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Morto aos 61, chef Anthony Bourdain fez fama mostrando a comida do mundo

Com carreira em restaurantes de Nova York, Anthony Bourdain alcançou fama no ramo com livro sobre os bastidores da cozinha, mas virou celebridade mundial com programas de TV

08 junho 2018 | 12:03 por Ana Paula Boni

Conhecido por seu estilo bad boy e de falatório sem reservas, o chef Anthony Bourdain, encontrado morto nesta sexta-feira (8) aos 61 anos, ficou conhecido mundialmente não por sua comida, mas primeiro por um livro que desnudou os bastidores da restauração e, em seguida e graças ao livro, pela apresentação da comida dos outros em programas de TV.

O cozinheiro nova-iorquino trabalhou por décadas em restaurantes da cidade até ganhar projeção localmente, na década de 1990, pelo seu trabalho no Les Halles, um restaurante de acento francês badalado. Foi lá de dentro, onde passou pelo menos oito anos, que saiu sua maior obra. Mas ela não era uma receita, e sim o livro Cozinha Confidencial. No título, lançado em 2000, Bourdain revelou, com certa dose de humor e também de crueldade, segredos dos bastidores da gastronomia que até então ninguém tinha coragem de contar.

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Anthony Bourdain em Nova York, em 2015.

Anthony Bourdain em Nova York, em 2015. Foto: Alex Welsh|NYT

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Do livro saem cozinheiros ilustrados, fielmente, como alcoólatras, drogados e incorrigíveis, coisa impensável de se contar naquela época. Mas não só, pois Bourdain também fala de si como um desses cozinheiros e narra seus dramas pessoais. O sucesso mundial do livro, que chegou no ano seguinte ao Brasil (Companhia das Letras), fez com que Bourdain ganhasse uma nova carreira, a de apresentador. 

Canais de TV souberam aproveitar, em variados programas, o tirocínio de Bourdain. Dois anos após o lançamento do livro, veio o primeiro programa, A Cook’s Tour, da Food Network, que durou um ano. Mas logo depois, em 2005, Bourdain estreou o programa com o qual foi catapultado mundialmente, o Sem Reservas, do Travel Channel. Foram sete anos no ar, com viagens para várias partes do planeta, das mais turísticas às mais controversas, como o episódio de Beirute, que depois ganhou o Emmy.

Anthony Bourdain recebe o então presidente Barack Obama em um dos episódios de 'Parts Unknown'

Anthony Bourdain recebe o então presidente Barack Obama em um dos episódios de 'Parts Unknown' Foto: CNN

Foi pelo Sem Reservas que Bourdain visitou São Paulo em 2007, quando foi ciceroneado por nomes como Rosa Moraes (diretora da Laureate) e o sushiman Jun Sakamoto. Aqui, conheceu lugares como o Mercado Municipal e comeu comida de rua. Depois, revelou no livro Maus Bocados (Companhia das Letras) o que havia achado de algumas cidades brasileiras, como também Salvador e Rio. Chamou São Paulo de “feia como o inferno”, cidade onde a comida japonesa da Liberdade é “muito pesada” e o sanduíche de mortadela do Mercadão “é simples, mas saborosíssimo”.

Anthony Bourdain com Rodrigo Oliveira no Mocotó, em São Paulo, para o 'Sem Reservas'

Anthony Bourdain com Rodrigo Oliveira no Mocotó, em São Paulo, para o 'Sem Reservas' Foto: Travel Channel

Após o programa Sem Reservas, Bourdain trocou a Travel pela CNN, onde desde 2013 apresentava o Parts Unknown (sem versão brasileira). Em 2016, recebeu até o então presidente americano Barack Obama num episódio no Vietnã.

Bourdain, que ao longo da carreira na TV escreveu mais uma dezena de livros, estava na França para uma gravação do Parts Unknown quando foi encontrado morto no quarto do hotel.

 

BOURDAIN NO PALADAR: 

Os maus (porém bons) bocados do chef Anthony Bourdain (2008)

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