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Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Os melhores restaurantes do ano em Nova York

Todo mundo tem dica de restaurante em Nova York – ainda que não vá à cidade há anos. Para quem planeja uma viagem para lá, aqui estão os melhores restaurantes abertos em 2014 na opinião do crítico do New York Times

07 janeiro 2015 | 13:57 por Pete Wells

New York Times

Leitores que acompanham o critério de estrelas em minhas críticas de restaurante semanais publicadas no New York Times podem se irritar com o fato de esta seleção de favoritos de 2014 abrigar um restaurante de uma estrela e deixar de fora alguns de duas estrelas.

Quando olho para os restaurantes que trouxeram uma perspectiva refrescante para a cena culinária do ano que passou, destaca-se o revival de receitas do Médio Atlântico feito pelo Delaware and Hudson, com o preço equilibrado de seus menus de US$ 48, a profusão de sabores memoráveis e seus fantásticos pretzels. Outros restaurantes se mostraram até mais consistentes, mas poucos foram tão originais. Esse pequeno restaurante de uma estrela em Williamsburg fechou meu balanço e exemplifica meu pensamento não linear. E, para deixar as coisas ainda mais ilógicas, pus o duas estrelas Russ & Daughters acima do três estrelas Simone.

Enquanto mantenho as estrelas em minhas resenhas semanais, esta lista anual dá mais peso a outros fatores, como custo-benefício e uma personalidade clara. Dos novos restaurantes que resenhei em 2014, estes são os de que me lembro mais vividamente. Todos os dez me impactaram.

FOTO: Daniel Krieger/NYT

1. Bâtard

O Bâtard é um novo capítulo na cozinha do Centro de NY. Ele trouxe a alegria de volta. A cozinha de Markus Glocker não exige sacrifício. O menu é à la carte e é fácil escolher o vinho na adega cheia de Borgonhas. Os sabores de Glocker fazem sentido, e quando ele destaca um ingrediente não é para exibi-lo, mas para trazer alguma qualidade. Algumas de suas melhores criações têm raízes na Áustria, onde o chef foi criado, como o schnitzel de frango servido com a melhor salada de batata da cidade. É um prato de bom senso num restaurante preocupado em devolver a sanidade à restauração de alto estilo.

Onde: 239 West Broadway, TriBeCa, 212-219-2777.

Web: www.myriadrestaurantgroup.com

FOTO: Liz Barclay/NYT

2. Russ & Daughters Cafe

A culinária dos judeus da Europa Oriental ajuda a manter o sabor de Nova York, mas sua sobrevivência numa cidade em constante mudança não está garantida. Se essa comida tem futuro, ele está no Russ & Daughters Cafe, que serve pratos tradicionais como sopa de cogumelos e cevada com caldo escuro de cogumelo e pãezinhos knishes.

Onde: 127 Orchard Street, Lower East Side, 212-475-4881.

Web: www.russanddaughterscafe.com

3. The Simone

Com menu escrito em letra de mão, tranquilo salão residencial e garçons de colete e gravata de laço perfeito, o Simone ganha fácil o título de restaurante mais conservador do ano. Mas modernismos nem sempre são interessantes, e o estilo retrô do Simone não tem nada de obsoleto. Ele expressa honestamente a sensibilidade dos proprietários Chip Smith, Tina Vaughn e Robert Margolis, que acreditam na antiga gentileza. E você, enquanto estiver no Simone, também acreditará. Isso se estende à culinária de Smith que tecnicamente é francesa clássica, mas nas mãos dele se torna natural e atemporal. Tina Vaughn, mulher dele, é craque em escolher o vinho certo e explicar a escolha ao cliente com entusiasmo, mas sem verborragia.

Onde: 151 East 82nd Street, Upper East Side, 212-772-8861.

Web: www.thesimonerestaurant.com

FOTO: Ben Russel/NYT

4. Cherche Midi

Keith McNally diz que fez o restaurante no qual gostaria de comer. E qualquer um que acompanhe o sucesso do Cherche Midi fica se perguntando por que outros restaurateurs não fazem o mesmo. O menu dispensa explicações, mas ajuda ter alguma familiaridade com clássicos franceses como pernas de rã com molho de salsinha, mexilhões no vapor, crêpe suzette e île flottante.

