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Restaurantes e Bares

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Ao ponto

José Orenstein

O Monte Líbano está de cara nova. Mas a qualidade da comida continua a mesma

Desde 1973, o Monte Líbano serve quitutes árabes na região da Rua 25 de Março

26 outubro 2016 | 23:23 por José Orenstein

O melhor jeito de ir ao restaurante Monte Líbano é de metrô. Você desce na estação São Bento e procura a saída que dá no meio da ladeira Porto Geral. “Bateu, colou, bateu, colou, bateu, colou!”, grita uma dupla que joga uma bolinha de um lado a outro da rua – ela bate e cola num prato plástico; um barítono berra “água, água, água, águaaa”, no que é secundado por um coro de sopranos estridentes; uma senhora vende “doce de lei-tê” e um outro anuncia bem alto que compra “ouro e as prata, ouro e as prata, ouro e as prata”; um rapaz alto, bigode de penugem, estende a mão: “Qual seria sua pesquisa aqui hoje?”. 

Trio de pastas, kibe cru, cafta, chicória e arroz de cordeiro.

Trio de pastas, kibe cru, cafta, chicória e arroz de cordeiro. Foto: Nilton Fukuda|Estadão

Você está no turbilhão da 25 de Março. Como formigas em apuros, cada um corre para um lado, mas você respira e mira uma porta de um prédio comercial. Entra, sobe dois lances de escada e chega à redenção.

É a casa das Maatouk: Alice, a mãe, incansável, que aos 83 anos não arreda pé da cozinha, e Regina, a filha, séria e sorridente, que faz fluir o salão.

Desde 1973 o Monte Líbano serve quitutes árabes na região. Há poucos meses, deu uma repaginada com uma reforma, que trouxe lustres, quadros e papéis de parede à casa. Mas a qualidade da comida continua a mesma. 

É tudo muito fresco, feito com esmero, comida conforto. A vontade é pedir de tudo um pouco e dá para fazer isso, com o rodízio (R$ 64). Tem um trio de pastas que é o trio da alegria, a simplicidade viva e verde que é a chicória no azeite, um quibe cru que não faria feio em Beirute. Fora as esfihas de massa leve e carne de verdade, o aromático espeto de cafta e a linguiça síria, ou ainda os molhados charutinhos de folha de uva. O kibe michui, uma bolota recheada com carne e snoubar (pinole) é uma proeza de dona Alice. Pede a escolta do arroz soltinho com lentilhas ou da abobrinha recheada. 

O salão continua cheio, a casa só abre no almoço durante a semana. Habitués chamam pelo nome os garçons, que são eficientes, bem humorados, prestimosos. Só chateia a cobrança (sem aviso prévio) pelo cesto de pão pita. Você fecha então a refeição com ataif de nozes e um perfumado café turco. E cai de volta no turbilhão da 25.

A filha, Regina, faz fluir o salão. Alice, a mãe, aos 83 anos não arreda pé da cozinha.

A filha, Regina, faz fluir o salão. Alice, a mãe, aos 83 anos não arreda pé da cozinha. Foto: Nilton Fukuda|Estadão

O MELHOR E O PIOR

PROVE

O trio de pastas. Homus, coalhada e, em especial, um babaganuche excepcional.

A cafta. Carne no espeto, firme, churrasqueada, maravilha.

O moulohie. Só tem às segundas: uma verdurinha delicada servida em caldo com frango desfiado, kibe, pita e arroz.

EVITE

As massas. A casa serve raviolone, filé à parmegiana, nhoque à bolonhesa, mas você não vai ao Monte Líbano por causa deles. 

O falafel. É bem frito, servido com graça – tomatinhos picados, tahine, etc.–, mas é um pouco massudo e falta uma picância no bolinho de grão de bico.

A casa ganhou novos lustres, quadros e papéis de parede.

A casa ganhou novos lustres, quadros e papéis de parede. Foto: Nilton Fukuda|Estadão

Estilo de cozinha: árabe libanês – com receitas caseiras e acolhedoras.

Bom para: almoços salvadores na 25 de Março. 

Acústica: a casa fatalmente lota, o zunzum é alto, mas o pé-direito bem alto de alguma forma dissipa, um pouco o barulho. 

Vinho: nada de vinho por aqui (pena, pois o Líbano é conhecido por alguns bons rótulos.)

Cerveja: oferta bem pobrinha – só Original de 600 ml a R$ 14,50, Stella long neck a R$ 9,50 

Água e café: água, só de garrafa, 500ml (R$5) – nada de filtrada cortesia; bom café turco, com toque de cardamomo, a R$ 4.

Preços: entradas (R$ 16,50 a R$ 35,50), pratos principais (R$ 18,50 a R$ 40,50); sobremesas (R$ 9,50 a R$ 18,50)

Vou voltar? Vou, sempre.

SERVIÇO 

Monte Líbano

R. Cavalheiro Basílio Jafet, 38, 1º andar, Centro

Tel.: 3229 4413

Horário de funcionamento: 11h/15h30 (fecha sáb. e dom.)

Não tem bicicletário

 

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