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Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Um guia dos melhores izakayas de São Paulo

Os botecos japoneses oferecem boa comida e boa bebida, são divertidos e (quase sempre) baratos. Visitamos vários desses endereços pela cidade e contamos o que comer e beber em cada um

18 de abril de 2018 | 21:41 por Redação Paladar

Sushis e sashimis são onipresentes na cidade que abriga a maior colônia japonesa fora do Japão. O lámen já é velho conhecido. E agora o paulistano anda frequentando os botecos japoneses, os izakayas (pronuncia-se izakaiás). Já faz algum tempo que eles saíram da Liberdade e estão se espalhando pela cidade. Divertidos, baratos, descontraídos, com boa comida e boa bebida, estão cada vez mais populares. E se você ainda não conhece, eis sua chance. Preparamos um roteiro dos melhores da cidade, com sugestões do que comer em cada um deles.

Entrada do Izakaya Omoide Sakaba

Entrada do Izakaya Omoide Sakaba Foto: Codo Meletti|Estadão

Mas, antes de atravessar o noren, aquela cortininha da entrada, tem algumas coisas que você precisa saber. Primeiro, não espere encontrar peixe cru no cardápio. Izakaya não é bar de sushi – é lugar de petisco, o negócio ali são as porções e alguns pratos típicos desse tipo de estabelecimento (eles são bons de karê, o curry japonês, têm sempre uma berinjela com missô, ótimas frituras como o tonkatsu...). Mas nada sofisticado.

Aprenda a pedir comida em um restaurante izakaya

O balcão é quase obrigatório num izakaya (mesmo que ele não ofereça banquetas para acomodar os clientes, está ali, separando a cozinha do salão) e é o melhor lugar da casa. Se conseguir, sente-se ali e acompanhe os trabalhos.

Prepare-se para o ambiente caótico, apertado e para a possibilidade de dividir a mesa com um desconhecido – não é regra, mas de vez em quando acontece e, nesse caso, não precisa puxar papo, basta uma risadinha protocolar. 

Ambiente animado do Donchan, regado a saquê e karaokê

Ambiente animado do Donchan, regado a saquê e karaokê Foto: Codo Meletti|Estadão

Esses botecos nasceram administrados por famílias, que se dividem entre a cozinha e o salão – daí a simplicidade do ambiente. No Japão, há aproximadamente um milhão e meio de izakayas e 75% deles são pequenos e familiares. 

Nas cidades japonesas, parar no izakaya depois do trabalho é praxe, por isso a ideia é que ele seja um lugar para conversar e beber descontraidamente. Antes de terem comida, esses estabelecimentos ofereciam só bebida. Originalmente, no Japão, eram classificados pela qualidade da bebida, porém a partir dos anos 2000 as casas reforçaram o cardápio, como conta Jo Takahashi em seu livro Izakaya (ed. Melhoramentos), e a gastronomia passou a ser importante. 

Pelos izakayas do Japão: experiências de texturas e sabores

A equipe do Paladar percorreu os izakayas paulistanos para selecionar os melhores. Participaram da maratona a editora, Patrícia Ferraz, as repórteres Carla Peralva, Renata Mesquita, Ana Paula Boni e Laíssa Barros. A edição contou também com a participação especial do jornalista Jorge J. Okubaro.

Grelha do Kabura

Grelha do Kabura Foto: Codo Meletti|Estadão

 

YORIMICHI

Eis um boteco japonês estiloso, montado em torno de um amplo e bonito balcão de madeira. É atrás dele que as coisas acontecem, mais exatamente em uma grelha, que é a alma da casa. Dali saem os espetinhos que fizeram a fama do lugar – e, não por acaso, são realmente deliciosos.

O cardápio é extenso, trata bem os vegetais, contempla os adeptos das carnes e instiga o paladar com bons molhos e marinadas. Não esqueça de reservar, o movimento é intenso. E prepare o bolso, pode sair caro.  O defeito? A exaustão: você vai comer bem, mas prepare-se para sair dali defumado.

