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Heloisa Lupinacci

O que marcou o universo cervejeiro em 2019

Tendências polarizadas, cerveja cada vez mais fresca e o boom dos taprooms são os destaques do ano

26 de dezembro de 2019 | 17:21 por Heloisa Lupinacci, O Estado de S.Paulo

2019 não foi marcado por um estilo cervejeiro, mas por um jeito de beber cerveja: este foi o ano do boom do taproom (rima!). Por definição, taproom é um bar da marca. Pode ou não estar dentro da cervejaria, mas a ideia é que das suas torneiras saiam cervejas de uma única cervejaria (em muitas delas, há torneiras para cervejarias amigas convidadas). 

Brinde. Destaques cervejeiros de 2019

Brinde. Destaques cervejeiros de 2019 Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Taproom é sinônimo de cerveja fresca ou novidade (pode ser maturada, por exemplo, nada fresca). No dna do taproom está aproximar público e cervejaria. Você fica conhecendo o cervejeiro, o estafe, a proposta, os testes… O jeito de beber muda: ao ir num taproom, você parte da ideia de que vai beber cervejas daquela marca e apenas escolhe entre os estilos oferecidos. Bem diferente de ir a um bar que reúne cervejas de diferentes origens.

A ideia encaixa perfeitamente com esse momento em que contar uma história parece mais importante do que qualquer outra coisa. Em um taproom, a cervejaria consegue contar sua história para o bebedor.

Invicta, Darovida e Mad Dwarf estão entre os taprooms que abriram neste ano em São Paulo. No interior, Bragantina, em Atibaia, Cavok, em Jundiaí, Beer Garden Start Up, em Itupeva são alguns exemplos. Em BH, Falke, no Rio, Cevaderia, em Salvador, Proa. E isso só para listar alguns.

Taproom da Invicta, em Perdizes.

Taproom da Invicta, em Perdizes. Foto: Raphael Rodrigues/AllBeers

Tipo taproom. Como tudo que esquenta, a ideia virou ferramenta de marketing e deu aquela pirueta rumo ao vazio. Recentemente abriu em São Paulo o Taproom Pop Up da Lagunitas, no largo da Batata, óbvio. A marca de cerveja americana que foi comprada pelo grupo Heineken passou a ser produzida no Brasil inaugurou o espaço para chamar atenção para sua chegada. É um ímóvel legal, tem uma área externa bacana, mas bate aquela dúvida: taproom ou estande? 

Brewpubs também. O taproom não tem cozinha, a comida quase sempre vem de um foodtruck estacionado na porta ou de restaurantes próximos que façam entrega. Essa distinção serve para traçar a linha entre o que é brewpub e o que é taproom.

O taproom pode ser apenas uma câmara fria com torneiras e banquetas. O brewpub deve produzir a cerveja ali e servir comida (cervejaria e restaurante num lugar só). Em comum: brewpub também é bar da marca e também bombou neste 2019. Em SP, começamos o ano com a abertura da Croma e terminamos com a inauguração da Caravan (onde era o Delirium Café).

Nos estilos, tendências polarizadas

Bem com a cara do momento atual, as tendências do mundo cervejeiro foram polarizadas. Os dois estilos bombados mais interessantes foram a minimalista pilsen e a exagerada pastry stout.

Uma leva de excelentes pilsen deu uma refrescada no estilo mais elegante do mundo: Synergy e Dogma puxam a fila das boas pilsens. No outro extremo, as pastry stouts são imperial stouts com adição de tudo o que você puder colocar num pavê. Quem puxou a fila nesse caso foi a gaúcha Tupiniquim, em anos anteriores, mas neste ano, ainda no começo de 2019, foi seguida por quase todo mundo. 

Eventos cervejeiros mais diversos

Por fim, depois de anos frequentando eventos cervejeiros e lamentando a combinação de acústica péssima, som altíssimo com bandas sempre iguais (todas crias de uma mistura de Credence Clearwater com Beirut) e cheiro de comida vindo de banquinhas de qualquer-coisa-frita, neste ano parece que firmou a ideia de tornar os eventos cervejeiros mais agradáveis e variados.

O calendário da cervejaria Tarantino e as festinhas da cervejaria Catimba são o símbolo dessa tendência: espaços abertos, comida boa, som quase sempre num volume em que dá até para pensar em conversar são alguns dos elementos de sucesso. Mas acima de tudo, o mais legal é a diversidade de público. Eventos que antes pareciam o ataque dos clones hoje incluem um público bem mais diverso, mais colorido. Bom para o mercado cervejeiro.

 

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