Paladar

Restaurantes e Bares

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Rodeio paranaense

17 junho 2009 | 18:54 por redacaopaladar

Era um domingo desses frios e ainda mais frio porque a cidade estava vazia que nem cesta de pão de queijo recém tirado do forno. Os garçons não estranharam nossa repetitiva presença. Que bom sentar na mesma mesa, que bom o mesmo ótimo serviço, o mesmo filé, o mesmo arroz soltinho, batata frita gorda e sequinha, mandioca amanteigada.

Nelson Faneca

O Rodeio, aberto por um gaúcho há 43 anos no centro de Londrina, gosta de ser regular. O cardápio é enxuto e a especialidade da casa é o filé à parmegiana. “Para não dizer que não mudou, assim, nada, acrecentamos, nesses anos todos, uns dois pratos no cardápio”, conta Paterniano Dias da Silva, o Tino, garçom da casa há 21 anos. Ele começou trabalhando na cozinha e diz que nunca pensou em mudar de emprego porque não seria conveniente sair dali para fazer a mesma coisa. “Mas eu sou até novo, perto do Nelson. Ele tá aqui há 41 anos”.

Dizer que Nelson Faneca circula com espantosa familiaridade no Rodeio é como dizer que Londrina combina com casas de peroba. “Aqui já veio Nelson Gonçalves…”, conta Nelson, os cabelos brancos penteados para trás e um sorriso constante nos lábios finos. E entre os clientes célebres ele citou bem o seresteiro Nelson Gonçalves, fazendo tocar na cabeça de um dos visitantes “eu voltei, eu voltei para rever os amigos que um dia deixei a chorar de alegria…”.

Luiz Gonzaga e uma porção de músicos e políticos e famílias glutonas e bons de copo teriam, como nós, se sentado ali na João Cândido, pedido o tenro filé mignon cuja meia porção dá para duas pessoas e custa menos de R$ 30, jogado desavergonhadamente um pouco do molho em cima do arroz e escutado a prosa do trio radicado na cidade cortada pelo lago Igapó. Nelson, Tino e Benedito Oliveira, que não conhecemos, mas está na casa há 23 anos.

O Rodeio, que está na sua terceira dinastia (há 30 anos, quem o comanda é Arlindo Dessunti), funciona todos os dias das 11 à meia-noite. “Ficava aberto até às 5 horas, para lavar o chão tinha que tocar freguês da mesa”, lembra Tino. Afogueando a rixa carnívora entre gaúchos e argentinos, digo que as carnes do Rodeio superam muitas argentinas de botecos bem mais pretensiosos. E o couvert, torradas de pão francês com manteiga e berinjela – essa é para o restaurante do Malba, que levou de volta o couvert quando eu disse ‘no, gracias’ e cobrou-o na conta dizendo que era obrigatório – é cortesia da casa.

Rodeio. Rua Professor João Cândido, 333, centro, Londrina, (43) 3324-2053

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