Vale a pena: vá pedindo aos poucos e seja egoísta, os pratos não são para dividir. 

Não perca: o yakitori de sobrecoxa de frango com cebolinha; e o quiabo na brasa.

Bebidas: boa oferta de saquês e uísques. Tem cerveja também.

Ambiente: moderno, decorado com bom gosto. 

Público: japonês masculino; mas há casais ocidentais.

Serviço. R. Otávio Nébias, 203, Paraíso, 3052-0029. 18h30/0h30 (fecha dom.).

 

DONCHAN

Ao entrar no diminuto salão, não é possível saber de pronto o que esperar do restaurante de Taka Higushi (que também toca o Kintaro com sua mãe, Líria, e o irmão Yoshi), aberto em setembro do ano passado. Então, aqui vai um spoiler: cardápio enxuto com boa comida e performances intensas no karaokê, com músicas em português, inglês e, claro, japonês. Se você der sorte, vai ver Taka saindo da cozinha e empunhando o microfone para começar a cantoria e quebrar a timidez dos novatos. 

Vale a pena: sentar no balcão, conversar com Fernando Kuroda (o Waka, que já tocou o Bueno) e participar da cantoria. Mesmo que você não queira assumir o “palco”, participe ajudando no coro e curtindo as apresentações. 

Não perca: comece a refeição com morokyu (R$ 20), tiras de pepino servidas com missô e folhas de shissô, simples e surpreendentemente saboroso. Depois, aposte no buta no kakuni (R$ 20), pancetta cozida com missô que derrete na boca, e kare raisu (R$ 35), karê de ossobuco servido em uma tigelinha com arroz e ovo estalado, para confortar até o dias mais difíceis.

Bebidas: duas opções de saquê e duas de soju, destilado sul-coreano, além de Heineken e drinques clássicos. Uma sugestão: peça a caipirinha feita com soju. 

Ambiente: na entrada, fica o balcão com um pequeno bar e a tela do karaokê. Para trás, mesinhas que acomodam grupos maiores. A pouca decoração remete ao universo do sumô, esporte praticado por Taka e Waka. 

Público: variado, na faixa dos 30 anos, além de amantes do karaokê tradicional. 

Serviço. R. Batataes, 380, Jardim Paulista. 99343-1421. 19h/2h (fecha dom. e seg.). 

 

QUITO QUITO

Kaori Muranaka, chef e proprietária, encontrou no dialeto falado na província de Toyama a inspiração para o nome de seu izakaya, o Quito Quito. A palavra, grafada de forma aportuguesada para facilitar a leitura, significa comida natural e fresca. “Fresquinha”, como diz Kaori, referindo-se especialmente a peixes e frutos do mar usados na preparação do sashimi combinado (R$ 107,80) – vem pelo menos cinco variedades –, o item mais pedido do cardápio.

Mais do que pelas ótimas fatias do peixe cru, porém, a visita ao Quito Quito vale pelos outros pratos apresentados num cardápio que cabe numa folha de papel ofício manuscrito em japonês e, em muitos casos, também em português.

Torikawa (R$ 19,80) é a pele de frango cozida com tempero suave e coberta com cebolas e cebolinhas. Kakuni (R$ 41,80), prato típico de Nagasaki, é a carne da barriga de porco, sem a gordura, cozida em molho suave e servida em cubos. Karaage de peixe inglês (R$ 41,80) tem o peixe frito inteiro, com a cabeça, crocante por fora e macio e úmido por dentro. No almoço, o cardápio varia com pratos que vão de R$ 40 a R$ 50. A visita ao Quito Quito é uma experiência inesquecível. Tudo é servido em louça japonesa.

Vale a pena: o tsubugai (R$ 52,80), sem tradução no cardápio (significa caracol), um excelente marisco fatiado, preparado com alho e óleo. Vem coberto de tiras de salsão e salsinha. 

