por Renata Mesquita, O Estado de S.Paulo

A nona edição da lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina - eleitos pelo Latin America’s 50 Best - foi anunciada na noite desta segunda-feira, 22, e trouxe o peruano Central, dos chefs Virgilio Martínez e Pía León, no topo do ranking. Atrás dele vem o também peruano Maido. Em terceiro lugar, o brasileiro D.O.M, que voltou ao topo do ranking regional - a casa do chef Alex Atala subiu dez posições em relação ao ranking de 2020. 

A volta dos peruanos, após a vitória do argentino Don Julio em 2020, e do D.O.M. ao topo (que desde 2017 não aparecia entre os três primeiros colocados), é resultado de um novo formato na elaboração do ranking. Em razão da pandemia, a lista de 2021, e apenas este ano, foi criada levando em consideração as restrições impostas aos restaurantes e às viagens internacionais, realizadas pelos jurados.

Cerimônia dos 50 melhores restaurantes da América Latina de 2021 em São Paulo 

Cerimônia dos 50 melhores restaurantes da América Latina de 2021 em São Paulo  Foto: Renata Mesquita

A seleção, com 100 restaurantes ao invés das tradicionais 50, é uma combinação de votos reunidos das oito edições desde o início do ranking, em 2013, como uma média. Por isso, inclusive, o prêmio deste ano recebeu o nome Passado e Futuro

O novo formato mudou completamente o cenário do ranking dos últimos anos: os restaurantes que tinham destaque nas listas mais recentes ficaram, em sua maioria, na parte inferior da lista - muitos deles nem existiam quando o ranking começou -, enquanto trouxe de volta ao destaque casas como Fasano e o próprio D.O.M..

Ao mesmo tempo, o formato reforçou a consistência de algumas casas, como os ganhadores, Central e Maido, que sempre estiveram entre os melhores do ranking regional. Os dois restaurantes de Lima já conquistaram a primeira colocação diversas vezes. 

A Casa do Porco muda de posição

A lista atual não é um retrato do momento. A Casa do Porco, por exemplo, que em 2020 era o restaurante brasileiro melhor colocado, na 4ª posição, já nesta edição aparece em 11ª lugar. Vale lembrar também que o restaurante dos chefs Janaína e Jefferson Rueda conquistou, no início de outubro,  a impressionante 17ª colocação da lista mundial do mesmo prêmio. Algumas casas que aparecem na lista até mesmo fecharam as portas durante a pandemia, caso dos brasileiros Tuju e Corrutela - que devem reabrir no próximo ano - e do argentino Tegui. 

O chef Mitsuharu Tsumura do Maido

O chef Mitsuharu Tsumura do Maido Foto: Maido

Lista tem mais brasileiros em destaque

No entanto, a nova lista, mais extensa, trouxe mais brasileiros ao destaque. Além do D.O.M. e da Casa do Porco, também figuram na na lista: Maní (7º), Lasai (22º), Mocotó (23º), Oteque (41º), Manu (49º), Oro (51º), Tuju (54º), Evvai (65º) e Fasano (65º), Glouton (68º), Tordesilhas (75º), Soeta (77º), Arturito (86º), Komah (88º), e Corrutela (90º). As estreias neste ano foram o paulistano Komah, o mineito Glouton e o capixapa Soeta, que nunca haviam aparecido na lista. 

Por conta da pandemia, a cerimônia não reuniu os chefs latino-americanos em uma só festa, como é de costume. Para evitar deslocamentos aéreos, a premiação aconteceu simultaneamente em várias cidades da América Latina, como São Paulo, Buenos Aires e Cidade do México. Também foi apresentada de forma virtual e transmitida ao vivo pelas redes sociais do 50 Best. 

Janaína e Jefferson Rueda, na cerimônia do 50 Best 2021.

Janaína e Jefferson Rueda, na cerimônia do 50 Best 2021. Foto: Maria Vargas

Outros prêmios 

Alguns prêmios especiais já haviam sido revelados nas últimas semanas pela organização do evento anual promovido pela revista britânica Restaurant. O chef Rodrigo Oliveira, proprietário do Mocotó em São Paulo, e Adriana Salay, historiadora e defensora dos alimentos, venceram o prêmio The Macallan Icon Award. O título é dado para pessoas que geram mudanças duradouras na indústria alimentícia e na sociedade.

