Paladar

Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Por aí: Só indo ao novo Jiquitaia para entender

Você tem de ir lá. Depois de oito anos, o restaurante saiu do Baixo Augusta e está funcionando em novo endereço no Paraíso, desde a reabertura, em agosto

18 de novembro de 2020 | 05:00 por Patricia Ferraz, O Estado de S.Paulo

Dessa vez vou começar pela sobremesa, o que é quase uma heresia diante da quantidade de coisas boas que tem no cardápio. Sugiro que você reserve espaço para a torta de mandioca com calda de abacaxi quando for conhecer o novo Jiquitaia. “Quando” porque você tem de ir lá. Depois de oito anos, o restaurante saiu do Baixo Augusta e está funcionando em novo endereço no Paraíso, desde a reabertura, em agosto. 

Tente guardar um espaço para a torta de mandioca com calda de abacaxi 

Tente guardar um espaço para a torta de mandioca com calda de abacaxi  Foto: Barbara Kohatsu

Aos detalhes do doce: a massa de mandioca e coco ralado grosso é firme e úmida (lembra um bolo de tapioca), delicada e com pouco açúcar. Vem cercada por uma calda de abacaxi grelhado, espetacular, essa sim, bem doce, quase como um xarope, mas com a acidez do abacaxi e o tostadinho da grelha... Para completar, uma bola de sorvete de leite. Que combinação! Custa R$ 19. 

A cozinha de Marcelo Corrêa Bastos continua a mesma. Brasileira contemporânea, de produto, técnica, instigante e cheia de sabor.  E agora, também inspirada por uma grelha que ampliou o cardápio e opera da entrada à sobremesa. Para começar, acelga grelhada (cortada ao meio no sentido vertical) e temperada com limão, manteiga noisette e bottarga (R$ 36). As folhas chegam tostadinhas, levemente amolecidas, mas ainda crocantes, uma delícia.

Entrada. Acelga grelhada com limão, manteiga noisette e bottarga

Entrada. Acelga grelhada com limão, manteiga noisette e bottarga Foto: JR Bronko

Outro acerto é a batata doce grelhada em rodelas grossas, servida com queijo azul, compota de pimenta biquinho, agrião e castanha do Pará  (R$ 20). Na outra casa, era feita na frigideira. As entradas preparadas na brasa incluem ainda cogumelos pincelados com gordura de boi (R$ 30), fraldinha de cordeiro, com salada de ervas (R$35) e coração de boi com cambuquira e molho picante (R$35).

Não resisti a pedir de novo um clássico do Jiquitaia, o arroz de pato com tucupi e jambu. É prato premiado, um arroz discretamente caldoso, com lascas de pato, folhas de jambu e o toque provocativo do tucupi. Vem com magret, o peito de pato, grelhado, mal passado (R$ 70).

Arroz de pato com tucupi e jambu

Arroz de pato com tucupi e jambu Foto: JR Bronko

Porém a novidade entre os pratos principais é o peixe na brasa, com pirão servido inteiro em porção para dividir (R$ 140). A feijoada aos sábados (R$ 63) e a leitoa à pururuca aos domingos (R$ 160, para duas pessoas) continuam firmes no cardápio.  No almoço durante a semana tem menu a preço fixo, entrada, prato do dia e sobremesa por R$ 55. 

A nova casa é um charme. Decorada com sutileza, sem qualquer sinal de objetos folclóricos, retrata um estilo brasileiro contemporâneo, elegante, com muita madeira, pé direito alto, peneiras artesanais como luminárias, fotos em preto e branco feitas por Cássio Piccolo (dono do Frangó) e Paulo Cortes, o arquiteto do restaurante. Nas prateleiras, espalha-se a bela coleção de cachaças, com 90 rótulos.

Novidade. Peixe na brasa, com pirão servido inteiro em porção para dividir 

Novidade. Peixe na brasa, com pirão servido inteiro em porção para dividir  Foto: JR Bronko

Há duas mesas comunitárias, temporariamente sub-aproveitadas, como medida de prevenção contra a covid. O ambiente dá sensação de segurança sanitária, apesar da falta de ventilação natural (na verdade, a parte alta das janelas é basculante, mas não se nota), com brigada vestindo luvas, máscaras e shield; medição de temperatura à entrada, totem de álcool em gel, potes de álcool em gel nas mesas; saquinho para guardar as máscaras e talheres embrulhados em sacos de papel. A distância entre as mesas é boa –dessa vez eu medi – as mais próximas estão a 1,50m. 

Há alguns meses perguntei ao chef por que o Jiquitaia estava de mudança da casa simpática e apertadinha no Baixo Augusta. Ele me respondeu: “Quando você for lá, vai entender”. Entendi. Exatamente.

Ambiente novo Jiquitaia, no Paraíso 

Ambiente novo Jiquitaia, no Paraíso  Foto: JR Bronko

Serviço 

Jiquitaia

R. Cel Oscar Porto, 808, Paraíso.

Reservas (só até às 19h30): 30515638.

Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/21h40 (dom., 12h/17h; fecha 2ª). 

Delivery no almoço, com cardápio reduzido, pelo Rappi.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Ficou com água na boca?

Tendências