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Restaurantes e Bares

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Prove sanduíches abertos em Copenhague

Smor (manteiga) e brod (pão) são só o alicerce do famoso sanduíche aberto dos dinamarqueses. Hoje, o singelo smorrebrod de cebola dos tempos dos temíveis vikings leva incríveis coberturas de peixe, carne, verduras, molhos...

03 dezembro 2014 | 19:05 por Patrícia Ferraz

De Copenhague

Smorrebrod. A palavra é difícil, mas se você tiver planos de ir à Dinamarca, vá treinando. Ele é imperdível. Talvez, saber o significado ajude a decorar o termo: smor, em dinamarquês, é manteiga, e brod, pão. E todo smorrebrod começa com uma fatia de pão e manteiga – mais especificamente uma fatia grossa de pão de centeio coberta por generosa camada de manteiga.

O pão geralmente é bom (os pães na Dinamarca são excelentes) e a manteiga, cremosa e cheia de sabor. Mas é o que vai por cima deles que interessa de fato – peixes, carnes, folhas, compotas e às vezes até molhos. São coberturas diversas, com texturas, cores e formas distintas, dispostas de maneira atraente que fazem essa especialidade dinamarquesa.

Schonnemann. A casa do melhor sanduíche aberto de Copenhague tem 137 anos; abaixo, smorrebrods e uma pequena amostra da enorme adega de snaps e aquavits. FOTOS: Divulgação

Dizem que o sanduíche aberto é herança dos vikings – eles levavam pão de centeio nas viagens e o comiam com manteiga e cebola. Na Idade Média, em todo o norte da Europa, já era comum cobrir o pão com outros ingredientes e, mais tarde, era esse o modo de camponeses se alimentarem na hora do almoço: carregavam para o campo seu pão coberto por sobras de alimentos embrulhado.

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No século 19, quando os trabalhadores trocaram os campos pelas fábricas, levaram para as cidades o hábito do smorrebrod. Em pouco tempo ele se popularizou. Em 1888 já tinha status, e carrinhos de sanduíches abertos se espalhavam pelas ruas das grandes cidades. Viraram mania, acabaram cansando, perdendo popularidade e relegados. Mas, há alguns anos, a Dinamarca redescobriu o smorrebrod e ele voltou às boas, feito com ingredientes nobres e montado como obra de arte. Esse é o resumo da história do prato, que está no Insider’s Guide to Smorrebrod, de Ole Troelso, o primeiro guia especializado no assunto, lançado em dezembro de 2013. É um livrinho pequeno, que apresenta os melhores endereços de Copenhague para comer o sanduíche aberto.

Bom, se você tiver de escolher apenas um restaurante para ir em Copenhague, escolha o Noma, claro. Mas se puder incluir outro na lista, vá direto ao Schonnemann, um lugar simples e tradicional, que existe há 137 anos e faz os melhores sanduíches abertos da cidade.

Sanduíches abertos. Em cima, arenque marinado; abaixo, halibut defumado, favorito de René Redzepi, do Noma.

 

Não se deixe enganar pela entrada acanhada, a porta verde instalada alguns degraus abaixo do nível do solo, ladeada por duas bandeiras da Dinamarca. Nem pela simplicidade bucólica das paredes verdes com lambri de madeira, das mesas e cadeiras de madeira rústica e do chão simples. Só se come ali com reserva. Ou se conseguir convencer John e Sorren, os donos do lugar, a deixá-lo voltar às 15h30 porque vai embora para o Brasil naquela noite.

O cardápio tem cem versões de smorrebrod, servidas em louça branca com desenhos azuis delicados da Royal Copenhagen.

Tudo é feito na casa: o pão, as marinadas, molhos, conservas… Dá vontade de passar o dia ali provando, são todos lindos – porém enormes, e o máximo que se consegue é experimentar dois. Tente incluir na sua seleção o arenque marinado. É absolutamente fabuloso, fresquíssimo, com sabor muito sutil, levemente ácido e um pouco adocicado e a textura firme e macia ao mesmo tempo. Tem uma ala do cardápio só de sanduíches feitos com o arenque. Outra, só de tartare, outra de peixes e frutos do mar, outra com ovos, e também a de diferentes pratos com salmão – o que leva ovo e creme de espinafre é espetacular. E tem ainda de pato, vitela, porco, enguia…

Para beber, uma incrível seleção de snaps (artesanais, feitos na casa com aromas que vão do açafrão à framboesa) e aquavits. É a maior coleção do país. São garrafas e mais garrafas distribuídas por estantes, balcões e prateleiras, artesanais, industrializados, aromatizados e com diferentes tempos de envelhecimento. Tem também boa oferta de cervejas. É lugar para almoçar. Das 11h30 às 17h. O gasto médio por pessoa é de 200 coroas norueguesas, o que dá uns A 30.

SERVIÇO | Schonnemann

Onde: Hauser Plads 16, Copenhague

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 04/12/2014

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