Solidária. Fila para receber marmitas em frente ao Mocotó em abril de 2020 

Solidária. Fila para receber marmitas em frente ao Mocotó em abril de 2020  Foto: Tiago Queirpz/Estadão

No início da pandemia, os donos dos Mocotó fundaram e financiaram a organização sem fins lucrativos Quebrada Alimentada, convertendo o Mocotó em um centro de distribuição de alimentos para pessoas em dificuldades. Com o apoio da comunidade, fornecem mais de 100 refeições diárias e 400 cestas básicas por mês para pessoas em situação vulnerável, famílias e sua rede de agricultores locais. Desde o início da pandemia, o Quebrada Alimentada serviu mais de 80 mil refeições.

A chef boliviana Marsia Taha venceu o prêmio Chef Mulher em Ascensão na América Latina em 2021, e também Latin America's 50 Best Restaurants. Ela é a responsável pela cozinha do Gustu, em La Paz, onde cria pratos com ingredientes locais, preservando técnicas antigas e apoiando comunidades indígenas da região.

O argentino Anafe, de Buenos Aires, desbancou o paulistano Charco, que estava entre os finalistas, e levou o prêmio de restaurante mais promissor de 2021, enquanto o colombinano Celele, que já levou o prêmio arte da hospitalidade. 

O prêmio de restaurante mais sustentável da América Latina de 2021 foi para o Corrutela, de São Paulo, do chef Cesar Costa. A casa esteve fechada por toda a pandemia e anunciou que voltará a abrir as portas ainda este ano. Instalado na Vila Madalena, próximo ao Beco do Batman, o restaurante sempre buscou reduzir o impacto ambiental nas suas atividades, desde o uso de uma composteira, até a procura dos melhores fornecedores. 

Além das já conhecidas categorias especiais, em 2021 também foram criados novos destaques, atualizados aos novos tempos. Entre os eles, o destaques para o premio de capacidade de reinvenção durante a pandemia, que foi para o mexicano Eduado Garcia. 

 

Confira a lista completa dos 50 melhores restaurantes da América Latina 2021

1. Central (Lima, Peru)

2. Maido (Lima, Peru)

3. D.O.M. (São Paulo, Brasil)

4. Astrid y Gastón (Lima, Peru)

5. Pujol (Cidade do México, México)

6. Boragó (Santiago, Chile)

7. Maní (São Paulo, Brasil) 

8. Quintonil (Cidade do México, México)

9. Tegui (Buenos Aires, Argentina)

10. Don Julio (Buenos Aires, Argentina) 

11. A Casa do Porco (São Paulo, Brasil) 

12. Sud 777 (Cidade do México, México)

13. La Mar (Lima, Peru)

14. Leo (Bogotá, Colômbia) 

15. Pangea (Monterrey, México)

16. Parador la Huella (José Ignacio, Uruguai)  

17. Osso (Lima, Peru)

18. Harry Sasson (Bogotá, Colômbia)

19. Chila (Buenos Aires, Argentina)

20. Rafael (Lima, Peru)

21. El Baqueano (Buenos Aires, Argentina)

22. Lasai (Rio de Janeiro, Brasil)

23. Mocotó (São Paulo, Brasil) 

24. Isolina (Lima, Peru)

25. El Chato (Bogotá, Colômbia)

26. Ambrosía (Santiago, Chile)

27. Rosetta  (Cidade do México, México)

28. Aramburu (Buenos Aires, Argentina)

29. Mishiniguene (Buenos Aires, Argentina)

30. Maito (Cidade do Panamá, Panamá)

31. 99 (Santiago, Chile)