Não perca: o gyutan (R$ 46,20), a língua de boi grelhada, de surpreendente consistência e sabor inesperado. É servida em tiras transversais cobertas com cubinhos de cebola.

Público: predominantemente japoneses que trabalham para empresas e organizações do Japão instaladas em São Paulo. Até as 20h, a língua portuguesa é pouco ouvida. 

Bebidas: há cervejas como a Orion de 600 ml (R$ 35,20), de Okinawa, e a Kirin Ichiban Shibori de 335 ml (R$ 13,20); os saquês variam do nacional Azuma Kirin (R$ 99, 750 ml) ao japonês Dassai (R$ 420, 720 ml). Também tem opção de shochu.

Serviço. Al. Campinas, 1.179, Jardins. 3586-4730. 12h/14h30 e 18h/ 22h30 (seg. e sáb., 18h/ 22h30; fecha dom.).

 

YAMANOIE

​Esta simpática casinha nasceu como bar de espera do Tanuki, restaurante vizinho e dos mesmos donos, na Vila Madalena. Mas logo ganhou sua própria fila de espera, não por acaso: a comida é excelente. São só porções (pequenas, diga-se, com preços de R$ 15 a R$ 35), dez expostas sobre o balcão e uma série à la carte.

Vale a pena: o menu omakasê, que custa R$ 75 e inclui sete porções, à escolha do chef, Samuel Eijiro, que passou pelo Shin Zushi e pelo Kan, entre outras casas.

Não perca: o croquete de vôngole (R$ 25), cremoso e cheio de sabor, com uma crosta bem crocante e sequinha, de farinha panko. E a pancetta de porco grelhada (R$ 32), selada, cozida em caldo de peixe com shoyu e saquê.

Bebidas: os drinques, assinados pelo bartender Alexandre Carvalho, podem ser harmonizados com as porções. Há sete tipos de saquê, nacionais e importados, shochus, gins e vodcas.

Ambiente: simples e simpático, decorado com toras formando um teto rebaixado e luminárias japonesas, mesas e lindos bancos de madeira. O único deslize é a geladeira, que quebra o clima, à entrada.

Público: variado, típico da Vila Madalena, mais na faixa dos 30 e poucos anos.

Serviço. R. Jericó, 279, Vila Madalena. 3814-3760. 18h30/22h45   (sex., 19h/23h45; sáb., 12h/15h45 e 19h/23h30; fecha dom.).

 

ISSA

Dona Margarida virou personagem da cidade tamanha a fama da casa, com ela há quase dez anos. Espécie de nonna à japonesa, de cabelos claros, bate papo com a clientela fiel enquanto comanda as garçonetes no balcão. É ali que são preparados petiscos como o takoyaki (bolinhos de polvo com katsuobushi, raspas de peixe bonito), chamariz da casa; outros vêm da cozinha. O noren na porta ajuda a identificar o local, discreto numa rua movimentada. Se forem apenas duas pessoas, as meninas vão indicar o balcão – os tatames são para grupos.

Vale a pena: o takoyaki (R$ 42), o okonomiyaki (R$ 42, espécie de fritada de cará e ovo), a gyoza no vapor e o otoshi (entradinhas do dia, que sempre inclui conservas).

Não perca: os tempurás sequinhos, aos moldes do que faz o marido de Margarida, Masanobu Haraguchi, no seu restaurante Ban. Prove o de camarão (R$ 85).

Bebidas: uma parede com saquês, shochus e uísques japoneses hipnotiza quem se senta ao balcão, mas tem cervejas de 600 ml.

Ambiente: apertadinho, ouve-se a conversa ao lado; os tatames são mais reservados, mesmo abertos.

Público: sempre foi frequentado pela comunidade japonesa, mas, tamanha a fama, passou a atrair turistas nacionais e gringos.