Onde: 282 Bowery, NoLIta, 212-226-3055.

Web: www.cherchemidiny.com

FOTO: Karsten Moran/NYT

5. Ivan Ramen

O nome não mostra o quadro completo. Ivan Ramen é mais que um lugar de sopa de macarrão, embora seu shio ramen seja uma explosão fumegante de dashi e caldo de galinha. Mas puristas que avaliam este restaurante só pelo ramen perdem um ponto: o Ivan Ramen é um restaurante de chef, onde Ivan Orkin faz deliciosas brincadeiras com a comida japonesa. Se você conhecer outra casa servindo língua de boi braseada em dashi e caldo de carne que chegue perto do de Orkin, favor mandar o endereço.

Onde: 25 Clinton Street, Lower East Side, 646-678-3859.

Web: www.ivanramen.com

FOTO: Liz Barclay/NYT

6. Delaware and Hudson

Os menus de US$ 48 de Patti Jackson no Delaware and Hudson estão entre as melhores pechinchas da cidade. Formalmente, são quatro pratos, mas o primeiro é formado por três ou quatro pequenos tira-gostos e o último é um par de sobremesas e um prato de mignardise que a própria Patti serve. Patti Jackson é uma chef generosa que põe sabor e prazer da comida acima da estética para o Instagram. Mergulhando nas receitas caseiras do Médio Atlântico e nas técnicas de pasta aprendidas em restaurantes italianos, Patti cozinha como se a única coisa que interessasse fosse deixar pessoas felizes.

Onde: 135 North Fifth Street, Williamsburg, 718-218-8191.

Web: www.delawareandhudson.com

FOTO: Liz Barlcay/NYT

7. Contra

A grande conquista do Contra é ser ao mesmo tempo ambicioso e acessível. Os chefs (Jeremiah Stone cuida dos pratos salgados, enquanto Fabian von Hauske faz as sobremesas e os pães) cozinham expressivamente. Os pratos, do tamboril com geleia de cebola e espuma feita de truta defumada à musse de pipoca com tangerina, premiam a curiosidade do cliente com boas surpresas. A fórmula de cinco pratos custa US$ 55.

Onde: 138 Orchard Street, Lower East Side, 212-466-4633.

Web: www.contranyc.com

8. Dirty French

O menu precisa de uma severa poda, os preços praticados estão na fronteira da hostilidade e o salão é provavelmente grande e barulhento demais para garantir a todos um tempo de sossego. No entanto, posso dizer sem hesitar que alguns dos mais extraordinários pratos que comi em 2014 vieram do Dirty French, mais recente restaurante da dupla Rich Torrisi e Mario Carbone.

Onde: 180 Ludlow Street, Lower East Side, 212-254-3000.

Web: www.dirtyfrench.com

9. Gato

Bobby Flay caça sabores intensos como se contivessem o segredo da eterna juventude. A cozinha do Gato, nominalmente mediterrânea, mas executada com típico entusiasmo americano, junta salgado, ácido, queimado, defumado, temperado e qualquer outro truque que Flay conheça – e ele conhece alguns. Uns poucos pratos podem parecer ter molho em excesso, mas mais frequentemente o resultado é de rica clareza sensorial. Acrescente-se que a carta de vinhos mostra uma rara compreensão com clientes que não queiram gastar mais de US$ 50 por garrafa. Manhattan precisa de mais lugares como este.

Onde: 324 Lafayette Street, NoHo, 212-334-6400.

Web: www.gatonyc.com

10. Bar Bolonat

A ideia do Bar Bolonat, no West Village, é servir comida judaica contemporânea, o que compreende um mix de cozinhas multiétnicas com as quais o chef, Einat Admony, cresceu em Tel-Aviv. O camarão com curry de coco e cúrcuma é iemenita; o ensopado de ervas verdes com cuscuz caseiro e costeletas é iraniano; e a couve-flor frita com tajine é decorada com Bambas, um snack de manteiga de amendoim que faz a festa das crianças israelenses. O Bar Bolonat segue melhorando, libertando seus diversos sabores.

Onde: 611 Hudson Street, West Village, 212-390-1545.

Web: www.barbolonatny.com

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 7/1/2015

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