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José Orenstein

Variedade de peixes é trunfo do Tsuri

Nova casa nos Jardins mescla sushi, peixaria e cozinha quente

31 agosto 2016 | 18:28 por José Orenstein

Tsuri é o nome do novo restaurante japonês dos Jardins. A casa abriu as portas sem maior aviso há um mês, mais ou menos, no esquema soft opening (com desconto na conta final), e agora funciona a pleno vapor. É um sushibar e peixaria, como diz o letreiro na fachada. Tsuri em japonês quer dizer pesca, pescaria. Faz sentido: o que de melhor se serve no novo endereço é o que vem fresco do mar e que recebe a mínima e necessária interferência da cozinha.

Vamos entrando: logo à porta, geladeiras vendem uma razoável variedade de peixes limpos ou já filetados ali mesmo para levar para casa. Por enquanto, só abre à noite, mas a ideia é que também de dia a peixaria abra para o público. Lá dentro, no salão fundo e comprido, madeiras azul-claro e armadilhas de palha que fazem as vezes de lustre evocam um tranquilo clima de beira-mar (que acaba perturbado pelos alienígenas presuntos ibéricos expostos ao lado dos peixes – os donos do estabelecimento têm um restaurante espanhol na mesma rua – e pela música ruidosa e agitada).

Variedade de peixes é o ponto forte do novo sushi

Variedade de peixes é o ponto forte do novo sushi Foto: Reprodução|Instagram

O som é alto, mas a luz é baixa, o que seria agradável, não fosse o cardápio todo escrito em letras miúdas. A solução está nos nossos bolsos: os holofotes portáteis que guardamos em nossos celulares. Aí, bem iluminada, lê-se a extensa lista de comidas ofertada pelo restaurante. 

E chegamos, enfim, ao ponto: o Tsuri tem uma bela variedade de peixes e frutos do mar, que recebem os adequados tratamento e corte. Felizmente, não fica no trio salmão/atum/peixe branco, seja lá o que esse último for.

Da bancada de Sergio Kubo saem gordos sashimis de olho-de-boi (buri) ou pargo. Ou bem montados niguiris de sardinha ou carapau. Os cortes são limpos, sem imperfeições, e vêm na boa proporção com o arroz que os sustenta. Numa das visitas senti o arroz um pouco mais cozido, beirando o empapado. Noutra, o ponto estava ótimo, grãos firmes e ligados. Mas nas duas vezes achei-o um pouco doce demais. O arroz é sempre a assinatura de um sushiman (os peixes ele só escolhe e corta, mas não controla todo o processo); talvez o adocicado seja estilo.

Prove os temakis cilíndricos da casa: deliciosos rolinhos crocantes que eu repetiria sem pensar (mas pensar é preciso, porque há uma conta a pagar no fim).

E assim chego à conclusão que o que vale mesmo no Tsuri é a parte tradicional do cardápio. Dispenso as entradas, como o edamame trufado, os ussuzukuris, como o robalo cortado tão fino que nem se sente o gosto, as robatas, como a de shimeji e bacon ressecado, e os “american style sushi”, como a vieira com foie gras, ostentação sem causa. Do que pude provar que não vem do balcão frio, salvo o guioza de cordeiro de recheio úmido e a ostra grelhada com saquê e ovas, delicada.

Sashii de atum gordo. Fatias grossas e bem cortadas.

Sashii de atum gordo. Fatias grossas e bem cortadas. Foto: Reprodução|Instagram

A casa engatinha, é nova ainda, mas não dá para deixar de notar que falta azeitar o serviço. A brigada de salão ainda não domina o cardápio. E mostra, por vezes, desentrosamento com a cozinha, além de empurrar água sem que se peça e desfazer a mesa antes que se termine tudo. Ainda assim, se estiver ali por perto com fome de sushi, vale espiar.

CONTEXTO

O Tsuri funciona no endereço onde antes ficava o La Cocotte. A casa tem entre seus sócios os mesmos donos do espanhol Aragón, restaurante sempre cheio que fica algumas quadras para baixo na mesma Alameda Ministro Rocha Azevedo, nos Jardins. O comando da cozinha e do balcão é do carismático Sergio Kubo, que trabalhou por anos no Hideki, em Pinheiros, e mais recentemente passou pelo Minato Izakaya, naquele mesmo bairro.

O MELHOR E O PIOR

PROVE

O temaki de uni. É uma versão alongada – um cilindro – da forma clássica de servir as ovas de ouriço.

Os niguiris de sardinha e carapau. São peixes com gosto de peixe, que equilibram bem o doce do arroz.

Os sashimis de buri e atum gordo. Chance de erro mínima aqui; o peixe é bem cortado, mais grosso.

EVITE

O tempura de siri mole. Não é porque é frito que não pode ser delicado. Este é pesado e insosso.

A robata de vieira com foie gras. Este prato é a crônica da delicadeza assassinada, vieira emborrachada, foie gras crestado.

Cozinha quente. Ostras grelhadas com saquê e ovas

Cozinha quente. Ostras grelhadas com saquê e ovas Foto: Reprodução|Instagram

Estilo de cozinha: japonês – com ênfase na cozinha fria, mas também tem pratos quentes.

Bom para: jantar a dois, para provar sushis e sashimis no balcão.  

Acústica: muito ruim. O salão ao fundo reverbera uma barulhentíssima coifa. A música alta não ajuda, de modo que é preciso voz e impostação de tenor para conversar à mesa.

Vinho: a carta dá poucas opções para quem olha a coluna da direita na hora de escolher – os rótulos espumantes, brancos e tintos começam em R$ 98 e vão a R$ 221. Há grande e boa oferta de saquês, mas aí não tem jeito, os preços são altos mesmo. 

Cerveja: faltam também opções, há só convencionais – Budweiser, R$ 10, Stella, R$ 11, Corona, R$ 15, Sapporo, 

R$ 30, todas long neck.  

Água e café: nada de água cortesia da casa (segue o movimento pela generalização do cortês e gentil gesto). As garrafinhas d’água saem a R$ 6 e são irritantemente preenchidas sem que se o peça. Café expresso a R$ 5.

Preços: entradas (R$ 18 e R$ 32), robatas, niguiris, sashimis, ceviches (R$ 9 a R$ 40), sobremesa (petit gâteau de doce de leite a R$ 28).

Vou voltar? Se eu morasse ali nas redondezas, voltaria para jantares no balcão, à frente do sushiman, para provar o que tivesse de mais fresco no dia.

SERVIÇO

TSURI 

R. Alameda Ministro Rocha Azevedo, 1.153, Cerqueira César

Tel.: 3589-1157.

Horário de funcionamento: 19h30/2h (fecha dom.).

Valet: R$ 25.

Não tem paraciclo.

Ciclovia na R. Honduras (400 m)

 

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