Serviço. R. Barão de Iguape, 89, Liberdade, 3208-8819. 18h30/23h30 (sáb. e dom., 11h30/15h30 e 18h/23h30h).

 

​KIDOAIRAKU

Era figura constante à entrada da casa a mãe do chef Kakuzui Matsui, que ficava sentada vendo TV perto do balcão e morreu no ano passado. Mas o cantinho dela permanece ali, ajudando a manter a alma de residência do local, que fez 30 anos neste ano. Tocado por ele, na cozinha, e sua mulher, Luciana, no salão, o lugar só serve os petiscos à noite (no almoço, quem manda são os teishokus – peça o de tonkatsu, com a carne de porco empanada). A estrela dos petiscos é o nasu dengaku (R$ 37), berinjela primeiro frita com a casca, depois grelhada com missô. 

Vale a pena: a porção de nirá refogado com ovo é boa para acompanhar o bebericar da noite, assim como a porção de tonkatsu (R$ 39), filé de porco em tirinhas empanadas, e a lula fatiada ao gengibre.

Não perca: o nasu dengaku, berinjela que é praticamente um purê de umami, e os bowls bem servidos de macarrão lámen.

Bebidas: tem um pouco de tudo, como saquês e shochus (não mais o destilado de batata-doce na garrafa vermelha, mas tem uma versão de trigo). Cerveja gelada Original, Heineken e a japonesa Kirin. 

Ambiente: familiar informal, tanto no almoço quanto à noite, seja no balcão ou nas mesas do salão; os filhos dos donos são vistos por ali sempre.

Público: comunidade japonesa é mais frequente do que turistas; há sempre mais pessoas grisalhas do que jovens pelo salão.

Serviço. R. São Joaquim, 394, Liberdade, 3207-8569. 11h30/13h45 e 18h30/22h (fecha dom.).

+ Yuzu, limão japonês que é puro perfume, é disputado por chefs

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KABURA ​

Pioneiro, o izakaya Kabura, dos irmãos Satoshi e Hitoshi Tanji, está no bairro da Liberdade há mais de 30 anos. Com um lindo noren, um grande balcão com vitrine de produtos que percorre todo o local, decoração rústica e cardápio tradicional, o lugar é um clássico. A grelha é a estrela da casa, por isso não deixe de provar pratos que saem dela. Para a experiência completa, coma no balcão bebericando uma cerveja ou um saquê. Um dos poucos na Liberdade que funcionam até mais tarde. Ah, só aceita dinheiro. 

Vale a pena: anchova grelhada, especialidade da casa (preços de R$ 60 a R$ 120). Você escolhe o peixe e o vê sendo grelhado.

Não perca: os espetinhos – shiitake, quiabo e berinjela com missô são ótimos aperitivos (entre R$ 7 e R$ 15).

Bebidas: boa oferta de cerveja. 

Ambiente: rústico e tradicional, transporta o cliente ao Japão. 

Público: famílias japonesas e público acima dos 30 anos predominam por ali, apesar das exceções.

Serviço. R. Galvão Bueno, 346,   Liberdade. 3277-2918. 19h/1h30 (fecha dom.).

 

MATSU

Aqui, a tradição da Liberdade encontra o despojamento de Pinheiros. O Matsu é o filho do tradicional izakaya Issa: foi aberto no início de 2015 pelos irmãos Sérgio e Lúcio Ouba, filhos de Dona Margarida (Issa) e de Masanobu Haraguchi (Ban). Tem pratos típicos de boteco japonês executados com excelência, mas com ar mais moderno e “compreensível” para os brasileiros. À noite, há pratos quentes e petiscos. Na hora do almoço, teishokus (o PF japonês), com apenas uma opção, que muda a cada dia. 

Vale a pena: sentar-se ao balcão e apostar em pratos para dividir. Perfeito para happy hour com amigos. Vá pedindo aos poucos. 

