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Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Sete robôs comandam a cozinha de um novo restaurante em Boston

Com menu focado em vegetais, Spyce foi criado por quatro estudantes de engenharia do MIT com consultoria do chef Daniel Boulud

21 maio 2018 | 18:08 por Peter Holley

De Boston, EUA

Washington Post

Um novo restaurante no centro de Boston foi criado com base na ideia de que uma boa refeição pode envolver mais ciência do que inspiração. No Spyce, fundado por um grupo de jovens estudantes de engenharia robótica do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) em conjunto com o chef Daniel Boulud (do estrelado Daniel, em Nova York), sete robôs trabalham simultaneamente para fazer pratos em três minutos ou menos. 

O restaurante, pensado para refeições rápidas durante a semana, serve tigelas com diferentes combinações de grãos, legumes, verduras e frango grelhado. Daniel Boulud é o diretor culinário e atuou como consultor do cardápio e do treinamento da equipe. "Uma cozinha totalmente automatizada dá precisão, consistência e regularidade às refeições", diz ele no vídeo oficial do restaurante.  

 

  Foto: Spyce

Um dos fundadores, Michael Farid, 26 anos, explica o processo: “Quando você faz o pedido (em uma tela touchscreen), é acionado um sistema de coleta dos ingredientes que são tirados do congelador. Eles são fracionados de modo a se adequar ao tamanho do bowl e depois são jogados em uma panela wok robótica aquecida a 230°C, onde são cozidos e grelhados. Uma vez completo o processo, as woks se inclinam e colocam a comida na tigela. E o prato está pronto para ser guarnecido e servido, e o nome do cliente aparece num painel eletrônico". Terminada a refeição, jatos de água quente lavam as woks antes de ali serem colocados novos ingredientes.

Farid diz que chefs-robôs foram deixados à mostra para que não haja nenhum mistério. “Não quisemos criar uma caixa preta que cozinha uma refeição. Nosso desejo é que a experiência seja empolgante”.

Mas há sim pessoas envolvidas no preparo das comidas. Logo na entrada do restaurante, um "anfitrião" ajuda o cliente a fazer o pedido. Também são pessoas que pré-preparam as refeições da noite para o dia. E um garde manger - chef responsável pelos pratos frios e pela finalização dos pratos em uma cozinha francesa tradicional - arremata cada pedido com guarnições frescas, como ervas e cremes. 

O slogan do restaurante é: “Excelência culinária exaltada pela tecnologia”.  É um lema que o setor de restauração começa a adotar, dizem especialistas. Restaurantes americanos estão cada vez mais incorporando tecnologia automatizada, como no caso dos “pedidos por auto-atendimento” e os “garçons robôs”, segundo um estudo do McKinsey Global Institute.  De acordo com a pesquisa, "73% das atividades no campo da restauração e hotelaria têm potencial para serem automatizadas”.

Para Farid, os robôs aumentam a eficiência e reduzem os custos operacionais. “Nosso restaurante é eficiente porque foca naquilo que as pessoas são boas, mas os robôs realizam um grande volume de tarefas, como cozinhar e lavar, e nisso eles são bons. No final, nosso produto não é uma tecnologia de produto, mas uma experiência e uma refeição deliciosa”, diz ele. 

 

Competição de startups

Por Carla Peralva

Em maio de 2016, os "Spyce Boys", como se denominavam os quatro fundadores do Spyce, participaram da MIT $ 100k Entrepreneurship Competition, disputa de startups promovida pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts há 29 anos que elege iniciativas empreendedoras para receberem apoio financeiro e mentoria.

Por acaso, eu estava de férias em Cambridge visitando um casal de amigos que estudavam no MIT. Decidimos ir assistir à final da competição, evento que mobiliza todo o campus, com torcidas organizadas e apresentações estudantis. Em seus aventais laranjas e piadas bem ensaiadas, os "Spyce Boys" foram os responsáveis pela apresentação mais descontraída da noite. Levaram o prêmio de empresa preferida da plateia e ganharam US$ 5 mil. 

 

  Foto: Carla Peralva|Estadão

Na época, os fundadores apresentaram a Spyce como alternativa gastronômica automatizada para refeitórios e empresas, que não teriam muito espaço para o preparo de alimentos, mas ainda gostariam de servir opções frescas e saborosas. Em dois anos, fizeram parceria com um chef estrelado e abriram um restaurante no centro de Boston. 

O vencedor do MIL $ 100k  de 2016 foi a Astraeus Technologies, startup que criou um sistema não invasivo para detecção de câncer de pulmão. 

SERVIÇO 

Spyce

241 Washington St., Boston

/ Tradução de Terezinha Martino

 

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