32. Alcalde  (Guadalajara, México)

33. Máximo Bistrot (Cidade do México, México)

34. Elena (Buenos Aires, Argentina) 

35. Nicos (Cidade do México, México)

36. Gustu (La Paz, Bolivia)

37. La Cabrera (Buenos Aires, Argentina) 

38. Le chique (Cancún, México)

39. Fiesta  (Lima, Peru) 

40. Corazón de Tierra (Valle Guadalupe, México)

41. Oteque (Rio de Janeiro, Brasil) 

42. Criterión (Bogotá, Colômbia) 

43. Alto (Caracas, Venezuela) 

44. Amaranta (Toluca, México)

45. 1884 restaurante  (Mendoza, Argentina) 

46. La Picantería (Lima, Peru) 

47. Restaurant 040 (Santiago, Chile)  

48. Gran Dabbang  (Buenos Aires, Argentina) 

49. Manu (Curitiba, Curitiba) 

50 . Oviedo (Buenos Aires, Argentina)

51. Oro  (Rio de Janeiro, Brasil) 

52. Kjolle (Lima, Peru)

53. La bourgogne (Punta del este, Uruguai)

54. Tuju (São Paulo, Brasil)

55. Andrés Carne de Res (Bogota, Colômbia)

56. Mayta (Lima, Peru)

57. La Docena (Guadalajara, México)

58. De Patio (Santiago, Chile)

59. Crizia (Buenos Aires, Argentina)

60. Narda Comedor (Buenos Aires, Argentina) 

61. Mil (Moray, Peru)

62. Manzanilla (Ensenada, México)

63. Casa Oaxaca (Oaxaca, México)

64. Tomo 1 (Buenos Aires, Argentina)

65. Evvai (São Paulo, Brasil) 

66. Fasano (São Paulo, Brasil) 

67. Sucre (Buenos Aires, Argentina)

68. Glouton (Belo Horizonte, Brasil)

69. Cosme (Lima, Peru)

70. Tierra Colorada Gastro (Assunção, Paraguai)

71. El mercado (Lima, Peru)

72. Merotoro (Cidade do México, México)

73. Restaurante Garzón (Garzón, Uruguai)

74. El Cielo (Bogotá, Colômbia)

75. Tordesilhas (São Paulo, Brasil) 

76. Carmen (Bogota, Colômbia)

77. Soeta (Vitória, Espirito Santo)

78. Mérito  (Lima, Peru)

79. Laja (Ensenada)

80. Osaka (Buenos Aires, Argentina

81. Café Mistério (Uruguai)

82. Restó  (Buenos Aires, Argentina)

83. La Brigada  (Buenos Aires, Argentina)

84. Salvo Patria (Bogota, Colômbia)

85. Dulce Paria  (Cidade do México, México)

86. Arturito (São Paulo, Brasil)

87. La Mar (Buenos Aires, Argentina)

88. Komah (São Paulo, Brasil) 

89. Lo de Tere (Punta del este, Uruguai)

90. Corrutela (São Paulo, Brasil) ​

91. Celele  (Cartagena, Colômbia)

92. Pakuri  (Assunção, Paraguai)

93. Nuema (Quito, Equador)

94. Ally Pacha (La Paz, Bolívia)

95. Pitiona  (Oaxaca, México)

96. Costanera 700  (Lima, Peru)

97. Alo’s (Buenos Aires, Argentina)

98. Deckaman’s en el Mogor  (Ensenada Mexico, México)

99. Mesa Franca (Bogotá, Colômbia)

100. Cuatro Mares (Punta del Este, Uruguai)

Como é formado o ranking

A lista dos 100 maiores restaurantes da América Latina foi criada a partir da união dos dados completos de votação das oito edições de 2013-2020, especialmente. Os restaurantes que tiverem fechado permanentemente serão reconhecidos como parte do programa, mas não fazem parte do ranking.

O júri é composto por um número expressivo de gourmets, experts, jornalistas e críticos gastronômicos de toda a América Latina -  são mais de 250 votantes. Cada jurado tem que votar em dez restaurantes - que tenha visitado, obrigatoriamente, nos últimos 18 meses. Do total de escolhidos, ao menos quatro casas precisam estar fora de seu país de origem, ou seja, um jurado brasileiro pode votar no máximo em seis restaurantes situados no Brasil; os demais precisam estar no Peru, México, Colômbia, Chile, Panamá…

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