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Suzana Barelli

O que esperar do vinho em 2021

Apostas e sugestões de rótulos para beber neste novo ano

06 de janeiro de 2021 | 05:00 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

Não há dúvidas de que 2020 foi o ano do vinho no Brasil. A expectativa é que o interesse pela bebida continue em alta em 2021. Mas o que o brasileiro vai beber neste novo ano?

A primeira aposta são vinhos mais simples. Com a desvalorização do real frente ao dólar do ano passado, os importadores focaram em comprar garrafas com preços mais em conta em sua origem, o que não significa que são vinhos que chegam, necessariamente, mais baratos ao consumidor.

Um exemplo é que a média de preço da caixa de 12 garrafas do vinho importado foi de US$ 24,70 em 2020, no período de janeiro a outubro (últimos dados disponíveis). Isso significa US$ 2,05 pagos por garrafa em sua origem, sem os impostos e demais custos para trazer o vinho e nacionalizá-lo. Em 2019, essa média de preço era de US$ 27,80, ou US$ 2,33 por garrafa, de acordo com os dados da consultoria Ideal.

O conhecimento em elaborar rótulos premium pode ajudar na elaboração de toda a linha.

O conhecimento em elaborar rótulos premium pode ajudar na elaboração de toda a linha. Foto: Fernando Sciarra/Estadão

Isso abre o mercado para aqueles “achados”, vinhos que valem mais do que o seu preço. Na loucura que ficaram os preços com a quarentena não é tão fácil achá-los. Dos rótulos até R$ 60, me surpreendi com o Aldeias da Serra Branco DOC (R$ 58,40, na Adega Alentejana). É um vinho de cooperativa, simples, bem feito. Gostei também do Encruzado, da mesma vinícola, uma boa introdução a esta uva pouco conhecida dos brasileiros, mas o preço é mais alto: R$ 137,60.

Naqueles de até R$ 100, provei recentemente o rosé da chilena Las Veletas por R$ 80, na Edega. Elaborado com a uva País, variedade que vem sendo redescoberta, é uma boa pedida, enquanto o novo lote do Sauvignon Blanc da mesma vinícola não chega ao Brasil. 

Outra aposta são os rosés, uma categoria de vinhos que vem crescendo ano a ano no Brasil – atualmente, representa 6,1% do mercado brasileiro, nos dados da Ideal. Fresco, frutado e, não raro, com uma ponta de açúcar residual, os rosados vem conquistando o paladar do brasileiro. Eles têm a vantagem de serem mais leves, o que torna o seu consumo mais agradável em dias de calor, e com vocação para harmonizar com as receitas de verão

Entre os vários exemplos, há o sempre consistente Crios Rosé, elaborado com a uva malbec pela equipe da argentina Susana Balbo (R$ 69,90, na vivavinho.com.br). Outro é o espanhol 99 Rosas, da região de Terra de Castilla (R$ 79, na Casa Flora). Para quem quer também aproveitar a garrafa, o Gem Pays D’oc Rosé tem a vantagem de ter uma embalagem estilosa e fechada com a pouco utilizada tampa de vidro (R$ 152, na La Pastina).

Destaque também para os vinhos brasileiros, menos impactados com a alta do dólar do que os importados. Na faixa dos rótulos mais simples, eu prefiro os tintos, principalmente os mais jovens, com pouca ou nenhuma passagem por barricas de carvalho. Uma pedida é o Touriga Nacional, da pernambucana Rio Sol, fresco, com notas frutadas maduras (R$ 59,90 na Vinhos e Vinhos). Outro exemplo é o Campanha Marselan Tannat, elaborado pela Salton com uvas da Campanha Gaúcha, mas o preço é mais alto: R$ 90; e o Merlot da linha Fausto, da Pizzato (R$ 69,99, no Pão de Açúcar).

Nos brancos, recentemente me surpreendi com o Marie Gabi Petit Manseng, da Routhier & Darricarrére (R$ 74, na Cave Nacional).

 

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