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Restaurantes e Bares

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Passeios pelas vinícolas e parrillas do Uruguai

Bom programa para quem visita o Uruguai é percorrer as vinícolas. Muitas ficam próximas a Montevidéu e promovem visitas e degustações guiadas, sempre acompanhadas de pães, um queijinho ou embutidos

03 dezembro 2014 | 19:04 por Carla Peralva

De Montevidéu e Punta del Este

Apenas pelos vinhos, o Uruguai já valeria a visita. Mas ainda tem as carnes na parrilla, o doce de leite, o caviar do Rio Negro, o chivito (aquele sanduíche de carne com cebola, queijo, bacon e alface), a famosa faina (massinha à base de grão-de-bico que parece uma pizza) e o mate. Para completar, os preços no país são ótimos.

Para quem gosta de tintos e brancos, a boa notícia é que os visitantes são muito bem-vindos na maioria das vinícolas. Existe até uma associação, a Los Caminos del Vino, que reúne e divulga informações.

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Visitar as vinícolas do Uruguai é receber uma lição sobre as diferentes facetas da Tannat. Mas, mais importante, é comprovar, na taça, que os vinhos uruguaios vão muito além da tânica uva estandarte nacional. Além disso, as brancas já tomam 20% da superfície de vinhedos plantados.

Com mais de 90% da produção concentrada no sul, sob os efeitos do clima atlântico, nas regiões de Colônia, Canelones (Montevidéu) e Maldonado (Punta del Este), é fácil incluir os vinhedos em qualquer roteiro. A melhor opção é marcar a visita e o transporte – para não misturar direção e bebida.

Parrilla com tradição

FOTO: Divulgação

FOTOS: Carla Peralva/Estadão

Das vinícolas nos arredores de Montevidéu (são apenas 20 minutos de carro), é a mais conhecida dos brasileiros: somos 90% dos visitantes. Nas terras do casal Bouza o passeio começa a pé pelo vinhedo, passa pela cave e desce para a adega subterrânea, onde ficam os barris de carvalho e as garrafas de guarda. Uma passadinha pela coleção de carros antigos do dono, Juan Bouza, e estamos de volta ao restaurante.

Há duas opções de degustação, por 750 pesos (R$ 80) e 1.200 pesos (R$ 128), em que varia a qualidade dos vinhos. São acompanhadas de tábua de queijos, embutidos e pães de fermentação natural. A visita guiada é 380 pesos (R$ 40) por pessoa. Da parrilla pilotada pelo chef Marcelo García saem tradicionais cortes de carne, frutos do mar e legumes. Ele pensa na comida para destacar os vinhos.

SERVIÇO | Bodega Bouza

Onde: Cno. de la Redención 7658, Montevidéu

Contato:  (598) 2323-7491, visitas@bodegabouza.com

Importador no Brasil: Decanter

Visita guiada pela dona

FOTOS: Carla Peralva/Estadão

Quem recebe os visitantes e os guia morro acima é o cachorro Manolo. Só para no varandão de madeira construído no alto da Sierra de la Ballena onde está Paula Pivel, a anfitriã. Depois de trabalhar mais de uma década num banco, ela e o marido, Álvaro Lorenzo, abriram uma vinícola na então pouco explorada região de Maldonado, perto de Punta del Este. Os primeiros vinhos chegaram ao mercado em 2007 – a meta do casal era fazer o melhor Merlot do Uruguai. “Não somos fãs da Tannat”, diz Paula. “Então tivemos de criar um Tannat que nos agradasse.” Daí surgiram dois vinhos de corte: Tannat (50%), Merlot (35%) e Cabernet Franc (15%), e Tannat-Viognier. A branca francesa faz par aromatiza e suaviza os taninos da Tannat. Degustações (acompanhadas de queijos) são guiadas por Paula e os preços vão de US$ 30 a US$ 45.

SERVIÇO | Alto de la Ballena

Onde: Ruta 12, km 16.400, Maldonado

Contato: (598) 9 4410-328, info@altodelaballena.com

Importador no Brasil: La Charbonnade

Degustações e aula de cozinha

FOTOS: Carla Peralva/Estadão

Vinícola da nova safra uruguaia, a Artesana (a 38 Km da capital) pertence às enólogas Analía Lazaneo e Valentina Gatti. Elas se revezam na recepção aos visitantes, mostrando as plantações, a cave, os barris. No pátio externo, entre a adega e os campos, com poltronas, uma grande mesa sob toldo branco e uma parrilla ao ar livre é onde se provam os vinhos. Tannat, Merlot e Zinfandel se unem no vinho mais interessante e complexo ali.Além da degustação (500 pesos, R$ 53), é possível marcar piquenique, almoço na parrilla e aulas de cozinha – para grupos de oito, ainda em fase de implementação.

SERVIÇO | Artesana

Onde: Ruta 48, km 3.600, Las Brujas, Canelones

Contato: (598) 9578-0629, turismo@artesanawinery.com

Vinhos e azeites

FOTOS: Carla Peralva/Estadão

Dá para conhecer a bela fazenda Colinas de Garzón, a menos de uma hora de Punta del Este, a pé, de carro puxado por trator, de bicicleta e até de balão. Por lá, os vinhos até entram na degustação, mas as atenções são voltadas para os premiados azeites de oliva extravirgem. Percorre-se a plantação de oliveiras e castanheiros e a linha de produção dos óleos – a melhor época para visitar é a da colheita, no outono. A degustação na varanda combina três vinhos, queijos, pães, azeitonas, frutas secas e os três principais blends de azeite, com instruções de como prová-los.

SERVIÇO | Colinas de Garzón

Onde: Ruta 9, km 175, Maldonado

Contato: (598) 4224-4040, reservas@colinasdegarzon.com

A prova é conduzida pelo sommelier

FOTOS: Carla Peralva/Estadão

Em uma área tomada pelo gado de corte, don Francisco Juanicó decidiu, em 1830, plantar uvas. Construiu uma cave subterrânea e passou a produzir vinhos de mesa para consumo local. Em 1979, a fazenda em Canelones, a 48 quilômetros de Montevidéu, passou para as mãos dos Deicas e virou vinícola, hoje a maior do país, uma gigante para os padrões uruguaios: mais de 30 rótulos, 100 milhões de litros por ano, 350 hectares plantados, 20 variedades de uvas.

A visita começa sob o sol, passeando pelos vinhedos, e segue para o frescor à meia-luz do pequeno bar e da adega (ainda ativa) subterrâneos. É lá, ao redor das barricas de carvalho, que os visitantes ouvem a história da família. A prova de cinco rótulos é guiada por um sommelier e o preço varia de 550 (R$ 59) a 2 mil pesos (R$ 214), conforme os vinhos. Também é possível almoçar ali: parrillada com carnes e bufê de saladas.

SERVIÇO | Juanicó

Onde: Establecimiento Juanicó s/n, 90400 Juanicó, Canelones

Contato: (598) (4) 335-9725, visita@juanico.com

Importador no Brasil: Interfood

* A repórter viajou a convite do Ministério do Turismo do Uruguai

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 04/12/2014

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