Não perca: katsu sando (R$ 28), sanduíche de lombo de porco à milanesa no pão de forma com o incrível molho da casa; nasu dengaku (R$ 23), berinjela frita com cobertura de missô e gergelim; e tonkatsu karê (R$ 42), lombo suíno à milanesa servido com curry e arroz, eleito um dos 100 melhores pratos da cidade pelo Paladar. 

Bebidas: suas opções de saquê e de shochu. Cervejas, caipirinhas e drinques com shochu e uísque. 

Ambiente: apertado, informal. 

Público: variado, descontraído.

Serviço. Av. Pedroso de Morais, 403, Pinheiros. 3812-9439. 11h30/14h30 e 18h/23h (sáb. 18h/23h; fecha domingo).

 

BOHN

Toque a campainha. A sorridente, mas desconfiada, Hiromi Shimizu é quem abre a porta para o que poderia ser a sala de sua casa, discreta e elegante. No balcão, ela e o marido passam a noite conversando com os clientes cativos, expatriados engravatados, descontraídos pelo saquê. A aura de segredo é tanta que nem fotos pudemos fazer para esta edição. O menu-degustação (R$ 160 ou R$ 190) muda todos os dias – por isso, o cardápio é escrito à mão diariamente, em japonês. Também há pratos de izakaya, como buta no kakuni (R$ 45) e okonomiyaki (R$ 55). Precisa de reserva.

Serviço: R. Marília, 95, Jd. Paulista, 3283-1799. A partir de 19h (fecha ter.).

 

BUENO

O Bueno nasceu na Liberdade, mas há alguns anos se mudou para a Alameda Santos. Na mudança, perdeu parte do charme, dizem os frequentadores. De fato o ambiente não é dos mais acolhedores. O cardápio combina pratos tradicionais de izakaya e da culinária coreana, caso do bibimbap (R$ 46), mexido de carne, arroz e vegetais que faz bastante sucesso. 

Vale a pena: ir no almoço para provar os famosos teishokus saborosos e substanciosos, que variam a cada dia da semana. E à noite para provar os petiscos.

Não perca: a língua de boi grelhada em fatias, ou gyutan-shio (R$ 25). Também não dá para deixar de provar o buta no kakuni (R$ 18), porção de barriga de porco extra macia cozida no saquê. 

Bebidas: o forte do bar são as cervejas nacionais e japonesas, que combinam bem com a comida pesada. E tem também uma boa seleção de saquês.

Ambiente: nem lá, nem cá. Tem referências orientais, o tradicional balcão com alguns bancos altos, mas tem um quê de mais moderno e comercial. Há algumas mesas no andar superior, o balcão é o melhor lugar da casa, sem a menor dúvida. l Público: bem variado devido a sua localização, próxima à Avenida Paulista. 

Serviço. Al. Santos, 835, Cerqueira César. 2386-8035. 11h30/14h30 e 18h/22h30 (fecha domingo).

 

​KINTARO

Tocado há mais de 20 anos pela dona Líria Higuchi, com a ajuda dos filhos Taka e Yoshi, o Kintaro é um izakaya localizado em uma simpática portinha na Rua Thomaz Gonzaga, na Liberdade. Não se deixe levar pelo tamanho. O lugar, que é praticamente do tamanho de seu balcão, oferece excelentes comida e atendimento. Aberto das 7h da manhã até as 23h, tem como especialidade as pequenas porções de aperitivos típicas de izakaya, além de petiscos bem brasileiros, todos feitos por dona Líria. Descontraído e acolhedor, é bom para ir com amigos, que se espalham pela calçada.

Vale a pena: a porção de sardinha marinada (R$ 15). Você vai querer repetir. É uma espécie de ceviche de sardinha com receita secretíssima de dona Líria. 

Não perca: as porções de berinjela no missô, dobradinha e costelinha (cada uma a R$ 15) são perfeitas para dividir com amigos, mas também dá para devorar sozinho. 

Bebidas: não esqueça de pedir pelo menos uma dose do saquê Ozeki (R$ 25 a dose), geladíssimo. Combina com todas as porções. 

Ambiente: pequeno no tamanho, gigante na simpatia do atendimento. Boteco descontraído.

Público: de 20 a 40 anos, geralmente bem animado.

Serviço. R. Thomaz Gonzaga, 57, Liberdade. 3277-9124. 7h/23h (sex., até 0h; sáb., até 21h; fecha dom.).

 

OMOIDE SAKABA

Aberto em agosto do ano passado, esse izakaya sai completamente da rota tradicional. Seu público é majoritariamente nipônico, ali se ouve mais japonês do que português. O nome, omoide, significa lembrança. Ao atravessar o noren encontra-se um legítimo boteco japonês, frequentado majoritariamente por homens – como no Japão –, de ambiente simples. O atendimento é bem simpático, atencioso. E o foco da cozinha está nos espetinhos, bem feitos e variados. 

Vale a pena: é um lugar onde se ter a experiência legítima de um izakaya, em sua simplicidade. É fácil se sentir do outro lado do mundo. Sente-se no balcão e entregue-se às sugestões do dono, Cláudio, que gosta de explicar tudo com paciência e simpatia. Adora contar como são os izakayas no Japão.

Não perca: o neguimá tare (R$ 6,50, foto), o espetinho de frango com molho tare grelhado, simples e cheio de sabor. O karaague (R$ 9), outra receita onipresente nos cardápios de izakaya, é traduzido como um frango à passarinho, mas o prato é muito mais do que isso, e aqui chega servido com molho ponzu, delicioso.  

Bebidas: atende bem o público tanto com saquês e shochus como com reconhecidos uísques japoneses. Tem também boa seleção de cervejas nacionais. 

Ambiente: fachada bem discreta, quase passa despercebida. O salão é bem tradicional, com mesas e balcão de madeira com poucos lugares. A decoração se completa com luminárias japonesas. Os donos usaram como referência os izakayas dos anos 70 no Japão. 

Público: a maioria são homens, acima dos 40 anos, em grupos ou mesmo sozinhos. Mas não há motivos para se intimidar, os atendentes são muito atenciosos. 

Serviço. R. Luís Góis, 1574,  Mirandópolis. 3459-3292.  18h/23h (fecha dom.).

 

TOKI

Tradicionalistas podem não considerar o Toki um legítimo izakaya. Em meio ao buxixo de Pinheiros, o lugar, aberto no ano passado, tem ambiente bem moderninho e cardápio que avança sobre receitas inventivas. Mas não faltam pratos tradicionais de izakaya. 

Vale a pena: ir sem pressa, com o espírito descontraído. Peça vários pratos para dividir e acompanhe a comida com drinques. É o tipo de boteco para ir com amigos.  

Não perca: entre os clássicos, nasu dengaku (R$ 19), que é berinjela em nacos besuntada com um viscoso molho de missô adocicado e gergelim. Do lado contemporâneo da casa, prove o orange chicken (R$ 29), uma sobrecoxa de frango empanada, crocante, servida com molho agridoce de laranja sobre gohan.

Bebidas: agrada a gregos e troianos. Carta de drinques inclui tradicionais e autorais. Há cervejas nacionais, japonesas e artesanais e, como não podia faltar, uma seleção bem pensada de saquês. 

Ambiente: descontraído, foge do caricato – muito concreto na decoração e uma parede amarela dão o tom –, está mais para Nova York do que para Tóquio. A maioria dos lugares para se sentar estão espalhados ao longo balcão, de frente para a grelha e para o bar.

Público: jovens na faixa dos 30 anos começam cedo a ocupar o balcão para a happy hour. 

Serviço. R. Artur de Azevedo, 986, Pinheiros.  3061-2349. 11h30/14h30 e 19h/23h (fecha dom.).

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